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Novo comandante da PM de Mato Grosso do Sul, Geraldo Garcia Orti, concede entrevista exclusiva ao Perfil News

28/03/2007 11h02 – Atualizado em 28/03/2007 11h02

Uma nova sistemática de trabalho começa a ser colocada em prática pelo novo comandante da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Coronel Geraldo Garcia Orti. Em entrevista ao Perfil News ele falou no aumento do efetivo policial para Três Lagoas, na manutenção do atual comandante do 2º BPM, Edson Machado, e na substituição da frota. Falou ainda sobre maioridade penal, ‘Lei Seca’, corrupção na PM, falou dos ‘bicos’, entre outros assuntos. Na Polícia Militar há 29 anos, Orti, se mostrou firme em suas convicções e preocupado com o futuro da Corporação. Para ele o ideal seria um efetivo de 10 mil homens e que os atendimentos a comunidade deveriam ocorrer em cinco minutos após o chamado pelo 190. ‘Não estamos longe disso e vamos conseguir’, falou. A seguir a entrevista. Perfil News – Uma nova sistemática começa a ser colocada em prática pelo novo comandante da PM. Qual é ela e quais as metas a serem atingidas? Orti – A primeira premissa é trazer todos os policiais para a PM. A intenção é reforçar o policiamento e melhorar a atuação da PM em todos os locais do Estado. São mais policiais nas ruas para atender a comunidade. Perfil News – De que forma o novo comandante encontrou a PM? Orti – É notório e público que havia uma dificuldade administrativa. O Estado, como um todo, estava com problema de ‘caixa’ para realizar várias ações e na Polícia Militar não foi diferente. Encontramos dificuldades na manutenção de veículos e em abastecimento. Ao longo desses três primeiros meses já estão sendo superadas essas dificuldades. Temos recebido uma cota regular de combustível, não é a ideal, mas que tem nos permitido a prestação de serviço e atender a comunidade. Perfil News – Em alguns Municípios, como Dourados e Três Lagoas, a comunidade, entendendo a situação da PM, se engajou e colaborou com doações de combustível. Essa situação se perdura? Orti – Não se perdura mais, pois conseguimos regularizar um calendário de abastecimento. Nós recebemos uma cota semanal e conseguimos fazer uma distribuição bem controlada dessa cota. O que existe em alguns municípios são convênios da PM com o Município que fornece combustível. Quero destacar que em um primeiro momento foi importante essa colaboração da comunidade, pois enquanto o governo não conseguia identificar qual que era a dificuldade. Esse combustível foi importante para que se mantivessem os patrulhamentos nas cidades. Perfil News – A Polícia Militar deve para fornecedores de combustíveis? Orti – Não, a PM não deve. Quando assumimos o comando a situação já estava regularizada. É política nossa não pegar um litro de combustível fiado. Nós só retiramos aquilo que é crédito. Perfil News – Quando um novo governo assume, ele elege várias prioridades (saúde e industrialização, por exemplo). Na questão de segurança pública, o governador André Puccinelli (PMDB) tem preocupação com isso. É prioridade dele? Orti – É prioridade. Nós apresentamos uma proposta para apresentar ao governador Puccinelli. Todos os coronéis e comandantes de unidades de MS apresentaram propostas e estabeleceram metas e com isso se montou um planejamento estratégico para os próximos quatro anos. Quando assumimos o comando, nós já tínhamos uma proposta para a PM justamente para sanar algumas deficiências. Uma delas era identificar o efetivo que estava cedido para outros órgãos (fórum, assembléias, entre outros). Um decreto que deve ser assinado pelo governador Puccinelli deve por um fim a isso. Ou seja, o efetivo voltará para dentro dos quartéis. Uma segunda premissa nossa seria a adequação do policial do posto ao comando. Batalhões são para tenentes-coronel, e alguns locais isso não estava acontecendo. Nós procuramos alocar para o comando o oficial de acordo com o posto. Isso dará mais relevância ao cargo e você vai por pessoa com mais conhecimento no comando. Perfil News – Qual o efetivo policial de Mato Grosso do Sul? Orti – O efetivo previsto é de 7.529. Temos 4.780. Isso significa que há uma defasagem em torno de 2.500 policiais. Vamos propor ao governador do Estado uma forma de recompletar esse efetivo. Com isso queremos chegar a um número previsto ou bem próximo a ele. Isso nos permitiria prestar um serviço de boa qualidade à comunidade. Perfil News – Isto significaria a abertura de concurso para provimento dessas vagas? Orti – Sim. Seria concurso para oficiais e soldados. Perfil News – As cidades pólos de MS (Três Lagoas, Corumbá, Dourados, Ponta Porã e Campo Grande) passam por várias transformações. No caso específico de Três Lagoas, onde processo de industrialização está acelerado, já há um aumento na população e em conseqüência disso à segurança deverá ser reforçada. O que está sendo planejado para aquela cidade? Orti – Nesse estudo para a área de recursos humanos, sabemos que a cidade de Três Lagoas deverá ter um aumento populacional na casa dos 20%. Esse estudo visa identificar quantos policiais a mais será destinado para a cidade nos próximos três anos. Esse aumento de efetivo também deverá beneficiar cidades da jurisdição do 2º BPM. São os casos de Brasilândia e Santa Rita do Pardo. Não podemos afirmar se serão 100 ou 200 policiais, mas esse estudo vai apontar isso. O sistema prisional de Três Lagoas, que é de cuidado da PM também é uma atenuante para o encaminhamento de mais policiais para reforçar a segurança nesses locais. Perfil News – E no caso de armamento e viaturas para Três Lagoas. Haverá reforço? Orti – Estamos levantando todas as informações para armar o policial, dando condições de um melhor atendimento a comunidade. Sabemos que a frota da PM no MS está com mais de três anos de uso. Pela importância de Três Lagoas sabemos que deve haver aumento de efetivo, de armamento e de viaturas. Perfil News – Essas novas medidas serão implantadas, a médio, curto ou longo prazo? Orti – Algumas medidas devem começar agora. Por exemplo, aumento no efetivo. Se for autorizada a abertura de concurso para provimento de cargos, os cursos devem começar no final do ano e no meio do ano que vem eles serão distribuídos para as cidades. Na questão de equipamentos, depende de orçamento. Se apresentarmos esse relatório nesse primeiro semestre o governo terá condições de preparar dotação orçamentária para a aquisição de armamentos e viaturas já no ano que vem. Quanto a consertos de viaturas é possível fazer já, pois há verba de custeio para isso. Perfil News – Dentro do enfoque apresentado a cidade de Três Lagoas ganha uma atenção especial? Orti – Na realidade o Estado todo ganha uma atenção especial. O estudo que iremos apresentar tem como origem a situação de Três Lagoas em razão das fábricas que vão se instalar. Tanto que esses 30 homens que estão sendo formados não eram previsto para ficarem na cidade. Eles ficarão na cidade por causa do canteiro de obra. Esses trinta homens darão uma melhorada na segurança. Mas, com certeza vamos ter de colocar mais 100 ou 200 homens na cidade. Perfil News – Que avaliação é feita para o aumento da criminalidade no Estado? Citamos como exemplo uma chacina na cidade de Dourados; em Ponta Porã uma agência de pistolagem, e prisões de traficantes em Três Lagoas. Orti – Para se falar em aumento da criminalidade é preciso ter um comparativo de anos anteriores. O que tivemos foi um pico, mas não um aumento na criminalidade. Houve em Dourados uma chacina e isso chocou a comunidade, mas não reflete na comunidade. Isso não significa que a cidade é violenta. Nesse final de semana onde ocorreram sete crimes em Dourados, foi o dia em que a PM mais colocou viaturas nas ruas (15). Não havia como evitar esses crimes, mas outros crimes como roubos e furtos diminuíram. Perfil News – O Coronel Orti é favorável à aplicação da Lei Seca? Orti
– Sim, sou favorável. E nós temos na Capital do Estado um trabalho em cima da Lei Seca. Nós fazemos uma ação integrada da PM com a Polícia Civil. A importância da lei seca, se nós acompanharmos, a maioria dos crimes ocorrem durante a madrugada e em bares da periferia. Com a Lei Seca diminuíram-se os crimes contra a vida. Onde se tem aplicado à lei seca, se fizerem um estudo comparativo, haverá redução nos crimes contra vida. Perfil News – Como o Coronel analisa a corrupção dentro da Polícia Militar? Orti – Infelizmente em todos os quadros a PMs que se desvirtuam. Mas é política em nosso comando que, se houver policiais presos por contrabando, tráfico, pistolagem e cobrando dívida, nós imediatamente vamos instalar um conselho de disciplina e vamos demitir antes do processo penal ser concluído. É uma atitude moralizadora. Para o comandando da PM não nos interessa maus policiais. O cidadão não pode ser policial de dia e bandido à noite. Não vamos admitir. A tropa tem conhecimento e os maus policiais já sabem disso. Perfil News – Como é analisado o ‘bico’ realizado por policiais militares? Orti – Não tem previsão legal. O policial não tem necessidade de fazer o bico. O salário dele é bom. Não estamos autorizando ‘bico’, pois ele vai acabar se dedicando a isso e deixará a PM em segundo plano. E assim prestará péssimo desserviço para o Estado. Houve o salário de um policial em início de carreira é de cerca de R$ 1.200. Perfil News – Esse salário inicial, se comparado aos demais Estados, como estaria na faixa salarial? Orti – Nós somos a quarta ou quinta em termos de vencimentos. Não existe justificativa para o policial se dedicar ao ‘bico’. Perfil News – Existe a intenção em se por um fim as siglas dentro da PM. Exemplo: Rotai e Getam? Orti – Sim. A Polícia Militar não pode ter várias policiais dentro da Corporação. Isso dificulta a comunidade. Ela precisa saber que existe uma única polícia para fazer toda a atividade. Dentro da unidade só terá uma única polícia. Rotai é nome fantasia. É uma viatura com dois homens a mais destinada a fazer apoio em ocorrência de risco. Não há necessidade de pintar viatura de outra cor, arrumar outra uma farda diferente para fazer esse tipo de serviço. Vamos voltar a colocar todos com um fardamento igual, o azul petróleo. Não posso admitir que dentro de uma unidade tenham soldados mais qualificados e outros menos. Todos são nivelados para serem ótimos policiais. A Rotai passará a ser viatura tática. Perfil News – E no caso da P2 (serviço reservado)? Orti – A P2 é um órgão de inteligência da PM. Tem de existir. A finalidade do P2 é levantar para cada comando de unidade as possibilidades de, por exemplo, formação de uma quadrilha, locais de venda de droga, entre outros. Isso vai continuar. Perfil News – Sobre a unificação das policiais. Qual seu posicionamento? Orti – Sou contra. Isso não mais melhorar a segurança. O que vão melhorar são as duas policiais (civil e militar) bem aparelhadas e com recursos humanos preparados. Como somos duas policiais, uma fiscaliza o trabalho da outra. Se unificar ela (as polícias) ficaria muito poderosa. E quando houver um comandante, mal intencionado, as polícias teriam problemas. Se juntar duas policiais sem nada, continuará uma polícia ruim. Cada uma tem que ter sua independência e agir de acordo com seus estatutos. As duas polícias podem viver em harmonia da forma com que está, ou seja, uma fiscalizando a outra. Perfil News – Sua opinião sobre a Guarda Nacional. Está sendo eficaz no Rio de Janeiro? Orti – A Guarda Nacional não está com a tarefa de cuidar da violência dentro da cidade do Rio de Janeiro. A função da Guarda é cuidar das principais vias de acesso ao Rio, evitando a entrega de drogas e armas. As unidades do Rio é que são responsáveis pelo fim da violência. Perfil News – Durante e EcoRio, o Exército foi chamado às ruas. Esse seria o método mais eficaz para por fim ou até diminuir a criminalidade. O Exército seria novamente uma opção para o fim da violência? Orti – Sou contra. O Exército, preparado do jeito que está é para a guerra. O militar vê o cidadão como inimigo. A PM vê uma pessoa como amiga. Um soldado do exército devia ter o cidadão como de bem. Um cidadão que comente uma infração de trânsito não é inimigo. Para um soldado do Exército ele seria um inimigo. Por exemplo, a arma usada pela PM é pistola e revólver. O Exercito usa fuzil 762. O que falta é ação permanente da polícia. Presença constante. Isso reduz a criminalidade. Perfil News – Redução da maioridade penal. O senhor é contra ou favorável? Orti – Sou contra. Isso não vai resolver o problema da criminalidade. O que vai resolver é a educação. Se você quer ter um cidadão que não cometa crime você tem de dar opção de vida para ele. Perfil News – O jovem de 16 anos pode escolher em quem votar. (nesse momento o coronel se antecipou a pergunta). Orti – Será que ele tem consciência no está escolhendo? Será que está maduro? Perfil News – A legislação estaria errada? Orti – Ele pode, mas não é obrigado a votar. Perfil News – Diante de um País de baixa escolaridade, o que fazer? Orti – Você que formar cidadão ou bandido? Se quiser formar um bandido é só colocar ele e coloca numa cadeia igual aos outros. Se você quer formar cidadão é só dar escola e cursos profissionalizantes. Para que ele tenha opção de vida e ai sim, ele não vai precisar roubar. Temos que dar chance para o cidadão estudar e se alguém na vida. Se quiser mudar o país temos que dar educação em tempo integral. Presídio não vai resolver nada. Perfil News – Dentro de quatro ou oito anos, como quer entregar o comando para seu sucessor? Orti – Queria passar o passar o comando com um efetivo de pelo menos 10 mil homens, como os quartéis todos reformados e todas as unidade equipadas com armamento e viaturas, para que em menos de cinco minutos possa atender um chamado da comunidade. Vou brigar por isso.

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