11/04/2015 12h04 – Atualizado em 11/04/2015 12h04

O anticorpo foi batizado de 3BNC117 e reduziu até 250 vezes a concentração de vírus na corrente sanguínea

Da redação

Uma nova estratégia de combate ao HIV, o vírus causador da Aids, usa um anticorpo como arma eficiente para ajudar a barrar a evolução da doença. Os detalhes sobre o mecanismo da novidade foram anunciados na última semana na revista científica Nature – uma das mais respeitadas do mundo – e recebidos com entusiasmo pela comunidade científica. Em testes feitos em seres humanos, o anticorpo foi capaz de reduzir em até 250 vezes a concentração de vírus presente na corrente sanguínea por um período que se estendeu por até 28 dias.

A pesquisa foi conduzida no laboratório de Imunologia Molecular da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, dirigido pelo brasileiro Michel Nussenzweig. Os cientistas usaram como base um dos anticorpos fabricados pelo organismo de pessoas infectadas pelo HIV mas que demoram muito mais do que a média dos contaminados para apresentar os sinais da doença.

O anticorpo foi batizado de 3BNC117. Antes dele, outros anticorpos com características semelhantes haviam sido testados, mas com resultados desapontadores.

O remédio foi administrado a 29 pessoas nos Estados Unidos e na Alemanha: 17 estavam infectadas (15 delas não tomavam o coquetel anti-HIV) e 12 eram soronegativas. Todas foram depois acompanhadas por 56 dias. Seu efeito foi impactante. Além de derrubar a carga viral entre oito e 250 vezes nos oito pacientes que receberam a maior dose, foi efetivo contra 195 das 237 cepas de HIV.

“O anticorpo pertence a uma nova geração que potencialmente combate uma grande quantidade de cepas”, afirma a brasileira Marina Caskey, professora assistente do Laboratório e co-autora do artigo.

O anticorpo atua de maneira precisa sobre o mecanismo usado pelo HIV para invadir as células CD-4, integrantes do sistema de defesa do corpo e usadas pelo vírus para se multiplicar dentro do corpo. Ele fecha o receptor do vírus por meio do qual o microorganismo se liga a essas células. “O vírus não consegue entrar na célula”, explica Nussenzweig.

A ideia inicial é a de que o medicamento seja usado em conjunto com as drogas antiretrovirais. “Um antibiótico apenas, assim como qualquer outro remédio sozinho, não será suficiente para suprimir a carga viral por longo tempo porque acabará surgindo resistência”, afirma Marina.

Por outro lado, os cientistas esperam que seja necessária apenas uma dose para que a medicação tenha efeito durante alguns meses. Seria uma comodidade, já que não adicionaria mais um item na lista diária de medicamentos que o portador do HIV é obrigado a tomar atualmente. A pesquisadora brasileira aponta outro benefício da terapia baseada em anticorpos. “Ela também pode estimular o sistema de defesa a ajudar a neutralizar o vírus”, explica.

Outro efeito levantado pelos cientistas seria o uso do anticorpo em uma vacina para impedir a infecção pelo HIV. O raciocínio é o de que, se for possível ativar o organismo de uma pessoa não infectada para que ela produza anticorpos com tamanho poder, isso poderia ser suficiente para bloquear a contaminação.

Os pesquisadores agora planejam estender os testes para um número maior de pessoas. O que já foi demonstrado, porém, impressionou a comunidade científica.

“O estudo é pequeno ainda, mas seus resultados são muito animadores”, afirmou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, um dos pioneiros no estudo da Aids em todo o mundo.

(*) Terra

O anticorpo em combate ao vírus da AIDS. (Foto: Divulgação)

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