Em Três Lagoas o gasto mínimo de um funeral para quem não possui plano funerário ou túmulo garantido pode ser de R$ 3.500, porém se optar por algo mais sofisticado o valor dispara

Ricardo Ojeda e Guta Rufino

Um dia ela chega e muitas vezes nos pega de surpresa. A única certeza é que todos nós vamos passar por isso. Sorrateira ou não, a morte sempre vem – seja a nossa, a de um amigo ou de um ente querido da família.

Quando chega o dia, não tem rico nem pobre, negro ou branco: o destino é o mesmo.

Ninguém está preparado para a morte, porém ela é inevitável para todos e quando chega a hora só resta a despedida (Foto: Divulgação)

Mas, mesmo sabendo da sua inevitabilidade, será que estamos preparados para isso? E por “preparados” entenda não apenas nas questões espirituais ou do conforto psicológico, mas – sejamos práticos: o financeiro. Porque os preparativos, a cerimônia de despedida, do último adeus… as últimas homenagens custam caro.

MOMENTO DELICADO

Diante disso não há como ignorar que o sepultamento ou a cremação é um dos últimos serviços pagos – e caros – que vamos utilizar. Lidar com o luto é delicado, envolve o lado emocional, o psicológico, abala a estrutura familiar. Além de ser um momento difícil, existem os desafios burocráticos e financeiros que são urgentes e, mesmo que todos tenhamos consciência dos processos, nos surpreendemos com os valores.

Caixões existem de vários preços e podem chegar até R$ 5o mil (Foto: Divulgação)

O mercado funerário é um dos grandes negócios no Brasil. Segundo o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (SINCEP), o setor movimenta uma receita de 7 bilhões por ano no país, incluindo empresas do setor que fornecem manutenção de cemitérios, crematórios e empresas de atividade funerária.

E, para quem tem dinheiro, no momento do último adeus, o céu – literalmente – é o limite.

OPÇÃO DE PLANOS

Há pessoas que se preparam e pensam em tudo para não deixar problemas para sua família. Sendo assim optam por pagar um plano funerário, não apenas pensando na morte, mas também nos benefícios à saúde, como os descontos com o convênio médico.

E quem prefere não pensar nisso agora vai acabar se assustando depois, porque no caso de uma fatalidade, o baque com gastos nos preparativos funerários vêm junto com o luto.

QUANTO CUSTA MORRER EM TRÊS LAGOAS?

Como essa pauta é um assunto que muitos não gostam de abordar, a reportagem do Perfil News, principalmente em tempos de pandemia, procurou as empresas que prestam serviços funerários em Três Lagoas, a fim de fazer os levantamentos dos custos de um sepultamento.

Fazendo os cálculos junto aos representantes das empresas, um enterro de uma pessoa sem plano funerário pode custar a partir de R$ 700 a 800, isso se a família já tiver o túmulo e um caixão modesto. No caso daqueles que não possuem o túmulo os gastos podem ser em média de R$ R$ 3.500.

Para aqueles que estão preocupados também com a apresentação do túmulo e pensam no luxo desde o caixão até o revestimento, o custo pode ser em média de R$ 50 mil ou mais.

Em Três Lagoas existem quatro capelas para atender as famílias enlutadas; uma da prefeitura e três das empresas particulares, como essa da foto onde a sala de espera parece com um saguão de hotel (Foto: Ricardo Ojeda)

Além disso, tem o custo do velório. Se optar para a Capela da empresa funerária, o valor do aluguel pode chegar até R$ 1.200, mas se tiver planos da empresa o desconto pode ser de até 50%. Esse valor varia de uma empresa para outra.

CONVÊNIOS

Planos funerários custam a partir de R$ 48,30 e, além do titular, ter mais nove dependentes inclusos. No caso de quem contrata um plano desses, quando for surpreendido com o falecimento de algum dos incluídos, pode não ter custos ou apenas pagar por serviços extras que não estejam incluídos em sua modalidade de planos. Mas para não ter nenhum tipo de surpresa com custos adicionais, há planos mais “sofisticados”, que custam  podem escolher planos que vão até R$ 69,20 por mês.

CREMAÇÃO

No caso daqueles que escolhem ter seus corpos cremados ao invés de sepultados, a taxa adicional para os associados é de R$ 35 a mais ao mês, além do valor do plano escolhido. Já para os que querem o serviço à parte, o valor é de R$ 2.500 e o procedimento é feito em Araçatuba (SP). Hoje apenas uma funerária conta com esse serviço em Três Lagoas.

SEM PLANO

Para aqueles que não possuem plano funerário, os custos podem assustar. Os caixões custam de R$ 800 a R$ 17 mil. Uma tanatopraxia – técnica de higienização e conservação de corpos – custa R$ 600.

No cemitério municipal de Três Lagoas muitas possuem o túmulo da família (Foto: Ricardo Ojeda)

O túmulo de 2 gavetas tem o custo de R$ 2.800 mil, incluindo as documentações da prefeitura. Entretanto existe a possibilidade de um túmulo social, que é fornecido pela prefeitura para o sepultamento de pessoas consideradas carentes. Nesse caso o corpo fica enterrado por 3 anos e meio. Depois a ossada é retirada e transportada para outro setor, o ossario municipal.

VISUAL

Para aqueles que optam adquirir o terno (masculino) ou blazer (feminino) que inclui também as peças íntimas, algumas funerárias fornecem pelo valor de R$ 180. Outro detalhe importante é com a aparência do corpo. Para isso, as empresas funerárias se esmeram no visual de seus clientes. Barba, manicures e até maquiagens são feitas para que o morto tenha uma apresentação digna na sua despedida.

As floriculturas cobram em média de R$ 200 a R$ 350 cada coroa de flores (Foto: Divulgação)

ÚLTIMA HOMENAGEM

Amigos que queiram prestar sua última homenagem também devem preparar o bolso. As floriculturas cobram em média de R$ 200 a R$ 350 cada coroa de flores – às vezes até mais, caso o cliente deseje fazer uma homenagem daquelas!

Além disso tem uns que investem na parte estética dos túmulos, com arquitetura moderna. Aí o investimento fica mais salgado!  São várias opções em revestimentos: granito (de R$ 4 mil a R$ 20 mil), cerâmica ou porcelanato (R$ 1.500 a R$ 2 mil). Além dos porta-retratos de porcelana, bronze ou alumínio, que custam de R$ 150 a R$ 480.

Assim como diz a letra da música, “Para o mundo que eu quero descer”, de Sílvio Brito: “Tá tudo errado, tá tudo errado! Tem que pagar pra nascer, tem que pagar pra viver, tem que pagar pra morrer”.

Então, é por isso que temos que fazer a vida valer a pena.

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