13/11/2006 17h16 – Atualizado em 13/11/2006 17h16

Em entrevista exclusiva concedida ao Perfil News na manhã desta segunda-feira (13), o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), Orestes Prata Tiberi Júnior, o Orestinho, ela declara que a classe é independente e nunca precisou do Governo. “A única coisa que a gente sempre pediu foi tranqüilidade para trabalhar, ou seja, não viver sob o risco de ter nossas fazendas desapropriadas como está ocorrendo atualmente com o índice de produtividade praticamente impossível de ser cumprido a ser exigido pelo governo”, argumenta.

Além de reclamar da falta de apoio do Governo Federal, o pecuarista falou sobre a necessidade de maiores investimentos no combate à febre aftosa e comentou sobre o Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas, uma das principais razões da existência da ABCZ. Apesar de todas as dificuldades, ele aposta que o Brasil vai sair de mais essa crise. FALTA DE APOIO Mesmo diante de tantas incertezas, Orestinho acredita que o Brasil vai sair de mais essa crise, “principalmente porque temos uma série de vantagens na pecuária em relação a outros paises, como as nossas terras, o clima e a abundância de água”, diz, citando o fato de que o concorrente mais próximo – a Austrália – não ter água e os países da Europa e Estados Unidos enfrentarem problemas como o mal da vaca louca, por exemplo. “Nunca estivemos num momento tão bom para alimentar o mundo, principalmente com o fornecimento de carne, e o governo precisava enxergar isso e dar mais força para a pecuária e agricultura”, pondera. Para ele, uma importante ação do Governo seria o investimento na erradicação da febre aftosa. “A gente sabe que a vacina é eficiente e se o governo erradicar a doença, não vai dar para quem quer”, completa. Segundo ele, outra característica favorável que o Brasil possui é a engorda de boi a pasto, o que é propicio para o gado da raça indiana. “O zebu e o nelore são gados rústicos e nós não temos concorrente para isso, a não ser o Paraguai e a Bolívia que possuem propriedade de pequeno porte”. FEBRE AFTOSA No tocante à febre aftosa, Orestinho se diz muito preocupado com a negligência do Governo, sobretudo, na fronteira seca com o Paraguai, que se auto-intitula livre da doença. “Mas a gente sabe que isso não é verdade”, diz. Um dos caminhos para solucionar o problema apontado pelo pecuarista seria a atuação do recém-criado Grupo Interamericano de Erradicação da Febre Aftosa (Giefa) que sofre com falta de recursos financeiros para atuar em todos os países da América do Sul. A função do grupo é viabilizar parceria entre esses países buscando a erradicação da doença. Para tanto, os americanos ficaram de arrumar R$ 10 milhões. Para Orestinho, os prejuízos que o Estado sofreu recentemente por conta dos casos de febre aftosa poderiam ser minimizados através de investimentos do Governo Federal no setor. Segundo ele, a previsão do Ministério da Agricultura era investir 180 milhões de reais na erradicação da doença em dois anos, montante que foi reduzido para R$ 45 milhões pelo presidente Lula, sem que fosse dada a menor satisfação à classe. Caso tivesse sido cumprida a promessa inicial, o pecuarista diz que a situação estaria muito melhor. Considerando a aftosa um caso de segurança nacional, Orestinho reclama daqueles que procuram complicar o trabalho de erradicação da doença, como os assentados que impedem a atuação dos funcionários do Iagro. “Isso eu considero caso de polícia, onde deveriam ser presas todas as pessoas que não vacinam e nem deixam vacinar”. Por conta disto, ele avalia que os prejuízos são incalculáveis. “Se pudéssemos exportar para os EUA, por exemplo, não precisamos de outro País”, diz, completando que o problema só será solucionado com a imunização do rebanho, já que a vacina é 100% eficaz. MELHOR DO BRASIL Com relação ao rebanho de corte de Mato Grosso do Sul, ele diz que – ao lado de Mato Grosso – é o melhor do Páis em qualidade, com destaque para a região do bolsão. Orestinho comenta também que o Estado tem grandes criadores de gado de elite, dentre os quais, os três-lagoenses Cláudio Totó e Jairo Queiroz Jorge, entre outros que se despontam ano após ano. MELHORAMENTO GENÉTICO Orestinho citou também o trabalho de melhoramento genético que iniciou em parceria com alguns pecuaristas do País quando um de seus filhos viajou até a Índia para adquirir vacas e touros para trazer para o Brasil. Atualmente o trabalho é feito quase que mensalmente por Marcos Moura, que realiza a transferência de embriões que são congelados e depois trazidos para cá. Segundo Orestinho, graças a esse melhoramento genético, “É possível conseguir tudo do zebu, que anteriormente era considerado excepcional o fato de engordar 1kg e 50 por dia, enquanto que hoje é comum engordar 1k e 600g. “Mas isso gera conseqüências negativas, pois o bezerro tem dificuldade para nascer, o animal muito grande come demais e não da acabamento de carcaça”, relata. A solução seria a busca do equilíbrio, já que nunca foi trabalhado o mediano do zebu. “Antes se trabalhava com o baixote, tipo argentino, partindo daí para o pernalta; o meio termo ninguém nunca praticou e foi exatamente o que estabilizou as raças européias que produz um boi mediano, mas muito precoce e com qualidade de carne e é isso que temos de fazer com o zebu”. Apesar de sua evolução, ele diz que a raça européia não representa nenhuma ameaça, uma vez que não sobrevive ao clima do Brasil, a não ser no Rio Grande Sul, por causa do frio. O rebanho nacional tem 80% de zebuínos. Com relação aos seus projetos frente a ABCZ, Orestinho diz que apesar das dificuldade em fazer com que os produtores entendam o que deve ser feito, dentro do possível, tem havido muitos avanços.

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