Canteiro de obras voltou a operar, ainda com contingente reduzido, nesta semana; data de inauguração permanece a mesma

O avanço da pandemia pegou o mundo de surpresa e interrompeu obras e investimentos em todo o planeta. Não foi diferente com Três Lagoas.

Uma das obras que estavam em andamento no primeiro momento da crise sanitária era a da Usina Termelétrica Onça Pintada, da empresa de celulose Eldorado Brasil.

Painel pintado na entrada da obra da Usina Termelétrica Onça Pintada. Fotos: Divulgação

Com um batalhão de cerca de 1500 pessoas trabalhando em seus canteiros, já em fase avançada de obras civis, a administração da Onça se viu obrigada a uma difícil tarefa, cerca de dois meses atrás: avisar às empresas terceirizadas que iria interromper os trabalhos, momentaneamente.

Como a obra atraía motoristas de caminhão e funcionários das empresas parceiras que vinham de várias partes do país, a ideia era impedir a disseminação do novo coronavírus, que já avançava em território nacional.

A preocupação, além da saúde dos funcionários da Onça Pintada, era não trazer o vírus para o contingente de mais de quatro mil colaboradores da fábrica de celulose, que funciona em espaço anexo, é considerada serviço essencial e cujos trabalhos não pararam.

Planejamento interno

Área do canteiro de obras; Usina deve estar em operação já em janeiro de 2021.

Além de interromper os trabalhos com as empresas terceirizadas, alguns funcionários do administrativo da Onça Pintada foram colocados em home office; outros, essenciais, continuaram no canteiro de obras, recebendo materiais já encomendados e deixando tudo organizado para quando o período crítico passasse. A estratégia seguiu a mesma normativa já traçada para a planta de celulose.

No entanto, a pedido da Agência Nacional de Energia Elétrica, os gestores da obra se viram obrigados a retomar os trabalhos. A Usina Termelétrica Onça Pintada vai fornecer energia elétrica para o chamado “linhão”. Assim como todas as usinas produtoras de energia, a Onça também é considerada serviço essencial e de importância nacional.

O retorno

Dessa forma, o canteiro de obras voltou a operar nesta semana. Aos poucos, os terceirizados vão voltando.

Mas aquele exército de 1500 pessoas que estavam, direta e indiretamente, ligados ao canteiro de obras não voltará ao mesmo tempo.

Obras civis estão em estado avançado.

Foi feito um planejamento responsável de retorno. Em um primeiro momento, cerca de 160 pessoas voltarão. Depois, aos poucos e de acordo com a situação sanitária, o contingente deve ser aumentado.

Além disso há uma equipe médica preparada, medindo as temperaturas de todos os que acessam o local; os ônibus que atenderão os funcionários da empresa também estarão dentro das normas, com apenas 50% de poltronas ocupadas, demarcadas e sempre sendo higienizados. Os colaboradores precisarão seguir normas rígidas de higiene e também de isolamento fora do ambiente de trabalho, não podendo comparecer a festas, por exemplo.

“É um momento de muita preocupação com cada colaborador e também com as famílias, portanto estamos seguindo todas as normas e também cobrando que as prestadoras de serviço estejam atentas a cada nova exigência”, afirmou o gerente de Pessoas e Serviços da Eldorado, Alberto Rodolfo Pius.

O cronograma

Apesar da paralisação por quase dois meses, o cronograma de entrega da Usina Onça Pintada está mantido. As obras devem ser concluídas em dezembro e, em janeiro, a Usina Termelétrica de Biomassa Onça Pintada entrará em operação.

A Usina

Obras da Usina Termelétrica Onça Pintada.

O projeto Onça Pintada prevê a geração de energia a partir da biomassa da madeira. Ou seja: a Eldorado reaproveitará o resto do corte do eucalipto que sustenta a indústria de celulose. A biomassa é feita de tocos, raízes, cascas e restos de árvores que não eram aproveitados no campo e que, agora, passarão a gerar energia elétrica.

A usina processará 30 toneladas de biomassa para cada MW/h de energia produzida. “Não tenho dúvidas que será um marco”, afirmou o diretor industrial da Eldorado Brasil, Carlos Monteiro. A usina é a de maior geração de energia do Brasil com essas características: a Onça Pintada deve entregar 50 MegaWatts/hora ao sistema elétrico nacional, conhecido como “linhão”. A partir daí, a Aneel distribuirá a energia de acordo com o necessário para todas as regiões do país

Apesar de ficar no mesmo espaço físico em que está a fábrica da Eldorado, a Usina Onça Pintada não abastecerá a fábrica com energia. Mesmo porque a Eldorado, além de ser auto-suficiente (ela mesma gera a energia que usa) já produz energia suficiente para exportar para o grid nacional outros 50 MW/h.

“É um processo diferente, independente da produção de celulose, que utilizará o que sobra da colheita de eucalipto para a geração de energia verde”, afirmou Monteiro.

A Onça Pintada será a primeira usina de geração de energia a partir de biomassa a produzir essa quantidade de energia. Existem outras, pequenas, produzindo cerca de 5 MW/h.

O investimento para a construção da usina beira os R$ 350 milhões – recursos próprios da Eldorado.

Energia verde, tendência mundial

Usina Termelétrica Onça Pintada. Fotos: Divulgação

Existem várias experiências bem-sucedidas de energia renovável no mundo, e não há mais dúvidas que essa seja uma tendência. Hoje, o mercado trabalha basicamente com três áreas energia limpa: a eólica, a solar e a energia verde, que é o caso da usina de Três Lagoas.

Existem atualmente 271 usinas à biomassa em operação no Brasil, o que representa 12,7 gigawatts em capacidade, segundo dados da CCEE. A maioria, entretanto, funciona à base de bagaço de cana. O potencial representa quase uma usina de Itaipu, que soma 14 gigawatts em potência instalada.

A Eldorado pode estar liderando o processo de energia verde no Brasil. Além da Onça Pintada a empresa já tem o projeto de mais duas usinas – todas no Mato Grosso do Sul. “Temos uma floresta enorme aqui, é uma matéria-prima que está lá e fica no campo apodrecendo. Se você consegue transformar isso em energia você está agregando valor”, afirmou o diretor.

Impacto ambiental

O Imasul definiu a compensação ambiental a ser paga pela Eldorado para a construção da usina termoelétrica em R$ 1,7 milhão. Monteiro afirma que, por melhor que seja o projeto, ele sempre causa um impacto e, por isso, o Governo determina as compensações.

“Todo projeto, por melhor que seja em termos ambientais, ele causa um impacto no local onde ele é implantado. Normalmente são impactos positivos, mas acaba gerando algum transtorno. Os órgãos ambientais avaliam esse tipo de impacto e já tem um valor padronizado. Para esse tipo de projeto a compensação é de R$ 1,7 milhão”.

Uma das obras já executadas como compensação ambiental foi o parquinho da Lagoa Maior.

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