09/03/2012 18h17 – Atualizado em 09/03/2012 18h17

Empreiteira Paranasa é acusada de burlar lei trabalhista em rescisões

Grupo de 356 trabalhadores da construção civil foi dispensado e não tem dinheiro para voltar às suas cidades

Edmir Conceição

Operários que foram trazidos da Bahia, Maranhão, Alagoas, Pernambuco e outras regiões do Nordeste brasileiro para as obras civis do conglomerado de celulose em Três Lagoas se revoltaram na tarde desta sexta-feira ao constatarem o depósito de valores relativos à rescisão.

Com o fim das obras civis no canteiro da Eldorado, a empreiteira Paranasa, dispensou os operários, mas eles reclamam que parte não recebeu um centavo sequer. Há operários que chegaram em janeiro e não foram destacados para nenhum trabalho e agora, sem remuneração, podem ser obrigados a pagar pelo alojamento e alimentação.

Parte dos operários correu para um escritório da empreiteira, no centro da cidade, para buscar informações, mas nenhuma reclamação foi atendida. José Raimundo da Silva, 52 anos, carpinteiro, diz que foi trazido de Pinheiros, no Maranhão. Há dois meses Em Três Lagoas, não foi destacado para nenhuma frente de obra e espera ajuda dos amigos para ir embora, porque a empreiteira diz que ele não tem salário. “Estou aqui há dois meses sem receber nada”, diz.

Observados por policiais militares chamados pelo escritório, os operários protestaram pelo descaso e foram orientados pelos PMs a se organizarem em sindicato ou comissão para encaminharem as reivindicações ou procurar a Justiça do Trabalho e Ministério Público Estadual. Logo em seguida a PM deixou o local, já que não havia risco nenhum de agressão ou tumulto no escritório da empreiteira.

Aleandro Gonçalves, 26 anos, da cidade de Delmiro Gouvêa, em Alagoas, também diz viver a mesma situação de descaso da empreiteira. Jerônimo Caldas, 54, de Muriti, Bahia, e Fabrício Dias da Silva, 18, ajudante, também estão há dois meses em Três Lagoas. ‘Queremos voltar para casa”, insistem. Também de Muriti, na Bahia, Edvaldo Silva Alves, 30 anos, pedreiro, reclama do pagamento de pouco mais de R$ 2 mil de indenização após seis meses de trabalho. “Onde está o FGTS, o aviso prévio”, reclama.

O operário Waldemar dos Santos Dias, 35, do Maranhão, mostra o extrato do Bradesco, onde a empreiteira depositou o saldo de salários e as verbas rescisórias – R$ 2.323,33, após seis meses de trabalho.

OUTRO LADO

A reportagem do Perfil News entrou em contato com os escritórios da empresa em Minas Gerais, São Paulo e em Três Lagoas. As chamadas telefônicas em Minas não foram atendidas, em São Paulo informou-se que o expediente havia se encerrado e em Três Lagoas as ligações não foram atendidas. Em 26 de janeiro a empresa enfrentou greve dos operários, por problemas salariais. A informação dada aos operários é de que não há mais frente de serviço para eles nas obras civis da Eldorado, que agora entram na fase de montagem industrial.

Operários demitidos foram convocados para tratar de rescisões, mas reclamam que empreiteira quer pagar apenas os saldos de salários, sem as verbas rescisórias. (Fotos: Jean Martins)

Empreiteira chama polícia por causa de aglomeração em escritório. Operários foram convocados para acerto.

Policial Militar orienta operários a se organizarem por meio de sindicato ou comissão de tyrabalhadores para reivindicarem direitos na Justiça ou Ministério Público.

Trabalhadores se aglomeraram em frente de escritório da empreiteira nesta sexta-feira à tarde.

Operários veem descaso de empreiteira com situação; praticamente todos foram 'importados' do Nordeste.

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