25/06/2019 17h14

Passada a euforia das ofertas pontuais feitas para bater de frente contra o concorrente de peso os supermercadistas da cidade terão de se adaptar à realidade de ter um gigante em seu encalço

Gisele Berto

Algumas coisas acontecem para mudar o status quo. Para chacoalhar as estruturas. Como diria uma expressão antiga – e vulgar – é o chute na bunda que te empurra para a frente.

E, mais do que apresentar mais opções de produtos, é essa a principal vantagem de ter um Atacadão na cidade: chacoalhar a estrutura.

Os supermercados locais, até agora, nadavam de braçada, sem um concorrente de peso a pelo menos 140km. Com a chegada do Atacadão, voltando aos ditados chulos, a água bateu na bunda.

Os caras são fortes, não dá para negar. Por trás da rede Carrefour estão investidores de peso como empresário Abilio Diniz, ex-dono do Pão de Açúcar, e os grupos franceses Arnault (do bilionário Bernard Arnault) e Motier (da família Moulin, dona da Galeries Lafayette) e do fundo de investimento americano Colony.

Não é uma tarefa fácil competir contra essa gente. Aposto que os empresários donos do Big Mart, Nova Estrela, Proença, Abevê, Thomé, Bom Vizinho e outros suaram frio quando a notícia da chegada da gigante foi anunciada.

Para o comércio local, ter um Atacadão em seu quintal pode ser a sentença de morte – mas só se você for uma estátua. Como o comércio local é vivo e ainda pulsa, os supermercadistas correram para fazer xixi no poste e marcar seu território.

Há quinze dias já pipocavam ofertas em todos os mercados da cidade. Uma estratégia inteligente, porque você tem tempo de fixar os preços promocionais na mente do consumidor e, quando os franceses fincassem bandeira aqui, o cliente olharia para as etiquetas e diria “ei, os preços não são muito diferentes”. Muito melhor do que lançar uma promoção no dia da inauguração do mercadão e bater de frente contra esse muro intransponível.

A estratégia funcionou – nas redes sociais, as pessoas comparavam preços e chegavam à conclusão que, em muitas vezes, não eram tão diferentes assim. E, além disso, o Atacadão não aceita cartões de crédito, nem vale alimentação, nem dá sacola, nem entrega em casa. “Ei! Até que dá para competir”, eu quase ouço daqui.

No entanto, há de se olhar o quadro maior. O dia seguinte. Passada a euforia da inauguração e das ofertas locais – tem supermercado até sorteando barco! – os supermercadistas da cidade terão de se adaptar à realidade de ter um Atacadão no encalço. Eles compram quantidades gigantes e terão condições de oferecer preços muito bons durante todo o ano. E como agirão os empresários daqui? Até onde vai a criatividade e o poder de negociação?

Há uma expressão em inglês que se encaixa no momento: a vinda do Atacadão para a cidade é “win-win”. Em tradução livre, “ganha-ganha”. É o que deve acontecer à cidade e à realidade de compras dos três-lagoenses. Na história do “adapte-se ou morra” os empresários locais devem se adaptar e, com isso, a competitividade trará preços e condições especiais para o dia a dia da cidade.

Parabéns à cidade pelos novos tempos. E que venha o Shopping!

(*) Gisele Berto é jornalista

Ofertas invadiram os supermercados locais para tentar o que parece impossível: competir contra o Atacadão.

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