08/07/2017 16h20

López foi condenado sob a acusação de “incitação à violência” durante protestos contra Maduro em 2014. Concessão foi feita por causa de problemas de saúde, diz Supremo.

Flávio Veras

O líder opositor venezuelano Leopoldo López deixou na manhã deste sábado (8) a prisão militar de Ramo Verde e encontra-se em prisão domiciliar em sua casa em Caracas, informou um de seus advogados na Espanha, Javier Cremades.

“Leopoldo López está em sua casa em Caracas com Lilian (Tintori, sua esposa) e seus filhos. Ainda não está livre, permanece em prisão domiciliar. O tiraram da prisão ao amanhecer”, tuitou Javier Cremades.
López apareceu por trás do muro de sua casa em Caracas para cumprimentar o público que se aglomerou do lado de fora. Ele acenou aos seus apoiadores e beijou uma bandeira venezuelana.

O também opositor político Freddy Guevara leu aos simpatizantes um comunicado em que López diz que continuará sua luta contra o governo do presidente Nicolás Maduro e pede que a “resistência” nas ruas continue.

“Este é um passo em direção à liberdade. Não carrego ressentimentos, nem vou desistir do que acredito. Minha posição contra este regime é firme, assim como minha convicções pela luta por uma paz real, coexistência, mudança e liberdade”, declarou.

Após ler a carta, Guevara declarou que a saída da prisão de López é uma “medida unilateral” do governo e negou qualquer acordo ou participação do político na tomada dessa decisão.

PROBLEMAS DE SAÚDE

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela confirmou a prisão domiciliar, e disse que a concessão foi feita por causa de problemas de saúde de López.

“Em virtude de informação recibida sobre a situação de saúde do dirigente político, o magistrado conferente Maikel Moreno, considerou ajustado a direito outorgar uma medida humanitária a López”, afirma o o comunicado.

O pai do líder político disse que López agora usa uma tornozeleira eletrônica e declarou que a família toda está “muito feliz”. “Isto é uma mudança de rumo que significa muito para todo o país”, disse López Gil.

PESO EM MANIFESTAÇÃO

López, de 46 anos, foi preso há mais de três anos durante os protestos exigindo a renúncia de Maduro, que deixaram 43 mortos entre fevereiro e maio de 2014. Ele foi condenado em 2015 a quase 14 anos de prisão sob a acusação de “incitação à violência”.

(*) Informações com G1.

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