09/08/2017 16h09

Comandada pela maestrina Cidinha Mariano, hoje o grupo conta com 25 músicos de diversas idades, que tocam no grupo de forma voluntária

Flávio Veras

Um toque clássico misturado a cultura da raiz sertaneja. É dessa forma que pode se resumir a Orquestra de Viola Caipira de Três Lagoas, que completou 22 anos de existência em 29 de junho deste ano. O termo clássico, fica por conta de sua maestrina Cidinha Mariano. A musicista, que tem formação em piano clássico se apaixonou pela viola caipira após receber um convite do fundador do grupo, Natalino Soarez, mais conhecido como “João do Carro”.

Hoje a orquestra conta com 25 músicos, sendo que todos eles estudam e tocam de forma voluntária, ou seja, por uma paixão ao cancioneiro popular. Eles se encontram para ensaiar no Centro de Ensino Artístico do Município, que pertence a Cidinha. O local, é nada mais do muito apropriado, pois inspira arte. A cada cômodo vários instrumentos, além disso o local é decorado com diversos artesanatos e objetos que remetem a pujança do intelecto popular. Em breve, o espaço ainda vai contar com uma musicotéca, que terá um vasto acervo com diversas letras e partituras.

Já o local escolhido para a entrevista é uma área ao ar livre, o mesmo utilizado pelos violeiros e cantores em seus ensaios. Repleto de árvores e plantas, ele também remete a origem rural de Três Lagoas e do pantanal sul-mato-grossense.

HISTÓRIA

Durante a entrevista, Cidinha relatou que a primeira apresentação do grupo foi em uma edição da tradicional Festas do Folclore, que por coincidência começará hoje (9) e sua programação vai até domingo (13). Na ocasião, o evento foi promovido pelo então prefeito José Lopes, conhecido como “Lopão”. No entanto, a maestrina lamenta não poder participar da atual festa.

“Não recebemos o convite desta vez, portanto lamentamos muito não marcar presença. Porém, a festa retornou após ficar três anos sem ser realizada e, por isso, esperamos que em outras edições poderemos participar. Essa é a nossa esperança, pois a confraternização é importante para nós, porque foi onde começamos”, idealizou.

Depois dessa primeira apresentação surgiram diversos convites. O grupo se apresentou pelo Mato Grosso do Sul e diversos estados vizinhos. “Abrimos show do Almir Sater e de outros artistas de renome do nosso meio artístico. Chegamos até tocar na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, que há muito tempo promove o maior rodeio da América Latina. Porém, hoje não temos essa estrutura, porque perdemos incentivos tanto os públicos quanto os privados, ou seja, sozinhos não conseguimos desenvolver todo o nosso potencial”, explicou.

E complementou, “Nós recebemos por 13 anos incentivo da prefeitura, por exemplo. Eu acredito que é um dever desses órgãos incentivar a cultura popular, como os grupos musicais, Folias de Reis, entre outros. Nós representamos nossa história, sem esses movimentos artísticos, nosso povo não saberá sobre sua origem e, consequentemente, sua identidade”.

Ao ser questionada qual a importância desse grupo em sua vida, ela respondeu que ele representa tudo. “Hoje estou de corpo e alma no projeto, sem ele nem sei o que seria de mim. Ensaiar, tocar e coordenar pessoas apaixonadas pela música caipira de todas as idades, é um incentivo a mais para continuar lutando pela nossa arte. Além disso, é uma responsabilidade muito grande da minha parte, pois lido diariamente com sonhos de diversos músicos, principalmente os mais novos que veem na música uma perspectiva de vida, ao contrário de nós, um pouquinho mais velhos, que não tivemos essa oportunidade”, revelou.

INOVAÇÃO

Para atrair músicos e o público mais jovens, a orquestra decidiu inovar em seu repertório; que por sinal conta com aproximadamente 200 músicas. “Nós começamos pegar obras de compositores de outros estilos, como por exemplo Raul Seixas, Secos e Molhados, entre outros. Estamos abrindo nosso reportório, pois a cultura precisa de inovação e está em constante transformação”, explicou.

PROJETOS

De acordo com Cidinha, agora o grupo montou uma associação para formalizar-se. A ideia é buscar recursos públicos dos Governo Municipal, Estadual e Federal, como por exemplo a Lei Rouanet. “Coma formalização poderemos receber doações de empresas e verbas públicas, pois o nosso próximo passo é tentar elevar o patamar do projeto remunerando nossos músicos. Além disso, queremos fazer diversos shows e voltar a ser o que éramos no começo da nossa trajetória”, idealizou.

Antes de encerrar a entrevista a maestrina fez questão de enfatizar a importância da cultura em um país. “Nada melhor que as tradições para preparar a alma brasileira. Essa frase, sintetiza tudo o que eu disse durante toda a entrevista”, finalizou.

A maestrina da orquestra Cidinha Mariano, conversou com a reportagem do Perfil News e falou sobre atual situação do grupo. (Foto; Flávio Veras / Perfil News)

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