12/04/2003 07h50 – Atualizado em 12/04/2003 07h50
Os Estados Unidos afirmaram que estão tomando as medidas necessárias para restabelecer a lei e a ordem em Bagdá, após uma onda de saques e desordem nas ruas da capital iraquiana.
O Departamento de Estado afirmou que 1,2 mil policiais e especialistas em assuntos judiciais serão enviados ao Iraque para auxiliar na formação de uma nova força policial.
As tropas americanas em Bagdá também pediram que os policiais da capital iraquiana voltem a trabalhar.
“Nós estamos tentando fazer a polícia de Bagdá voltar a funcionar e fazer o seu trabalho”, disse o coronel Peter Zarcone em entrevista à BBC.
Imprensa
Em meio ao anúncio das medidas, o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, criticou a cobertura da imprensa e disse que os meios de comunicação exageram ao descrever os saques e a violência no Iraque.
Rumsfeld afirmou que ninguém aprova os saques e admitiu que as tropas americanas têm a obrigação de ajudar a garantir a segurança no país.
No entanto, o secretário americano disse que o sentimento dos iraquianos, após “décadas de repressão”, não foi compreendido.
De acordo com Rumsfeld, os iraquianos passaram a ter acesso à liberdade e “pessoas livres são livres para cometer erros.
Hospitais sem funcionar
Na sexta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou que o sistema de assistência médica no Iraque tem tudo o que é preciso, mas não está funcionando devido aos saques e ao caos registrados nas cidades iraquianas após a ocupação americana.
Funcionários de hospitais no Iraque começaram a andar armados para se proteger, e alguns civis armados se ofereceram para proteger um hospital em Cidade Saddam, uma área de maioria xiita nos subúrbios de Bagdá.
A cidade de Mosul, no norte do Iraque, também foi cenário de uma série de saques, incluindo o roubo de ambulâncias e assaltos em prédios do governo e bancos.
Em Basra, a segunda maior cidade do país, tropas britânicas mataram cinco iraquianos que tentavam assaltar um banco e abriram fogo contra os soldados que estavam na região.
Kirkuk
Enquanto as tropas americanas e britânicas tentam conter os tumultos nas cidades ocupadas, as forças curdas que invadiram Kirkuk, no norte do Iraque, afirmaram que começaram a se retirar da cidade.
Um correspondente da BBC na região, no entanto, disse que os indícios de uma retirada das forças curdas de Kirkuk ainda são muito pouco consistentes.
De acordo com Barham Saleh, uma das lideranças curdas na cidade, a retirada vai terminar apenas quando Kirkuk receber um número suficiente de tropas americanas para garantir a segurança na região.
O governo dos Estados Unidos prometeu à Turquia que não vai permitir que as forças curdas controlem a cidade de Kirkuk, em uma resposta aos temores das autoridades turcas de que a ocupação da cidade pudesse abrir caminho para a criação de um Estado curdo independente.