11/09/2003 16h10 – Atualizado em 11/09/2003 16h10
O Ministério Público pediu a prisão preventiva do presidente da Assembléia Legislativa, José Riva, do deputado Humberto Bosaipo, de João Arcanjo Ribeiro, de 7 funcionários da Assembléia e de dois contadores. Os 12 são acusados de usar empresas fantasmas para desviar dinheiro público.
“Como eles queriam o dinheiro, precisavam criar uma justificativa para o saque. Essa justificativa era a emissão de cheques para empresas inexistentes”, afirmou o promotor Roberto Turim. Ainda de acordo com o promotor, a denúncia criminal busca a condenação penal pela prática de desvio de dinheiro público e formação de quadrilha.
Os promotores investigaram as empresas que receberam cheques da Assembléia no ano 2000 e descobriram que 46 delas só existiam no papel. Os donos dessas empresas também não existiam, eram fantasmas criados com documentos falsificados. Entre os fornecedores da Assembléia havia um homem que já estava morto.
Lucas Marques Gomes está enterrado no cemitério de Várzea Grande. Contratos mostram que ele era dono de empresas que receberam quase R$ 500 mil dos cofres públicos. Mas quando as empresas foram abertas, em setembro de 1999, Lucas já estava morto há um mês. As assinaturas nas atas e no cheques endossados para a Assembléia não são dele. O Ministério Público agora quer saber com quem ficou o dinheiro desviado. Foi encontrado um cheque de R$ 40 mil, emitido para fornecedor fantasma, depositado na conta do deputado Humberto Bosaipo, e dinheiro público nas contas de Guilherme Garcia, diretor financeiro da Assembléia.
O deputado Humberto Bosaipo não foi encontrado para falar sobre a denúncia do Ministério Público. José Riva se defendeu dizendo que o 1° secretário e o presidente apenas assinam o pagamento e que vai ser instaurado procedimento para verificar as denúncias porque as vendas do ano de 2000 foram realizadas por processo licitatório. Ele afirmou que é lógico que os deputados não saibam para quem e como foi vendido.
Esquema
Com os novos documentos, o Ministério Público acredita ter desvendado o esquema montado para desviar dinheiro público de Mato Grosso. De acordo com os promotores, emissários da Assembléia levavam até uma factoring de João Arcanjo um lote de cheques emitidos para fornecedores fantasmas. Na factoring recebiam em troca um cheque da empresa, no mesmo valor, que depois era descontado em um banco comercial. Relatórios do Banco Central mostram que R$ 65 milhões da Assembléia passaram pelas empresas de Arcanjo.
Fonte:RMT online