10/07/2003 09h12 – Atualizado em 10/07/2003 09h12
A deflação registrada nos índices divulgados nos últimos dois dias confirmou o controle dos preços e abriu espaço para uma queda mais ousada da taxa básica de juros da economia (Selic). Nos dias 22 e 23, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne mais uma vez para definir o futuro da taxa. Com os resultados da inflação, os bancos começaram a rever suas projeções e já há quem aposte em uma queda de até 2 pontos percentuais da Selic, atualmente em 26% ao ano. A Selic só foi reduzida uma vez no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no mês passado.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado nas metas do governo, recuou 0,15% no mês passado, no primeiro resultado negativo desde novembro de 1998. Já o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou deflação de -0,70% em junho, a maior dos últimos oito anos. A primeira prévia do Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) de julho, divulgada na véspera, mostrou queda de 0,17% nos preços.
De acordo com Marcelo Schmitt, do banco Lloyds TSB, a queda da inflação justificaria a redução da taxa básica de juro em até 1,5 ponto percentual. A previsão é a mesma no banco suíço UBS, um dos maioress do mundo. O UBS está apostando em um corte entre 1 ponto percentual e 1,5 ponto percentual . Em seu último relatório, a expectativa era de uma queda mais modesta da taxa: entre 0,75 e 1 ponto percentual.
Credibilidade – Embora não tenha ainda uma previsão definitiva, Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, também estima que a queda da Selic ficará entre 1 ponto e 1,5 ponto percentual, com a posterior diminuição do depósito compulsório na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), marcada para o dia 31.
Segundo Barros, a deflação de 0,15% apurada pelo IPCA de junho respaldou o conservadorismo do Banco Central nas últimas reuniões do Copom, deixando o BC “em um de seus melhores momentos de credibilidade”.
Já o economista-chefe da consultoria Global Invest, Marcelo de Ávila, acredita em corte de até 2 pontos percentuais. Ávila discorda de Barros e considera que foi exagerada a política monetária adotada pelo BC.
- Há facilmente espaço para uma queda de 2 pontos. Todos os índices estão apontando deflação – afirmou.
Mais conservador, o coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, defende um corte mais cauteloso, de apenas 0,5 ponto percentual. O economista, que coordena a apuração dos IGPs, disse que o corte tem que ser gradual porque o núcleo da inflação vem desacelerando menos que os índices cheios.
- Mais do que 1 ponto seria muita ousadia – disse Quadros.
O núcleo da inflação, que expurga as maiores altas e maiores baixas, recuou de 1,05% para 0,74%. Foi uma boa queda, diz Quadros, mas o percentual ainda está muito distante do IGP-DI, que registrou deflação de – 0,70%, e também distante do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que ficou em – 0,16% em junho.
- Essa distância mostra que os preços de alguns produtos tiveram quedas expressivas, mas a maioria (cerca de 60%) vem caindo mais lentamente. Por isso é recomendável que a baixa dos juros seja gradativa até se chegar aos 20% planejados para dezembro. Se o corte for de 2% ou 3% de uma vez, há o risco de o Copom ter que voltar a subir a Selic mais à frente.
Luiz Roberto Cunha, da PUC-RJ e diretor do Instituto Fecomercio, recusa-se a especular sobre o próximo movimento do Copom, mas analisa que os juros básicos poderão chegar a 20% no fim do ano e a 15% em dezembro de 2004.
Fonte: Globo News


