07/05/2003 14h08 – Atualizado em 07/05/2003 14h08
RIO DE JANEIRO (CNN) — O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, admitiu nesta quarta-feira, em entrevista a uma emissora de rádio carioca, que o estado passa por um momento de “descontrole”, mas pediu que a população tenha paciência e compreensão para esperar os resultados da política do governo de combate à violência.
A entrevista à rádio CBN foi concedida 12 horas após a capital fluminense ter sido assolada por novos atos criminosos, que resultaram no fechamento de duas vias expressas, a Avenida Brasil e a Linha Amarela.
“Há uma situação de descontrole”, declarou o secretário. “Tentar negar isso é tentar negar a realidade”.
Empossado há 10 dias por sua esposa, a governadora Rosinha Matheus, como um recurso derradeiro contra a pior onda de violência já verificada no estado, Garotinho ressaltou que não será da noite para o dia que o combate ao crime organizado surtirá efeito.
“Não existe uma solução para esta questão em uma semana, em um mês, em dois meses”, observou.
Garotinho fez um apelo para que todos os setores da sociedade participem da luta contra a violência.
“Esta é uma situação grave, que requer humildade de todas as pessoas, que requer união de todas as pessoas”, disse, na entrevista à CBN. “Não há possibilidade de vencermos esta situação se estivermos separados”.
“Este é o maior desafio da minha vida, que requer equilíbrio, responsabilidade e união de todos”, acrescentou.
No final da noite de terça-feira, um tiroteio entre quadrilhas rivais de traficantes nas proximidades do complexo de favelas da Maré provocou a interdição da Avenida Brasil, a principal via de acesso ao Rio de Janeiro, e da Linha Amarela, que liga as zonas norte e oeste da cidade, por uma hora.
Na véspera, em outra madrugada de violência na cidade, nove pessoas morreram em diversos incidentes. No mais grave, traficantes dispararam contra o campus da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, zona norte, atingindo a estudante Luciana Novaes na cabeça.
O estado de Luciana, nesta quarta-feira, permanecia crítico. Os médicos do Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, induziram a universitária ao coma e pretendem submetê-la a uma cirurgia na quinta-feira, para a remoção da bala que se alojou em sua coluna.
Luciana, de 19 anos, respira com o auxílio de aparelhos e não apresenta qualquer sinal de atividade motora.