30/04/2003 09h28 – Atualizado em 30/04/2003 09h28
Os juros cobrados pelos bancos nos empréstimos concedidos a pessoas físicas atingiram o nível mais alto em mais de três anos, de acordo com levantamento feito pelo Banco Central. No mês passado, a taxa média chegou a 87,3% ao ano, a mais elevada desde dezembro de 1999. No cheque especial, os juros chegaram a 177,9% ao ano, os mais altos desde abril de 1999. No crédito pessoal, a taxa chegou a 100,6% ao ano.
A taxa cobrada das empresas passou de 37,4% ao ano para 37,9% ao ano – a mais alta desde que o BC passou a fazer essa pesquisa, em junho de 2000. No caso da conta garantida – uma espécie de cheque especial para empresas –, os juros passaram de 77,5% ao ano para 79,9% ao ano. Foi o sexto mês seguido em que os juros apresentaram alta.
A diferença entre o que os bancos pagam de juros e o que eles cobram dos clientes, o spread, chegou a 33 pontos porcentuais em março, o maior nível médio desde junho de 2000, quando o governo começou a acompanhar o indicador. Para pessoas físicas, o spread subiu em março para 59,9 pontos porcentuais, também o maior nível desde o início da contagem.
Segundo o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, os bancos estão mais conservadores ao conceder empréstimos, principalmente por causa do aumento da inadimplência característico dos primeiros meses do ano, quando se acumulam pagamentos das compras de Natal, impostos e outros gastos anuais para as famílias. “A redução da massa real de salário resultou em maior utilização do crédito rotativo pelas famílias, assim como na elevação da inadimplência”, diz nota divulgada ontem pelo BC. O chefe do Depec aconselha as pessoas endividadas no cheque especial a trocar a dívida por um empréstimo pessoal, “que é mais barato”.
No entanto, na comparação do mês de março em relação ao mesmo período de 2002, o spread subiu muito mais que a inadimplência. Enquanto a inadimplência da pessoa física passou de 15,4% do total de empréstimos em março de 2002 para 15,7% no mês passado, o spread para esses clientes aumentou 6,5 pontos porcentuais no período, de 53,4 para 59,9 pontos porcentuais. Ou seja, o nível de inadimplência da pessoa física subiu 2% de março de 2002 até o mês passado, enquanto o spread estava em março 12,2% maior que os 53,4 pontos registrados no mesmo período de 2002.
Folha On line (DP)