07/02/2003 15h37 – Atualizado em 07/02/2003 15h37
SAN FRANCISCO, EUA – Um estudo inovador apresentado por um médico norte-americano da Carolina do Norte mostrou que a progesterona evitou a ocorrência de partos prematuros num número surpreendentemente alto de gestões de alto risco.
Segundo os obstetras, a descoberta pode ser uma nova solução para o preocupante aumento na incidência de partos prematuros verificada nas duas últimas décadas.
“A evidência da eficácia desse tratamento foi tão dramática que a pesquisa foi interrompida mais cedo”, disse o principal autor do estudo, Dr. Paul Meis, do Centro Médico Batista da Universidade de Wake Forest.
A progesterona é um hormônio naturalmente produzido pelos ovários. Ele suaviza o revestimento do útero, transformando-o num leito esponjoso para o óvulo fertilizado.
Injeções semanais do hormônio reduziram a chance de partos prematuros em 34 por cento das 306 mulheres que receberam o tratamento, segundo o estudo.
Outras 153 mulheres receberam injeções de placebo. Todas elas haviam anteriormente dado à luz prematuramente, o que é a melhor indicação do risco.
O estudo foi realizado nos 19 centros que compreendem a Rede de Unidades de Medicina Materno-Fetal do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. O Dr. Méis apresentou os resultados em San Francisco, no encontro anual da Sociedade de Medicina Materno- Fetal.
“Os resultados são tão bons que é surpreendente”, disse o Dr. Frederic Frigoletto, chefe de obstetrícia no Hospital Geral de Massachusetts, em Boston. “Nenhuma intervenção que fizemos havia tido algum efeito mensurável. Essa é a boa notícia”.
Os médicos prescreveram a progesterona durante anos para ajudar mulheres inférteis e na menopausa.
O Dr. Meis disse que a progesterona fora anteriormente experimentada como um tratamento preventivo contra partos prematuros nos anos 1960 e 1970, mas ninguém completou um estudo sério sobre o assunto.
“Acho que isso vai despertar as pessoas para uma antiga idéia que de certa forma escapuliu”, disse o Dr. Alan DeCherney, que dirige o Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
O Dr. Emile Papiernik, um obstetra francês, realizou um pequeno estudo com a progesterona em 1970 que se mostrou promissor.
Mas ele disse que não conseguiu atrair o interesse da indústria farmacêutica nem de agências governamentais para que financiassem uma experiência mais abrangente.
Problema crescente
Em 2001, cerca de 476 mil bebês nasceram antes do tempo nos Estados Unidos – um aumento de 27 por cento desde 1981, segundo a March of Dimes, organização de caridade que promove pesquisas para evitar nascimentos prematuros, defeitos de nascença e doenças genéticas.
No ano passado, um em cada oito bebês nasceu antes da 37ª semana de gestação – o período mínimo para que uma gravidez seja considerada a termo.
“O problema é grande”, disse a Dra. Nancy S. Green, pediatra de Nova York e diretora médica da March of Dimes.
Na semana passada, ela anunciou o programa de cinco anos da organização para reduzir os partos prematuros, que tem uma verba de 75 milhões de dólares.
Bebês nascidos prematuramente correm maior risco de apresentar problemas neurológicos, auditivos e comportamentais.
Em 2000, o custo médio para um hospital de um bebê prematuro foi de 58 mil dólares, contra 4,3 mil dólares de uma criança nascida a termo, segundo a March of Dimes.
Em parte, o aumento nos nascimentos prematuros pode ser atribuído ao fato de um maior número de mulheres mais velhas estar dando à luz e também à explosão do problema da obesidade nos Estados Unidos, segundo a Dra. Green.
Mas a metade dos partos que ocorrem antes do tempo não tem causas conhecidas, de acordo com a médica.
A March of Dimes disse que as mulheres negras dão à luz prematuramente a uma taxa desproporcionalmente alta: 17,5 por cento de todos os partos de mães negras no ano passado foram prematuros.
A média nacional foi de 11,9 por cento.
O Dr. Frederic Frigoletto disse que este alto índice foi muito estudado, mas sem que se chegasse a conclusões científicas definitivas.
No estudo do Dr. Meis, 59 por cento das mulheres eram negras. Os pesquisadores concluíram que a raça não influi na eficácia do hormônio.
Fonte: Associated Press