21/10/2002 09h48 – Atualizado em 21/10/2002 09h48
SÃO PAULO – O dólar comercial opera em leve alta ao final da primeira hora de negociação no mercado interbancário. Às 10h18m, a moeda americana era cotada a R$ 3,870 na compra e R$ 3,875 na venda, com alta de 0,12%. O volume de negócios é reduzido e deve se intensificar na próxima hora. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta moderada, dando continuidade ao movimento da semana passada. Às 10h27m, o Índice Bovespa tinha 9.086 pontos, com recuo 0,70%. O volume financeiro era de R$ 7,6 milhões.
Telemar PN, ação mais negociada da bolsa, tem alta de 0,04%. Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, as maiores altas são de Telesp PN (+2,6%) e Inepar PN (+1,5%).
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar para novembro está em R$ 3,865, com alta de 1,17%.
Risco – O principal índice de percepção do risco Brasil registra alta nesta manhã e volta a superar os dois mil pontos. Segundo o Banco JP Morgan Chase, às 10h05m, o EMBI+ brasileiro apontava avanço de 2,09% frente ao fechamento de sexta-feira (1.965 pontos). O indicador agora atinge 2.006 pontos.
O principal título da dívida externa brasileira, porém, apresenta alta. O C-Bond avança 1,07% e é negociado nos mercados internacionais a 53,44% de seu valor de face.
Expectativas – Na reta final das eleições presidenciais, o mercado financeiro tem uma semana de expectativas. Além das especulações em torno do segundo turno da eleição, os investidores estarão atentos à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e ao vencimento de uma dívida pública cambial de US$ 1,1 bilhão.
O Copom se reúne amanhã e na quarta-feira para decidir sobre a taxa básica de juros da economia, a Selic. Em reunião extraordinária, na última segunda-feira, o comitê elevou a Selic de 18% para 21% ao ano. A decisão repentina gerou polêmica e criou no mercado a insegurança quanto à possibilidade de um novo aumento da taxa.
Mas as apostas em uma alta diminuíram significativamente depois da divulgação da ata da reunião, na qual o BC explica que a decisão teve por objetivo conter a pressão inflacionária, e não as cotações do dólar. As taxas de juros futuras negociadas na BM&F explodiram depois da alta dos juros, mas se estabilizaram dois dias depois. O Depósito Interfinanceiro (DI), de novembro, que projeta os juros de outubro, fechou em 21,80% ao ano na sexta-feira.
Leilão – Da dívida de US$ 1,1 bilhão que vence na quarta-feira, o Banco Central pode rolar a metade hoje, no leilão de contratos de swap cambial que realiza das 12h às 13h. São 10.500 contratos de swap cambial com vencimento em 2 de dezembro deste ano, portanto, de curtíssimo prazo. O vencimento é bem menor que os US$ 3,6 bilhões que venceram na semana passada e deve causar menor volatilidade no mercado.
Além disso, o mercado já se ajusta nesta semana ao pacote de medidas do BC para conter a escalada do dólar. Desde o dia 17 que os bancos só podem expor ao câmbio até 30% do seu patrimônio, metade do previsto anteriormente. A partir de hoje, começam a ser elevados os depósitos compulsórios dos bancos, medida que busca retirar R$ 14 bilhões da economia.
O cenário eleitoral continuará como pano de fundo nos negócios no mercado financeiro, influenciando investidores nacionais e estrangeiros. A pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana confirmou o favoritismo do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que subiu de 58% para 61% das intenções de voto, contra 32% do tucano José Serra, que apresentou estabilidade em relação à pesquisa anterior.
Analistas se dividem na hora de avaliar se o mercado já precificou uma eventual vitória da oposição, mas a maioria acredita que sim. Na semana passada, o mercado reagiu bem a declarações da coordenação da campanha petista, que reafirmou compromissos do partido com metas de superávit. Isso não significa que a volatilidade estará afastada nesta semana, uma vez que as atenções se voltam ao anúncio da equipe de transição de governo e, posteriormente, de nomes definitivos em um eventual governo Lula.
- O fato de o PT ter mostrado um discurso mais conciliador foi bem recebido, mas não significa que o cenário de incertezas se dissipou. Creio que o mercado já precificou o document.write Chr(39)efeito Luladocument.write Chr(39), e por isso mesmo o momento ainda é delicado, já que é suscetível a ajustes e movimentos em bloco – disse na sexta-feira Fábio Faria, diretor de fundos do banco Credit Lyonnais.
Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o destaque hoje é o vencimento do mercado de opções. A surpreendente alta de 6,34% da bolsa na quinta-feira chegou a gerar uma movimentação em torno do vencimento, já que alguns investidores que apostavam na venda foram surpreendidos e tiveram de ajustar posições. Mesmo assim, a expectativa é de que o vencimento seja tranqüilo.
Fonte: GloboNews / Valor Online