18/10/2002 14h55 – Atualizado em 18/10/2002 14h55
BOSTON, EUA – A cirurgia conservadora para retirada de tumores malignos de mama pode ser tão eficaz quanto a mastectomia radical. A conclusão é de uma pesquisa que acompanhou durante 20 anos mulheres com câncer no seio.
A Dra. Mônica Morrow, especialista da Universidade Northwestern, disse que as descobertas deveriam convencer “até o mais determinado dos céticos”.
“É hora de declarar encerrado o caso contra a terapia conservadora”, proclamou a especialista, em artigo publicado nesta quinta-feira, com dois estudos, em The New England Journal of Medicine.
Os estudos – um italiano e um norte-americano – mostraram taxas de mortes semelhantes após 20 anos para grandes grupos de mulheres que passaram por mastectomias ou por cirurgias conservadoras.
A mastectomia – a remoção total do seio – foi a principal opção durante a maior parte do século XX.
Nos anos 1980, com base nos primeiros dados desses dois estudos, muitos médicos começaram a suspeitar que em mulheres cujos tumores não haviam se espalhado, a mastectomia não era melhor do que a simples retirada do tecido doente.
Os dois estudos mudaram a forma como muitos cirurgiões tratavam o câncer de mama.
No fim dos anos 1980, o procedimento menos agressivo foi amplamente aceito em pé de igualdade com a mastectomia para o câncer que não apresentava metástase.
Mesmo assim, a cirurgia conservadora nem sempre é oferecida para as mulheres que são candidatas em potencial à cirurgia. Os pesquisadores por trás das últimas descobertas esperam mudar isso.
Pesquisadores do Instituto Europeu de Oncologia, em Milão, dividiram 701 mulheres em dois grupos: um sofreu mastectomias, o outro foi submetido à cirurgia conservadora, seguida de tratamento com radiação.
No final, cerca de um quarto de cada grupo morreu de câncer de mama ao longo de 20 anos.
O estudo norte-americano, com 1.851 mulheres, apoiado pelo governo e realizado pela Universidade de Pittsburgh, também encontrou pequenas diferenças nos índices de sobrevivência entre dois grupos similares.
Um terceiro grupo de mulheres que passou pela cirurgia conservadora sem radiação também sobreviveu tão bem quanto as demais – embora tenham desenvolvido recidiva da doença com mais freqüência do que as mulheres que receberam radiação.
Cerca de 90 por cento das mulheres no estágio 1 da doença – o primeiro – são candidatas razoáveis à cirurgia conservadora, segundo a Dra. Morrow.
Mesmo assim, somente 68 por cento delas escolheram este tipo de abordagem numa pesquisa de 1998, feita pelo American College of Surgeons.
O principal autor do estudo de Pittsburgh, Dr. Bernard Fisher, disse que muitas mulheres que poderiam ter sido submetidas a uma cirurgia conservadora optaram pela mastectomia, baseadas na teoria de que tirando o seio não teriam mais problemas.
Mas Fischer disse que as provas mostram claramente que elas não tiveram vantagem em termos de sobrevivência.
Fonte: Associated Press