17/10/2002 08h32 – Atualizado em 17/10/2002 08h32
WASHINGTON – Um novo relatório da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – alerta que os esforços visando a reduzir a fome no mundo diminuíram e que nos últimos oito anos a situação piorou em alguns países.
O relatório diz que sete países juntos – China, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Nigéria, Gana e Peru – reduziram a fome de cerca de 100 milhões de pessoas entre 1992 e 2000. Mas outras 96 milhões de pessoas tornaram-se vítimas da fome em 47 países durante o mesmo período, por razões que vão da guerra à seca e ao crescimento populacional.
“Infelizmente, não tenho boas notícias para relatar”, disse Charles Riemenschneider, diretor da FAO para a América do Norte, ao citar estatísticas do relatório.
O dirigente destacou que os países da África subsaariana continuam a ter números altos de pessoas com fome.
“Muito do aumento aconteceu na África Central, causado pelo colapso de uma guerra crônica de um único país, o Congo, onde o número de pessoas desnutridas triplicou”, diz o relatório.
Das 840 milhões de pessoas famintas em todo o planeta, 36,4 milhões são cidadãos do Congo, segundo a FAO. Em comparação, a China – incluindo Formosa – aliviou a fome de 74 milhões de pessoas.
Riemenschneider disse que parte do problema é que os países não estão melhorando as estradas ou investindo em programas agrários que poderiam combater a fome.
“Nos países onde as pessoas são mais famintas, infelizmente o investimento em desenvolvimento rural e da agricultura é mínimo”, explicou. “A pobreza é, em última instância, a causa da fome”.
As doações de alimentos feitas por países desenvolvidos caíram, contribuindo para a crise de comida em países que sofrem com secas e governos instáveis ao mesmo tempo, explicou Riemenschneider.
“Acho que em muitos países, quando eles começam a sair da primeira página dos jornais, os doadores tendem a diminuir”, disse.
Enquanto a produção agrícola biotecnológica poderia ajudar a reduzir a fome, um editor do relatório, Andrew Marx, disse que as empresas estão produzindo essas colheitas para fins industriais, em vez de trabalharem naquelas que pudessem sobreviver a um solo pobre e a um clima inóspito em países necessitados.
Países presentes à Cúpula Mundial da Fome, em 1996, estabeleceram uma meta de reduzir à metade a população faminta até 2015. A FAO disse que novas estimativas, porém, indicam que os países precisam aumentar seus esforços para encher os estômagos vazios do mundo antes disso.
“A fim de atingir o objetivo a tempo, temos que lutar agora para reduzir o número de pessoas famintas a 24 milhões a cada ano, até 2015”, diz o relatório da FAO.
Esse ritmo é quase 10 vezes mais rápido do que o índice em que a fome foi reduzida de 1992 a 2000.
Estudos mostram que a economia melhora quando a fome e a desnutrição são tratadas, acrescenta o relatório, o que encoraja o desenvolvimento agrário a aumentar a produção de alimentos em todo o planeta.
Fonte: Associated Press