09/10/2002 14h46 – Atualizado em 09/10/2002 14h46
Mais um candidato derrotado no primeiro turno das eleições presidenciais anunciou, nesta quarta-feira, que apoiará Luiz Inácio Lula da Silva na reta final para a corrida à sucessão de Fernando Henrique Cardoso. Ainda que com ressalvas, Anthony Garotinho afirmou sua disposição de colaborar com o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT).
“Lula vai fazer a campanha dele e nós, a nossa”, disse Garotinho. “Vamos organizar os nossos comícios, os nossos eventos, mas sem a turma do PT aqui do Rio”.
Com o reforço de Garotinho, Lula traz para sua campanha no segundo turno contra José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), dois candidatos que conseguiram, no último domingo, mais de 25 milhões de votos. É mais do que a votação recebida por Serra.
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Na terça-feira, foi a vez de Ciro Gomes, do Partido Popular Socialista (PPS), anunciar seu apoio “irrestrito e entusiasta” a Lula.
A agremiação política de Garotinho, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), só deverá oficializar o apoio a Lula nesta quinta-feira, após uma reunião de sua Executiva Nacional.
Entretanto, após uma reunião informal nesta quarta-feira com Garotinho na casa do ex-governador do Rio de Janeiro, o presidente nacional do partido, Miguel Arraes, antecipou que estava do lado de Lula em virtude das semelhanças entre o PSB e o PT no combate às políticas do atual governo, do qual Serra fez parte como ministro da Saúde e também do Planejamento.
Ao ressalvar que não subirá em palanques junto com petistas cariocas, Garotinho explicitou suas divergências com a atual governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva.
Benedita assumiu o cargo depois que Garotinho se desincompatibilizou para disputar as eleições presidenciais e logo denunciou seu antecessor e ex-aliado por dívidas e rombos nos cofres públicos.
Garotinho esclareceu que, apesar das divergências com o PT no Rio, não poderia ficar neutro no segundo turno.
“Nunca fiquei em cima do muro”, afirmou.
Ainda nesta quarta-feira, Miguel Arraes se encontrará com o presidente nacional do PT, José Dirceu, para discutir pontos coincidentes e divergentes na doutrina dos dois partidos, especialmente no que diz respeito ao recente acordo firmado pelo Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo Garotinho, Arraes tentará convencer o PT a adequar seu programa de governo ao do PSB, mas sem que isso seja uma exigência para o apoio a Lula no segundo turno.
Fonte: CNN