15/04/2015 08h43 – Atualizado em 15/04/2015 08h43

O presidente Luciano Coutinho, durante 6 horas, explicou aos parlamentares o funcionamento e os investimentos do banco no Brasil e no exterior

Assessoria

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), Delcídio do Amaral (PT/MS), avalia como “muita boa” a audiência pública promovida ontem (14) pela CAE, com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que, durante 6 horas, explicou aos parlamentares o funcionamento e os investimentos do banco no Brasil e no exterior.

“Luciano Coutinho é muito competente, conhece o assunto com profundidade, tem uma didática extraordinária, explicou ponto a ponto e respondeu a todas as perguntas dos senadores . Isso é muito positivo, porque enquanto fica aquele zum-zum de CPI, a gente traz o Luciano aqui e vê com absoluta tranquilidade a clareza e a segurança que ele tem, falando sobre o papel do BNDES no desenvolvimento do país e, ao mesmo tempo, mostrando os resultados do banco. Com isso, se desfez aquela ideia de que o BNDES só financia projetos com dinheiro do Tesouro, quando , na verdade, o banco, através do BNDES-PAR, faturou nos últimos oito anos mais de R$ 40 bilhões em função da participação acionária em várias empresas”, comentou Delcídio.

Luciano Coutinho falou também sobre os recursos destinados a financiar empresas brasileiras que realizam obras e fornecem equipamentos no exterior.

“Esse ponto, que sempre despertou muita polêmica, também foi esclarecido. Ficou claro que nós vamos ter que evoluir um pouco mais esse assunto , junto com a Comissão de Relações Exteriores do Senado, por sugestão do próprio Luciano Coutinho, e verificar o que efetivamente é confidencial no que diz respeito a disputas comerciais lá fora e o que é que pode se tornar público no que se refere às operações do BNDES com empresas brasileiras que operam no exterior”, ponderou o presidente da CAE.

Petrobras

Delcídio revelou que a visita do presidente da Petrobras, Aldemir Bandini, a CAE, que estava prevista para a semana que vem, terá que ser adiada.

“Nós não vamos receber mais o presidente da Petrobras porque foi marcada para o dia 22 a reunião do Conselho de Administração , onde será apresentado o balanço da empresa. Por isso , estou tentando remarcar para o dia 29 a audiência pública com o Bandini, em sua primeira aparição depois da aprovação do novo balanço , que é um fato muito esperado pelo mercado. Eu , pessoalmente, acho que vai ser um divisor de águas no governo, uma retomada das ações na política e na economia”, acredita o presidente da CAE.

BNDES

Em sua explanação aos senadores, Luciano Coutinho garantiu que a instituição é “transparente” e observou que apenas o Eximbank norte-americano se iguala ao banco brasileiro neste aspecto, em relação à sua política de empréstimos.

Coutinho afirmou que as instituições equivalentes de países como Japão, Inglaterra, Alemanha, França e Itália seguem critérios mais rígidos de segredo, em defesa de seus respectivos setores privados e para evitarem litígios. Ele acredita que a discussão no Brasil também deve se dar levando em conta os interesses nacionais.

O presidente do BNDES pediu a colaboração do Senado para que a discussão sobre a política de empréstimos do banco se dê de forma “técnico-metodológica”.Coutinho citou nominalmente a CAE e a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional em relação a essa sua preocupação. Ele reiterou que a instituição é obrigada a cumprir toda uma legislação referente ao sigilo bancário no que tange à intimidade financeira das empresas, fazendo uma analogia com a inviolabilidade das informações bancárias das pessoas físicas. Disse ainda que a direção do banco poderia até ser responsabilizada judicialmente no caso do vazamento dessas informações.

Ele ainda apresentou um vídeo didático explicitando como qualquer internauta pode consultar, através do site da instituição, a política de empréstimos seguida pelo banco e afirmou que o BNDES cumpriu um papel anticíclico em virtude da crise de 2008, que passou a ser mais contido a partir de 2011 e agora, dentro da lógica do ajuste fiscal, também se encontra mais restrito.

O presidente apresentou também dados que mostram uma desconcentração de investimentos. Entre 2007 e 2014, segundo demonstrou, os desembolsos percentuais cresceram para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, tendo se mantido estável para o Sul e decrescido apenas na região Sudeste. Ele também apresentou dados de investimentos para obras de mobilidade urbana nos estados.

Coutinho afirmou que a atenção para as micro e pequenas empresas é uma prioridade da sua gestão. Em 2014, por exemplo, a carteira para essas empresas chegou a quase R$ 60 bilhões de reais. Garantiu que o banco tem uma carteira de “alta qualidade”, mesmo se comparada à do setor privado, apresentando as mais baixas taxas de inadimplência do mercado.

(*) Assessoria de Imprensa do Senador

Coutinho falou durante seis horas sobre as atividades do BNDES no Brasil e exterior (Foto: Divulgação)

O presidente do BNDES  falou também sobre os recursos destinados a financiar empresas brasileiras que realizam obras e fornecem equipamentos no exterior (Foto: Divulgação)

“Luciano Coutinho é muito competente, conhece o assunto com profundidade

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