12/07/2017 15h47

Chapéu, bota e calça Jeans. Essa é a vestimenta do Chefe do Executivo de Três Lagoas. Na entrevista ele fala sobre o preconceito da sua forma de agir e vestir e quais desafios que tem que enfrentar a frente da Prefeitura.

Flávio Veras (Entrevista Ricardo Ojeda)

Diz o ditado que não importa a embalagem, mas o conteúdo. Esse preceito popular encaixa com perfeição no administrador da terceira maior cidade do Estado, que lidera o ranking de industrialização do MS e lidera mundialmente a produção de celulose. A produção local é comercializada em mais de 40 países dos quatros continentes.

Com um cacife como esse, é natural que a cidade desperte a atenção das pessoas que viajam centenas ou milhares de quilômetros em busca de uma vaga de trabalho, como também de empreendedores que riscam os céus com seus modernos jatinhos para chegar a Três Lagoas para na cidade.

Dessa forma, é natural esperar que a cidade tenha um administrador de vanguarda, que acompanhe o avanço econômico e tecnológico. Porém. Quando esses investidores se reúnem com o prefeito, são pegos de surpresa para características da indumentária do servidor público número 1 do município.

ESTILOSO

O prefeito se apresenta com uma essência caipira, o prefeito de Três Lagoas Ângelo Guerreiro, foge dos padrões do típico político brasileiro. Porém, seu linguajar, que também é interiorano, se identifica com os três-lagoenses nativos ou os migrantes que adotaram a cidade como seu novo lar. Em uma entrevista concedida exclusivamente para o Perfil News, o Chefe do Executivo falou sobre a sua essência e os novos desafios que terá que enfrentar à frente da prefeitura.

Chapéu, botas e calça jeans. Se você se deparar uma pessoa trajada desta forma na rua, logo imagina que ela seja um peão de fazenda, ou agrônomo (a) ou um fazendeiro (a), certo? Não, errado. Essa é a vestimenta do prefeito Ângelo Guerreiro. De acordo com o político, sua forma de se vestir faz parte da sua essência e, não é porque ele chegou a um cargo público, que se sinta na obrigação de mudá-la.

“Talvez alguém que não saiba da minha história e, ao me ver com esse traje, possa ter um pouco preconceito. Eu entendo até, não comum ver um homem público vestido assim, ainda mais de uma cidade importante como a nossa. Porém, quando vem um investidor falar comigo já procuro logo tentar mostrar o que tenho por dentro, minhas ideias e opiniões. É por isso, que sempre repito esse ditado, não importa a embalagem, mas sim o conteúdo”, revelou.

RELIGIÃO

Outra característica marcante em Guerreiro é sua fé. Sempre com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida por dentro do chapéu e ou uma medalhinha da santa na lapela do paletó, o prefeito falou que a religião lhe ajuda a suportar a responsabilidade de comandar a terceira maior cidade de Mato Grosso do Sul. “Tento sempre colocar minha fé como um apoio à minha responsabilidade. Ser prefeito é uma tarefa difícil, mas a religião tem me ajudado a manter a calma para tomar a decisão mais acertada possível”, explicou.

Apesar de ser católico, como cidadão e político, ele afirma ter a obrigação de respeitar todas as crenças. “Se falou de amor ou da palavra de Deus, a religião que for deve ser respeitado e bem vinda aqui na prefeitura ou em qualquer outro lugar. Por exemplo, nós temos nossos irmãos evangélicos que falam do mesmo de Deus. Então, tanto eles protestantes como nós católicos, não devemos nos descriminar ou desrespeitar por conta de uma doutrina ou outra. Nós hoje vivemos em país democrático e a religiões fazem parte dele”, alertou.

E concluiu, “eu sou um gestor público e tenho obrigação de frequentar e ir em cultos e celebrações de todas as crenças. No entanto, acredito que se for a qualquer lugar tenho o direito de levar em meu chapéu a minha imagem e não posso ser descriminado por isso. Assim como tenho que respeitar uma mulher mulçumana com sua vestimenta característica. Isso é liberdade religiosa”.

CARREIRA POLÍTICA

A carreira do político cowboy começou na Câmara Municipal de Três Lagoas. Ele exerceu dois mandatos completo e elegeu-se deputado estadual. Apesar da ascensão quase meteórica, ele falou que nunca imaginou um dia que fosse possível sentar na cadeira do prefeito de Três Lagoas. “Desde criança eu sempre me dediquei muito a atividade que estava exercendo. Reconheço ser um pouco perfeccionista. Mas como faço as coisas com muita dedicação, as pessoas foram depositando a sua confiança em mim e hoje estou como comandante da terceira maior cidade do estado, é um orgulho”, exaltou.

DESAFIOS

Guerreiro disse que Três Lagoas, por ser uma cidade referência da região atende diversos pacientes de municípios do Bolsão. No entanto, não existe nenhuma contrapartida financeira que é paga pelas cidades vizinhas.

“Apesar da dificuldade, não deixamos de atendê-los, pois são seres humanos e nós devemos ter esse discernimento. Por exemplo, a média ideal para o Hospital Auxiliadora são de 60 pacientes ao dia, porém, hoje são atendidos de 150, em média. Para tentar amenizar esse problema, eu agendei uma reunião, ainda este mês, com os nove prefeitos da região, para tentar conseguir uma parcela da verba destinada para a saúde em seu município, seja voltado para o nosso. Se não fizermos esse pacto, pode correr o risco do Auxiliadora não atender mais, pois se são 60 pacientes a dia, 61 já passou da capacidade”, projetou.

ORGULHO TRÊS-LAGOENSE

Questionado pela reportagem sobre as críticas e a falta de alguns três-lagoenses não terem orgulho pela cidade, o prefeito falou que nem todos são assim, e que muitos desses, contrários à cidade, não sabem ver o lado positivo de diversas coisas. “Pessoas assim são aquelas que reclamam de tudo; emprego, onde ele leva o sustento para casa, família; filhos, entre outras coisas. No entanto, tem muita gente nascida aqui ou que veio de outras cidades que adoram nosso município e temos que estimulá-las a cada vez mais a terem esse sentimento e passar para as outras que ainda não o possuem”, enalteceu.

RECURSOS FUTUROS

Em 2015, após ser publicado Diário Oficial da União (DOU) as Usinas Hidrelétricas Engenheiro Souza Dias (Jupiá), em Castilho (SP), se tornaram propriedades de Mato Grosso do Sul. Antes elas pertenciam ao estado de São Paulo. Assim Três Lagoas poderia passar a receber o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) e o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). Porém, desde de a decisão a cidade não conseguiu ainda transferir esse montante para seus cofres.

“O advogado que representa o município está empenhado para que esse recurso chegue aos cofres do município. Nossa expectativa é que isso ocorra até o final deste ano ou no início de 2018. Além disso, caso esse recurso venha, ele ficará dividido da seguinte forma: 25% pra educação, 15% saúde e 6% Câmara Municipal. Já o restante eu faria uma programação mensal para recapeamento das ruas”, exemplificou.

Em relação aos royalties, sobre o uso de energia gerada também vieram para os municípios, o prefeito argumentou que esse recurso não tem um valor certo ao mês, pois ele depende do montante de energia gerado nesse período. “Os repasses variam entre R$ 400 à R$ 700 mil. Portanto, não é um dinheiro que podemos contar como fixo. Porém, ele é muito importante para o fluxo do nosso caixa”, explicou.

Ainda de acordo com o Guerreiro, a luta dos prefeitos, de 124 municípios atingidos diretamente e dos 774 atingidos indiretamente pelas usinas no Brasil, é que a maior parte do ISSQN e do ICMS fique com os municípios, e não com os estados como se é praticado hoje. “Nós achamos essa distribuição injusta e queremos aos menos 60% dos repasses fiquem em nossas cidades. Já existe um Projeto de Lei que nos garante este direito. Estamos na expectativa para que ele seja aprovado, pois quem teve ou
ainda têm suas vidas alteradas pelas construções das barragens são as cidades e, consequentemente, seus moradores”, finalizou.

Guerreiro está a frente da Prefeitura há seis meses. Apesar de estar em um cargo do Executivo, ele garante nunca mudar sua essência (Foto: Thais Dias/Perfil News)

De acordo com Guerreiro, sua forma de se vestir faz parte da sua essência (Foto: Thais Santos/Perfil News)

Tês lagos é considerada a cidade mais emergente do estado de MS (Foto: Saiury Baez)

Os repasses de royalties da Hidrelétrica de Jupiá variam entre R$ 400 à R$ 700 mil (Foto: Saiury Baez)

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