14/11/2006 10h05 – Atualizado em 14/11/2006 10h05

Terra

Os laudos do Instituto Médico Legal (IML) de Brasília mostram que as 154 vítimas do acidente do vôo 1907 da Gol morreram ao cair do avião e chocarem-se com o solo a uma velocidade vertiginosa. Todos os documentos estabelecem politraumatismo por ação contundente como causa da morte. Pela demora em achar os despojos, não foi possível dizer se algumas vítimas morreram antes de atingir o solo, de acordo com a Folha de S.Paulo. Tudo indica, conforme o IML, que elas perderam a consciência antes do choque pela descompressão com o esfacelamento do avião, mas não houve asfixia por tempo suficiente para levá-los à morte. As partes dos corpos das vítimas foram encontradas distantes 100 metros umas das outras e, como os primeiros legistas chegaram até o avião mais de 48 horas após a queda, os restos mortais tinham escurecimento da pele, pela interrupção do fluxo sangüíneo, e o inchaço gasoso, ou enfisematose. O estrondo da queda e o barulho da atividade de helicópteros nos dias seguintes contribuíram para afugentar grandes animais, evitando que as vítimas fossem mordidas. O médico-legista Malthus Fonseca Galvão, que chefia o departamento de Antropologia Forense do IML de Brasília, minimizou a impossibilidade de exames mais detalhados sobre a causa final das mortes. “Não temos uma pessoa que caiu com o avião, mas 154 pessoas que caíram e morreram com o impacto com o chão em alta velocidade. A morte não é um momento, mas um processo. A causa final não é importante, foi um acidente aéreo”, disse ao jornal. Os laudos devem ser usados pelas famílias para pedir o seguro obrigatório e também são importantes para a investigação criminal da Polícia Federal. Mais de um mês após a tragédia, ainda não há relatório oficial sobre as causas do acidente e o corpo de uma das vítimas, Marcelo Paixão, ainda não foi localizado.

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