13/10/2017 14h07

Em entrevista à Agromundi, o médico e prefeito de São Miguel do Araguaia, Nélio Pontes da Cunha (PSDB), comentou sobre os problemas causados pela JBS na região

Redação

Mesmo possuindo um dos maiores rebanhos comerciais de gado do mundo e fazer parte dos líderes mundiais em exportações de carne, o comércio e a qualidade dos produtos bovinos brasileiros voltaram a ser amplamente discutidos em todo território nacional, desde a deflagração da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que, entre outras instituições, investigou a JBS, empresa pertencente aos irmãos Joesley e Wesley Batista, que também participaram de um processo de delação premiada referente a irregularidades no governo Temer.

Com essa sucessão de crises, a confiança da população brasileira e dos compradores internacionais tem se abalado cada dia mais, impactando diretamente no rendimento dos pequenos pecuaristas, que estão sendo obrigados a vender seus produtos a um preço abaixo da média do mercado. Em entrevista a web rádio Agromundi, o médico e prefeito de São Miguel do Araguaia, Nélio Pontes da Cunha (PSDB), explica que toda a região do Vale do Araguaia se tornou refém dos preços extremamente baixos, além de possuírem, praticamente, apenas uma opção de comprador, que é justamente um frigorífico da JBS, localizado em Mozarlândia, distante 180 km da cidade.

“Em média, é preciso gastar R$ 180,00 para produzir uma arroba de boi, mas a JBS nos obriga a vender para eles por um valor que gira em torno de R$ 130,00, fazendo com que o mercado local de carne se torne insustentável. Eles tomaram conta de quase 100% do mercado regional de produção bovina, estamos vivendo uma situação muito preocupante, não só na economia, mas também no âmbito social, pois a geração de empregos acaba caindo em nossa região”, declarou Nélio.

De acordo com o gestor, a melhor solução para a atual crise seria uma união entre produtores e gestores locais para forçar a JBS a vender ou reabrir os inúmeros frigoríficos comprados pela companhia e que nunca foram abertos. “Eles são donos de construções frigoríficas em diversas cidades do Estado, mas que continuam fechados, obrigando os produtores a venderem seus bois apenas para eles. A classe precisa se unir e pressionar com mais força o governo e a própria JBS, para que reabram ou vendam os frigoríficos, assim teremos mais diversidade nos preços e um mercado mais saudável”, explicou o prefeito.

(*) Assessoria de Comunicação

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