19/11/2018 08h13

Pronto para ser usado, projeto foi finalista de concurso

Redação

Diminuir o tempo para se chegar à solução de um crime por meio da ciência aplicada à tecnologia. Com a ajuda de uma lente capaz de mostrar 400 vezes mais que os olhos humanos, pesquisadores de Mato Grosso do Sul descobriram uma maneira de usar grãos de pólen na solução de crimes. O projeto já ganhou o mundo, ficando entre os finalistas de um concurso na China, e está pronto para ser colocado em prática na rotina de peritos do Estado.

A pesquisa é desenvolvida por alunos e professores da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), com envolvimento do programa de Ciências Ambientais e Sustentabilidade Agropecuária da universidade, além do curso de Engenharia da Computação.

De acordo com a estudante Ariadne Barbosa Gonçalves, doutoranda em Biotecnologia, o estudo está em andamento há cerca de seis anos, iniciado pela entomologia (estudo de insetos e larvas). “Nós começamos avaliando o material consumido pelas larvas e insetos encontrados no cadáver. Eles podem indicar detalhes do ambiente onde o corpo foi encontrado e até provas com relação a suspeitos, além de, por exemplo, se o corpo é de um homem ou de uma mulher. A partir disso, eu estudei palinologia forense, os grãos de pólen, que também fazem parte do ambiente dos crimes e podem revelar muita coisa”.

O trabalho, então, passou a ser desenvolvido com o perito criminal e professor dos cursos de Ciências Biológicas e Direito da UCDB, Wedney Rodolpho de Oliveira, que, na época, estava finalizando uma tese de mestrado. “Nós identificamos os grãos de pólen de cada região da cidade e coletamos material de oito casos policiais. Depois, comparamos o material para comprovar, por exemplo, se a morte ocorreu no local onde o corpo foi encontrado ou se havia pólen de outra procedência, colaborando assim para o esclarecimento do crime”, conta a doutoranda.

Na China, o grupo foi finalista do Tshinghua-Santander World Challengers of the 21st Century (Desafios Mundiais do Século 21), realizado entre 29 de julho e 9 de agosto deste ano, em Pequim. O desafio era desenvolver um equipamento de lentes adaptado a um telefone celular, acelerando assim a investigação, que passaria a ser instantânea. “Sei qual é o pólen e qual a região de procedência. O pólen encontrado no corpo não é compatível com a região onde foi encontrado. Basicamente podemos relacionar o tipo de vegetação com o pólen encontrado”, explica.

Entre os planos do grupo de pesquisa, está ainda a implantação de um software, que poderá ser acessado por peritos diretamente do celular ou do computador, basta ter acesso à internet. Por ser uma ferramenta inédita no Brasil, a técnica e protótipos desenvolvidos não são utilizados na elucidação de crimes, mas a ideia é de que sejam implantados em breve.

(*) Corrreio do Estado

Ariadne Gonçalves (à esquerda): projeto pioneiro de MS para o mundo - Foto: Rafael Ribeiro/Correio do Estado

Comentários