21/02/2019 15h43

Segundo Marinheiro, a pesquisa foi realizada entre 2017 e 2018, durante seu estágio de iniciação científica

MS em dia

A acadêmica de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Nathália Marinheiro de Lima, descobriu uma proteína como efeito capaz de inibir e controlar o crescimento bacteriano. O resultado da pesquisa pode impedir o desenvolvimento de bactérias relacionadas a infecções de pele, endocardite, osteomielite e pneumonia.

Segundo Marinheiro, a pesquisa foi realizada entre 2017 e 2018, durante seu estágio de iniciação científica, sob a orientação da professora doutora Maria Lígia Rodrigues Macedo e do professor doutor Caio Fernando Ramalho de Oliveira.

“Sempre tive apego com estudos relacionados à saúde e à natureza. Então, esse projeto uniu duas coisas que eu gosto muito. No laboratório, basicamente, purificamos proteínas de origem vegetal como alternativa para o tratamento de doenças e transformação em antibióticos, novos fármacos, tanto para atividade cancerígena, quanto antibacteriana, antifúngica e até inseticida”, afirma a pesquisadora.

A proteína analisada por Marinheiro no Laboratório de Purificação de Proteínas e suas Funções Biológicas (LPPFB) da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Alimentos e Nutrição (Facfan), é denominada EtTI e foi extraída de sementes da orelha-de-nego (Enterolobium timbouva), árvore típica da flora brasileira. Após a análise laboratorial, constatou-se que a proteína tem eficácia no controle do crescimento de bactérias do gênero Staphylococcus.

“Quando testamos o EtTI, vimos que essa proteína teve potencial bactericida muito alto contra cinco cepas bacterianas presentes no laboratório. Estas bactérias estão presentes principalmente em ambientes hospitalares”, ressalta Marinheiro.

De acordo com a graduanda, o próximo passo da pesquisa é descobrir qual o mecanismo de ação da molécula, de que forma a proteína está afetando o desenvolvimento bacteriano. “Para pensar, futuramente, em um uso farmacêutico, temos que progredir nos testes, principalmente relacionados à viabilidade da utilização dessa molécula como um antibiótico de rotina, de acordo com os propósitos médicos”.

Para uma molécula desta ser transformada em fármaco e, posteriormente, passar a ser comercializada, muitos testes laboratoriais devem ser realizados. “É um processo demorado, não podemos colocar qualquer coisa na indústria farmacêutica”, destaca Marinheiro.

Por mais que o processo de pesquisa possa parecer duro, demorado e exaustivo, o resultado é gratificante. Por este caminho acadêmico, Marinheiro já colhe frutos. Recentemente, entre os dias 21 de janeiro e 1º de fevereiro, a pesquisadora expôs seu projeto no 16º Curso de Verão em Biologia Celular e Molecular, da Universidade de São Paulo (USP), câmpus de Ribeirão Preto. No congresso acadêmico, a pesquisa foi considerada como melhor exposição (melhor banner) e qualificada para a categoria de apresentação oral.

“A pesquisa é muito dura e, às vezes, ilusória. Então, obter uma conquista como essa é muito gratificante e eu me sinto privilegiada por ser uma das poucas representantes de Mato Grosso do Sul nesse ramo de pesquisa. No Curso de Verão, eu era a única. É muito legal ver meu trabalho sendo reconhecido e o fato de compartilhar conhecimento. Tenho que dar valor às pessoas envolvidas na pesquisa, porque nada se faz sozinho. Tudo o que eu consegui, aprendi com meus orientadores e com os amigos de laboratório”, ressalva a acadêmica.

A intenção de Marinheiro é continuar na Academia para o mestrado e doutorado. A pesquisadora aponta que seu diferencial é gostar de variadas áreas dentro da Biologia. Seu desejo é dar prosseguimento à avaliação do potencial de proteínas vegetais frente à atividade de células cancerígenas.

“Não quero ficar somente num ramo, quero seguir por várias áreas. Aprendi que, na pesquisa biológica, não se pode ter medo de mudar de área, ampliar o conhecimento. Vou deixar minha mente aberta para estudar, testar outras coisas. Nunca se pode ter medo de arriscar”, completa.

Marinheiro foi classificada em congresso de Biologia Celular e Molecular da USP como melhor banner (Foto: Arquivo pessoal)

Árvore conhecida como orelha-de-nego (Foto: Rubens Queiroz)

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