20/08/2014 10h58 – Atualizado em 20/08/2014 10h58

Quebra de acordo de pagamento leva empresários a interromperem prestação de serviços para a UFN3

Acumulando dívidas e se desfazendo de imóveis para honrar com pagamentos de funcionários e fornecedores, empresários do ramo de alojamentos e alimentação já notificaram a UNF3 sobre a paralisação das atividades e remoção dos alojados, caso a situação não seja resolvida

Larissa Lima e Ricardo Ojeda

Diante do não cumprimento do acordo firmando em junho, entre membros do Consórcio UNF3 e da Petrobrás, intermediado pelo presidente da Associação Comercial de Três Lagoas, Atílio D’Agosto, o grupo de empresários do segmento de alojamentos e alimentação decidiu interromper os serviços prestados para a UFN3.

O grupo, representado por Estevan Falco, esteve na manhã de ontem (9), na redação do Perfil News para explicar a decisão, tomada em consenso com donos de sete alojamentos e três cozinhas industriais da cidade. De acordo com Falco, a UFN3 e a Petrobras já foram informadas por meio de nota enviada ontem, via e-mail e sedex, que as atividades serão encerradas no dia 31 deste mês.

O ACORDO

Com seis meses de recebimentos atrasados e sem capital de giro para dar continuidade nos trabalhos, cerca de 150 empresários de Três Lagoas, de diferentes segmentos, se reuniram em junho, com o objetivo de solucionar a situação.

Diante da mobilização, que contou com o apoio dos vereadores da Câmara Municipal e da Associação Comercial, representantes do Consórcio e da estatal firmaram com os empresários, um acordo de pagamento. Na tratativa, registrada em ata, ficou determinado que os pagamentos seriam efetuados em três partes e que os acertos mensais futuros não seriam mais acumulados.

Porém, segundo o grupo, nem todos os empresários credores receberam o que foi acordado. Cerca de 70% dos atrasados já foi pago, porém, os recebimentos de junho, julho e agosto já estão atrasados, novamente.

QUEBRA DE CONFIANÇA

Mesmo com a falta de compromisso do Consórcio, muitas das micro e pequenas empresas continuam fornecendo alimentação e moradia para os trabalhadores da UFN3. Para conseguirem manter as portas abertas, muitos precisaram se desfazer de bens para realizar o pagamento de seus funcionários. De acordo com o grupo, a dívida já soma R$ 8 milhões.

Sem caixa e capital de giro, as empresas se uniram e decidiram não prestar mais serviços enquanto os pagamentos não forem regularizados. Como não são atendidos ou recebidos pelos representantes da UFN3, decidiram comunicar a empresa por meio de nota sobre o encerramento das atividades.

Diante da decisão, a Petrobrás e a UFN3 tem até o dia 31 de agosto para tomarem providências acerca da situação, que implica na remoção de cerca de dois mil trabalhadores alojados que ficarão também, sem alimentação.

CONSEQUÊNCIAS

Preocupado não só apenas em receber o que lhe é devido pelo serviço oferecido, o grupo de empresários teme o impacto social que o encerramento das atividades vai gerar na cidade, tendo em vista que, por não conseguirem mais arcar com as despesas, cerca de 200 funcionários perderão seus empregos com o fechamento das cozinhas e alojamentos.

Além disso, outro ponto que gera preocupação no grupo é em relação aos funcionários do Consórcio, que deverão ser realocados, caso a UNF3 não honre novamente, com os pagamentos.

Por conta disso, o grupo informou nesta manhã, por meio de ofício, as polícias Civil e Militar, bem como o Corpo de Bombeiros e o Ministério Público do Trabalho, a fim de esclarecer que a medida não tem o objetivo de ser arbitrária, e sim, foi tomada em virtude de não haver mais outra maneira de resolver a situação. De acordo com os empresários, os órgãos citados foram informados com o intuito de que possíveis manifestações possam ser prevenidas.

Já está programado para o dia 31, o fechamento dos alojamentos, localizados nos bairros Santa Rita, Vila Maria, Santos Dumont e Jardim Alvorada. Segundo o grupo, a lei de hospedagem do setor hoteleiro os ampara em situação de remoção dos alojados.

Segundo Falco, muitos empresários tiveram que vender imóveis e bens para poder arcar com os custos de funcionários e fornecedores (Foto: Larissa Lima)

Estevan Falco, representando do grupo de empresários, esteve na redação do Perfil News para explicar a difícil situação em que micro e pequenos empresários se encontram (Foto: Larissa Lima)

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