18/11/2006 11h22 – Atualizado em 18/11/2006 11h22

Folha Online

Na tentativa de desvendar a origem do R$ 1,7 milhão usado para a compra do dossiê antitucano, a Polícia Federal investiga 15 ligações telefônicas travadas entre Hamilton Lacerda, ex-petista envolvido na trama, e o gerente de Comunicação Institucional da Petrobras, Wilson Santarosa.De acordo com a quebra do sigilo telefônico do celular de Lacerda -em poder da PF e da CPI dos Sanguessugas-, o ex-petista conversou com Santarosa entre 2 de agosto e 14 de setembro, um dia antes da prisão de Gedimar Passos e Valdebran Padilha.Além disso, as quebras registram oito trocas de telefonemas entre Lacerda e um assessor de Santarosa, todas no início de agosto. Por fim, há 12 ligações do telefone fixo da Petrobras para o celular de Lacerda, que telefonou de volta uma vez, a maioria em agosto. No total, são 36 ligações.Hamilton Lacerda era o coordenador de comunicação da campanha de Aloizio Mercadante (PT), candidato derrotado ao governo de São Paulo. O dossiê que petistas tentavam adquirir tinha como suposto objetivo vincular ao esquema dos sanguessugas o então adversário de Mercadante e hoje governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB). Segundo a PF, Lacerda foi o homem que entregou o dinheiro, em uma mala, a Gedimar Passos.Dias depois do estouro do escândalo, em 15 de setembro, Lacerda foi afastado da campanha de Mercadante e, depois, foi expulso do PT. Ele nega que tenha transportado o dinheiro para a compra do dossiê.A assessoria de imprensa da Petrobras afirmou que, com as ligações, Lacerda queria obter ingresso para o Grande Prêmio de Fórmula 1 de Interlagos, realizado no dia 22 de outubro, mais de um mês depois da última ligação que vincula o ex-petista à estatal. A Petrobras patrocina a montadora Willians e, segundo a assessoria, forneceu o ingresso ao ex-petista.As 36 ligações que apareceram na quebra do sigilo telefônico do celular de Lacerda são curtas. Não há nenhuma com mais de três minutos de duração. Apenas seis ultrapassam dois minutos.A PF avalia que há uma peculiaridade nessa linha de investigação sobre os contatos de Lacerda com a Petrobras. Os federais afirmam que quando queria se comunicar com outros envolvidos no episódio, Lacerda utilizava um aparelho celular registrado em nome de Ana Paula Cardoso Vieira, uma suposta “laranja” do caso.Nas conversas telefônicas com a Petrobras, porém, Lacerda usou o seu próprio telefone.Mais de um mês depois da prisão de Gedimar e Valdebran com o R$ 1,7 milhão, a PF ainda não descobriu origens concretas para o dinheiro apreendido.A PF suspeita que o dinheiro pagaria também a entrevista que a família Vedoin, a coordenadora do esquema dos sanguessugas, deu à revista “IstoÉ” insinuando a participação de Serra na fraude. Segundo rumores nunca confirmados, a revista seria beneficiada com verba de propaganda da estatal. A “IstoÉ” e a Petrobras negam.Outro ladoA assessoria de imprensa da Petrobras afirmou que o único assunto tratado entre seu gerente de Comunicação Institucional, Wilson Santarosa, e Hamilton Lacerda foi a solicitação, feita pelo ex-petista, de ingresso para o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, disputado no último dia 22. A Folha telefonou para o aparelho celular de Santarosa, mas o gerente disse que a resposta seria dada pela assessoria da estatal.Sobre o fato de o último telefonema ter ocorrido em 14 de setembro, mais de um mês antes do GP, a assessoria da Petrobras informou que isso se deve ao fato de os ingressos serem “muito disputados”.A empresa brasileira patrocina a Williams e, segundo a assessoria, forneceu o ingresso a Lacerda. A Folha deixou recados na secretária eletrônica do celular do advogado de Lacerda, ontem à noite, mas não obteve resposta.

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