17/08/2017 10h03

A operação Bandeirante está sendo deflagrada em Mato Grosso do Sul, São Paulo. Aproximadamente 90 policiais cumprem 37 mandados de prisão, apreensão e condução coercitiva.

Flávio Veras

A Delegacia de Polícia Federal de Corumbá (MS) deflagrou hoje (17) a Operação Bandeirante, que investiga o tráfico transnacional de drogas e outros crimes relacionados. Um suspeito que reside em Três Lagoas está sendo procurado por integrar a quadrilha de traficantes de drogas com alto poder financeiro. Além do município, as ações ocorrem em Mato Grosso do Sul, nas cidades de Corumbá e Campo Grande, e no estado de São Paulo, na cidade de Suzano e na capital paulista.

De acordo com a PRF, aproximadamente 90 policiais cumprem 37 mandados, sendo 19 mandados de prisão Preventiva, 16 mandados de busca e apreensão e dois mandados de condução coercitiva. A investigação prevê ainda o sequestro e apreensão de bens e valores da organização criminosa.

DENÚNCIA

Ainda conforme o órgão, as investigações tiveram início após Informação de policiais da Delegacia de Polícia Federal de Corumbá. Durante seis meses de trabalhos, os policiais descobriram uma vasta rede de fornecedores, compradores, motoristas e “mulas”. Familiares e até um menor, filho de um casal membro do grupo investigado, foram recrutados para executar atividades ilícitas. A organização criminosa contava ainda com infraestrutura que incluía oficinas mecânicas, estacionamento, lava-jato, diversas residências, veículos de passeio, caminhonetes e caminhões.

“Neste período, foram realizadas quatro prisões e três apreensões de drogas enviadas pelo grupo, que totalizaram 354 kg de cocaína na forma de cloridrato. Na região sudeste, destino das remessas, o valor dos carregamentos somados poderia superar R$ 7 milhões”, informou a PRF.

A instituição investiga que como pagamento, a organização criminosa recebia valores em espécie em moeda nacional e estrangeira, além de veículos e embarcações que seriam negociados dentro e fora do território brasileiro. Até o momento, foram identificados mais de R$ 921 mil entre automóveis, caminhões e embarcações.

“No decurso das investigações, também foram confiscados US$ 25 mil (o equivalente a mais de R$ 81 mil na data da apreensão) que estavam sendo levados à Bolívia, possivelmente para integrar o pagamento de um próximo carregamento de drogas, explicou a PF.

Durante as investigações a PF descobriu que a quadrilha obtinha uma clara divisão de tarefas, os alvos da operação tratavam desde as negociações com fornecedores bolivianos de cocaína, logística de pagamentos e internalização da droga no território brasileiro, até o armazenamento, ocultação em compartimentos de veículos e transporte, especialmente para o estado de São Paulo. Os métodos de transporte buscavam evitar a fiscalização, utilizando rotas por vias vicinais ou estradas de terra e também o trânsito em horário noturno.

ALTO PODER FINANCEIRO

Os trabalhos também demonstraram ainda o poder financeiro da organização criminosa. Mesmo após as prisões e as apreensões milionárias de drogas e valores ocorridas durante as investigações, os líderes da organização criminosa prosseguiram sem percalços nas ações ilícitas, subdividindo tarefas, recrutando outros membros e reunindo recursos para viabilizar novos carregamentos de drogas.

“Os integrantes do grupo criminoso não possuíam emprego ou atividade lícita que justificasse a riqueza ostentada. Uma das oficinas, por exemplo, não apresentava atividade contínua ou funcionários regulares, além de notadamente auxiliar na confecção de esconderijos e compartimentos em veículos que transportariam as drogas”, finalizou a PF.

NOME DA OPERAÇÃO

O termo bandeirante faz referência a um dos veículos utilitários usados pela organização criminosa para cruzar o Pantanal, na tentativa de driblar a fiscalização, sendo este o veículo que transportava a primeira carga apreendida, que deu início à operação.

Durante seis meses de trabalhos, os policiais descobriram uma vasta rede de fornecedores, compradores, motoristas e “mulas” (PF / Divulgação)

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