21/08/2014 10h26 – Atualizado em 21/08/2014 10h26

Na caça a bandido, PM invade casa e causa pânico em mãe e filho de 2 anos

Policiais militares estavam na sequência de uma ação de caça a bandido, quando arrombaram a porta da cozinha de uma casa, colocando mãe e filho em polvorosa

Da redação

Na caça de um dos suspeitos envolvidos no assalto à uma pizzaria no bairro Caiçara, na saída para Sidrolândia, na madrugada de quarta-feira (20), policiais do BPChoque (Batalhão da Polícia de Choque) da Polícia Militar invadiram uma casa no Residencial Fernanda, no Portal Caiobá, assustaram e causaram pânico na dona da casa e no filho de dois anos, que traumatizado com o ocorrido teve diarreia.

A dona de casa Celina Rafaela Echeverria Pereira, 31 anos, relatou momentos de panico vividos por ela e o filho de apenas dois anos durante a madrugada. Ela contou que estava dormindo em um dos quartos da residência, junto com o menino, quando ouviu um estrondo vindo da porta da cozinha, que foi arrombada pelos policiais por volta das 4h30 da manhã.

Com o susto, a dona de casa disse que se levantou para verificar o que era e “deu de cara” com quatro policiais fortemente armados. Celina contou que levou um grande susto. “Eu não sabia o que era. Hora que eu sai do quarto eu dei de cara com eles. Eu fiquei sem reação, fiquei paralisada. A todo momento eles gritavam pedindo pra eu colocar as mãos pra cima e perguntavam de um tal de Gordinho, que queriam pegar ele”, relembrou.

Segundo a dona de casa, a “gritaria” acordou o filho, que assustado com a situação começou a chorar. “Eles estavam gritando, atrás desse Gordinho. E eu a todo momento falava que não tinha nenhum gordinho na minha casa. O meu filhinho ficou muito assustado, ele começou a chorar, foi uma situação horrível”, frisou.

TESTEMUNHA (?)

Apavorada, e sem saber o que fazer, a mulher chegou a questionar os policias sobre a ação. Segundo ela, um dos responsáveis pela ocorrência teria dito que chegou até a casa depois de uma denúncia anônima, que indicava que um dos bandidos, identificado como Gordinho, estava se escondendo ali. “Eles voltaram a insistir perguntando se eu conhecia o Gordinho e eu disse a eles que morava só eu e meu filhinho”, disse.

Conforme ela, os policiais chegaram a revistar o interior da casa e depois foram embora. Para a surpresa de Celina, os militares retornaram pouco tempo depois com uma mulher, que supostamente teria sido a autora da denúncia. “Eles pediram para ela identificar se aqui era a casa do Gordinho. Pediram meu celular também para ver as fotos e mostraram para a mulher para ver se ela identificava alguém. A únicas fotos que tem é do meu filho e uma do meu ex-marido que não mora aqui e é trabalhador”, disse.

Passado o susto, Celina diz que terá que arcar com o prejuízo deixado pela ação dos policiais. “Eu tenho que trocar essa porta, porque mora só eu e meu filho e assim não pode ficar”, disse. Segundo ela, um dos policiais responsáveis pela ação teria se comprometido a arcar com o prejuízo, mas até o momento não teria entrado em contato com ela.

POSIÇÃO DA PM

O major Marcos Paulo Gimenez, comandante do Batalhão de Choque, afirmou que a conduta dos policiais será avaliada, mas orienta ao cidadão para que em casos de arbitrariedade entre em contato com a corregedoria da Policia Militar.

Para o policial militar, as condições da ação realizada na madrugada de hoje serão apuradas, mas os policiais são respaldados em casos de flagrante. “Não sabemos em que circunstancias ocorreu essa ação, mas os policiais são profissionais e não agiriam dessa forma sem um respaldo do flagrante”, ponderou. (Campo Grande News)

Para invadir a casa, os policiais militares arrombaram a porta da cozinha do imóvel; prejuízos para a moradora (Foto: CG News)

Com medo, em sua casa, Celina conta que o filho de dois anos, por causa do episódio, teve diarreia (Foto (CG News)

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