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quarta-feira, 24 de abril de 2024

Polícia Federal combate garimpo na Terra Indígena Yanomami com mandados no MS

(*) Antonio Coca

A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje (29), a Operação Haraquiri*, com o objetivo de investigar e interromper atividades relacionadas ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.

Policiais Federais cumprem dez mandados de busca e apreensão em Boa Vista (RR), Alto Alegre (SP) e Campo Grande. Os mandados foram expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal em Roraima após investigações da Polícia Federal e a aprovação do Ministério Público Federal.

O inquérito policial foi instaurado com recebimento de materiais arrecadados pelo Exército em ação contra o garimpo no estado de Roraima. Da análise dos bens apreendidos foi possível identificar a atuação de envolvidos com as atividades ilícitas, em especial a ação de pilotos de aeronaves e helicópteros que seriam responsáveis pelo frete de pessoas e de insumos que viabilizariam a extração ilegal de minério.

Análise de imagens de satélite constantes da investigação indicam a presença de ao menos 20 pistas de pouso ilegais no interior da Terra Indígena Yanomami, as quais viabilizariam a expansão da atividade mineradora irregular na região.

Segundo o inquérito, essa expansão contribuiria para a degradação ambiental de quase 6 mil hectares verificada entre os anos de 2018 e 2020 na reserva indígena.

Além disso, o transporte e permanência de garimpeiros na região estaria relacionado com a possibilidade de infecção e morte de milhares de Yanomami, no atual momento, em razão do coronavírus. Atualmente, estima-se que haja cerca de 20 mil garimpeiros atuando no local, graças, também, à logística área ilegal de bens e pessoas. Os nomes das pessoas envolvidas na atividade irregular e alvos da operação não foram divulgados.
Além dos pilotos, também são alvos das buscas suspeitos de explorarem diretamente o garimpo na região e outros crimes correlatos, como o armazenamento irregular de combustíveis.

(*) O nome da operação faz alusão ao ato de suicídio “ritualístico” nipônico em razão de um suspeito com ascendência oriental e reconhecido por apelido que enaltece tal condição, durante as investigações e ao perceber que a PF havia encontrado o local de guarda de suas aeronaves, ter optado por destruir dois aviões na provável expectativa de não ser relacionado aos crimes.

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