18/09/2017 11h07

Por determinação de Guerreiro, prefeitura está de portas abertas à Polícia Federal, diz secretário de Administração

Segundo Gilmar Tabone, prefeito preza pelo esclarecimento do escândalo de desvio milionário de verba na administração anterior à sua

Lucas Gustavo

Na semana passada, a população de Três Lagoas ficou perplexa com a notícia do desvio de mais de R$ 1,6 milhão da prefeitura. O montante, conforme investigações da Polícia Federal saiu dos cofres públicos nos anos de 2015 e 2016, por meio de um esquema de superfaturamento de notas.

A organização criminosa contava com cinco servidores do setor de manutenção de frota de veículos, além de três empresários donos de oficinas mecânicas. Todos os envolvidos foram identificados na Operação Cambota e continuam monitorados pela PF, Controladoria Geral da União (CGU) e Ministério Público Estadual (MPE). O sobrepreço em peças e serviços prestados ultrapassava os 480%, se comparado ao valor justo do mercado. Os suspeitos foram ouvidos pela Polícia Federal, mas o teor de seus depoimentos foi mantido em sigilo.

CLAREZA

Em recente entrevista ao Perfil News, o secretário municipal de Administração, Gilmar Araújo Tabone, explicou o posicionamento oficial da prefeitura sobre o caso. Com bastante firmeza e segurança nas palavras, ele respondeu todos os questionamentos da reportagem.

De acordo com o Gilmar, desde o início do processo de transição entre os dois governos, a secretaria percebeu que os serviços feitos na manutenção de frota não atendiam as reais necessidades da prefeitura. Por conta disso, levantou-se suspeitas de irregularidades no setor.

Em janeiro deste ano, donos de oficinas protestaram em frente ao Paço Municipal dizendo que a prefeitura lhes devia valores referentes a trabalhos prestados no decorrer de 2016. Segundo os manifestantes, se somada, a dívida excedia o R$ 1,5 milhão. Foi descoberto pela Polícia Federal que três empresas eram favorecidas no esquema, por meio de facilitação por servidores da prefeitura,

‘’Considerando que o valor cobrado pelos empresários era bastante alto, na cifra de um milhão e meio de reais, abrimos um processo administrativo sobre a situação, já que o município não tinha legalidade para quitar essas despesas’’, disse Tabone.

SINDICÂNCIA

Segundo o secretário, a prefeitura mantém um contrato com a empresa Taurus-S.H., de Dourados, há cinco anos, com renovação por meio de processo licitatório. É ela quem faz a gestão da frota.

‘’Com esse contrato é a Taurus-S.H. quem controla esse serviço, por isso, prefiro até não citar o nome das empresas, pois o contrato não é diretamente com a prefeitura. Como já falei, não encontramos legalidade para pagar esses devedores, daí a necessidade da abertura da sindicância’’, acrescentou Gilmar.

De acordo com Tabone, a prefeitura tinha ciência que havia uma denúncia anterior do Ministério Público Estadual em razão da manutenção de frota. Mas, até então, era desconhecida, a atuação da Polícia Federal no caso.

RETENÇÃO DE BENS

Conforme o secretário, esse sistema ‘herdado’ da gestão passada ocasionou diversos contratempos à administração atual. Algumas oficinas, como estratégia para receber a dívida contraída no ano passado junto ao município, chegaram a recusar devolver veículos oficiais que se encontravam em manutenção.

‘’Por meio de todo esse problema causado pela gestão anterior, várias oficinas fizeram a retenção de bens da prefeitura, alegando que haviam prestado serviço e não receberam. Sendo assim, precisamos mover ação extrajudicial para recuperarmos esses automóveis’’, esclareceu Tabone.

Ainda de acordo com Gilmar, os empresários que cobram a prefeitura sustentam que fizeram o trabalho proposto pelo município e encaminharam as notas de recebimento para a Taurus-S.H.. Ao que tudo indica, a administração anterior não aprovou o posterior pagamento.

FUNCIONÁRIOS ENVOLVIDOS

Ao Perfil News, Tabone explicou que, no momento, o processo administrativo que investiga o caso está suspenso. O motivo é que um dos envolvidos entrou com um mandado de segurança na Justiça. ‘’A sindicância entende que os servidores acusados são do terceiro escalão, mas alguém lá ‘de cima’ deve ter aprovado esses serviços’’, pontuou ele.

O secretário ainda esclarece que nenhum dos servidores que atuaram no esquema estão, hoje, na mesma função. ‘’Os que ocupavam cargo de confiança foram exonerados. Em relação aos efetivos, fizemos o remanejamento para uma área em que eles não têm mais contato com esses contratos’’, reforçou.

FIRMEZA DE GUERREIRO

De acordo com Gilmar, após a conclusão da sindicância e, posteriormente, da Polícia Federal e Ministério Público, o pedido do prefeito Angelo Guerreiro é que, dentro da legalidade, os concursados envolvidos no escândalo, caso condenados, sejam demitidos.

‘’Estamos analisando todos os serviços que foram pagos e não realizados efetivamente. Após o término de todo o processo de apuração, a orientação do Guerreiro é para agirmos com firmeza junto a esses servidores’’, declarou o secretário. (ASSISTA AO VÍDEO).

LEGALIDADE TOTAL

Tabone enfatiza que a prefeitura continua de ‘portas abertas’ à Polícia Federal. Segundo ele, a humildade e transparência de Guerreiro com ‘’chapéu na cabeça e botas no chão’’ também prevalece nesse caso.

‘’Independente dessa investigação, toda a instrução que sempre recebemos do prefeito é de trabalharmos totalmente dentro da legalidade; não temos e nunca tivemos na a esconder. Na segunda-feira, inclusive, iremos receber técnicos da CCU para inspeção rotineira. Toda a documentação da prefeitura está à disposição da Polícia Federal’’, encerrou Gilmar.

(*) Entrevista: Ricardo Ojeda

Ricardo Ojeda, diretor do Perfil News, e Gilmar Tabone, secretário municipal de Administração. (Foto: Lucas Gustavo/ Perfil News).

Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na prefeitura de Três Lagoas durante a Operação Cambota. (Foto: Ricardo Ojeda/ Perfil News).

Agentes da PF apreenderam documentos da prefeitura referentes à ações da administração passada. (Foto: Divulgação/ Polícia Federal).

Em entrevista ao Perfil News, o prefeito Angelo Guerreiro garantiu que contribui com as investigações. (Foto: Ricardo Ojeda/ Perfil News).

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