18/11/2006 11h55 – Atualizado em 18/11/2006 11h55

Folha Online

Amigas de Carla Sobrado Casalle, 21, que morreu anteontem em Araraquara provavelmente em decorrência de anorexia nervosa, acreditam que o preconceito enfrentado na infância, quando era considerada uma menina gordinha, pode ter sido o responsável pela doença.”Na infância, Carla sempre foi gordinha”, lembra Gisela Bevilacqua Rolssen, 21, sobre a amiga com quem estudou junto da quarta série até o ensino médio. No colégio Progresso, em Araraquara, Carla tinha o apelido de “Carla pão-de-queijo”. “Nos bailinhos da sexta série, ela ficava de canto, meio triste, porque não era tirada para dançar. Eu e meu irmão dançávamos com ela”, diz Víctor Marcos da Silva.Para Gisela, Carla era uma garota fechada. “Ela sofria preconceito quando a gente era criança. Não demonstrava muito pra mim. Mas acho que sofria escondida e isso virou um trauma”, diz. As duas se falaram pela última vez há duas semanas, quando Carla a convidou para sair. “Fiquei até surpresa. Ela disse que estava mais animada e que ia se arrumar no cabeleireiro para irmos a uma balada. Mas não ligou depois.”Uma amiga que estudou com a Carla da pré-escola até a oitava série, em Araraquara, conta que, desde que se mudou para São Paulo, para cursar faculdade de moda, a jovem começou a apresentar sinais de depressão.Na última vez que se encontraram, há aproximadamente quatro meses, Carla já havia voltado para Araraquara. Segundo a amiga, não havia se adaptado à faculdade, o que teria complicado seu quadro.Conforme a estudante de direito Nathalia Soubhia Robim, 21, Carla demonstrava preocupação com o peso e se achava gorda. “Estava um “palito” quando voltou de São Paulo, mas tinha uma visão distorcida dela mesma, achava que tinha problemas com o corpo, mesmo quando todos diziam que não. Andava muito deprimida, mas por vários fatores.”Nathalia diz que havia conversado bastante com Carla nas últimas vezes que se encontraram. Costumavam sair juntas. Nessas ocasiões, o único alimento que ingeria era banana, porque sofria de falta de potássio. “Mas chegou uma época em que ela não comia mais nada.”

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