11/05/2015 15h55 – Atualizado em 11/05/2015 15h55

O vereador e presidente da Câmara Municipal de Três Lagoas esclareceu na coletiva de imprensa, a respeito das denúncias que foram veiculadas na semana passada por um ex-assessor

Assessoria de Imprensa

Na manhã desta segunda-feira (11), o presidente da Câmara Municipal de Três Lagoas, vereador Jorginho do Gás, concedeu entrevista coletiva à imprensa, no plenário do Legislativo, para esclarecimentos públicos sobre denúncias de ex-assessor de seu gabinete, divulgadas na semana passada, e voltou a negar que tenha exigido restituição de parte dos salários e de diárias pagas ao servidor. “Estou de cabeça erguida. Nunca peguei R$ 1,00. Não houve este tipo de ato no meu gabinete”, reafirmou, como já tinha dito em nota de imprensa emitida na semana passada.

Jorginho abriu a coletiva com um pronunciamento esclarecendo que o referido servidor foi exonerado, na última sexta-feira (8), por afirmar, nas entrevistas, que o presidente não tinha condições de representar a população três-lagoense, quebrando laços de confiança, e ainda informou que impetrou três ações contra o servidor: difamação e calúnia, falsidade ideológica e peculato, sendo estas duas últimas relativas ao fato de que o servidor requisitou o pagamento de quatro diárias para a cidade de São Paulo, em setembro de 2013, e não viajou e não devolveu o valor de R$ 3.600,00 à Câmara Municipal, e que ainda teria assinado relatórios de viagem que não teria feito, em outras ocasiões.

Diária para São Paulo

Sobre a viagem a São Paulo, que o ex-servidor acusa ter repassado o valor integral a Jorginho, o presidente da Câmara explicou que de fato houve o requerimento, em 16 de setembro de 2013, e o pagamento, mas o deslocamento não foi realizado. Por conta disso, a contabilidade e a controladoria da Câmara notificaram o gabinete do presidente diversas vezes, para que fosse apresentado relatório de comprovação de viagem ou que os valores fossem ressarcidos, conforme a lei. Neste período, Jorginho afirmou que cobrou o ex-assessor, verbalmente, para a devolução do valor, sendo que a medida foi postergada várias vezes, com variadas justificativas.

No mês de dezembro de 2014, ao fechar o biênio 2013/2014, os setores da Câmara voltaram a exigir a regularização do uso da diária, assim como de outras pendências financeiras existentes em outros gabinetes. Como o ex-servidor não fez a devolução, Jorginho do Gás a fez, nominalmente, em março de 2015, com valores corrigidos pelo IPCA, num total de R$ 4.000,52, devido ao prazo já ter se esgotado. “Todas as contas precisam ser fechadas no biênio. Se eu não pagasse, todo o gabinete ficaria com restrições de recebimento dos recursos”, destacou. Ele ressaltou que tomou empréstimo de sua sogra para fazer a quitação do valor devido pelo ex-servidor.

Jorginho disse que só ficou sabendo das denúncias pela imprensa e sequer tinha conhecimento sobre a questão, por meio do Ministério Público Estadual. O vereador só teve acesso aos documentos do inquérito, que corria em segredo, após as entrevistas do ex-assessor, já que sua fala pública tornou o inquérito também público. Na sexta-feira passada, a assessoria jurídica requereu toda a documentação, na qual constam holerites – com os valores pagos e descontados, como empréstimo consignado, INSS, gastos com farmácia conveniada – e extratos bancários que confirmam o recebimento dos salários e das diárias.

Devolução de salário

Outro esclarecimento prestado pelo presidente Jorginho do Gás foi quanto aos valores salariais do ex-servidor, que o acusa de ter se apropriado de cerca de R$ 2 mil mensais. Segundo o diretor geral da Câmara, André Ribeiro, o ex-assessor prestava serviços na Câmara desde a época em que Jorginho não era presidente e seu salário foi mantido no mesmo valor, após a eleição do atual presidente para a Mesa Diretora, incluindo uma gratificação de 47%. Esta gratificação teria sido suspensa em alguns períodos, como foi para outros assessores.

O que causa estranheza, segundo o diretor, é que o ex-servidor teria recebido, em alguns meses, menos de R$ 1 mil, devido aos descontos autorizados em folha (empréstimo consignado e farmácia, por exemplo), montante que não bate com aqueles que ele declarou ter destinados à devolução para o presidente Jorginho do Gás – R$ 2 mil mensais, conforme as reportagens veiculadas.

Motivação para as denúncias

Em seu pronunciamento e respondendo a perguntas dos jornalistas presentes à coletiva, Jorginho do Gás disse não entender as motivações do ex-assessor e se disse surpreso com o caso, porém relatou fatos que possam ter provocado seu posicionamento, como a demissão de sua filha, que também trabalhava na Câmara. A exoneração ocorreu em fevereiro de 2015, junto com outros dez assessores, e a medida foi tomada para atender ao próprio Ministério Público, que entendeu que havia desvio de função e que exige uma equidade entre o número de servidores comissionados e concursados.

Outra questão relatada foi a exoneração do filho do ex-assessor, dos quadros da prefeitura, também dentro de corte de vários servidores. “Ele pode ter entendido que eu fiz corpo mole e não o ajudei na medida”, opinou.

O presidente ainda afirmou que sempre teve bom relacionamento com o ex-servidor, o qual “fazia um bom trabalho, não tinha preguiça”. “Até agora não entendo porque ele (ex-servidor) jogou tudo para cima. Ele andava comigo, queria sempre ajudar”, afirmou. Jorginho também disse temer que haja uma articulação para perseguição política a ele e a seus aliados.

Defesa e medidas judiciais

Além das medidas judiciais já tomadas, com as ações ajuizadas na sexta-feira, o presidente da Câmara disse que tomará outras que se fizerem necessárias, no futuro. Segundo ele, serão medidas não apenas para autoproteção, como para proteger a imagem da Câmara Municipal e de outros vereadores. “Eu defendo o Legislativo. Fico triste que estas denúncias atinjam os vereadores e denigram a imagem pública da Câmara como instituição”.

Jorginho do Gás disse, por meio da assessoria jurídica, que dará todas as informações que forem solicitadas dentro do inquérito. “A justiça vai chegar, com certeza, na hora que tudo ficar esclarecido. Fiquei abismado porque era o assessor que tinha mais proximidade. Agora, vou dar resposta a todos os três-lagoenses, do mais humilde ao mais graduado, para explicar o porquê disso tudo, se isso for um jogo político”, finalizou.

(*) Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal de Três Lagoas

O vereador e presidente da Câmara de Três Lagoas Jorginho do Gás (centro) estava acompanhado pelo diretor geral André Ribeiro e o assessor jurídico Tiago Vinícius Rufino Martinho, ambos da Câmara. (Foto: Assessoria)

O vereador Jorginho do Gás nesta manhã, durante coletiva de imprensa. (Foto: Assessoria)

A imprensa e a população três-lagoense participou da coletiva de imprensa para esclarecimentos. (Foto: Assessoria)

O vereador Jorginho do Gás se prontificou a responder à todas as perguntas da imprensa. (Foto: Assessoria)

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