07/04/2015 16h09 – Atualizado em 07/04/2015 16h09

Tempo bom foi aquele que vivia no campo, junto com pai, mãe e 12 irmãos, trabalhávamos todos os dias e a terra nos dava o que a gente precisava

Carlos Alberto

O sorriso, a disposição, a prosa, a alegria e felicidade nos levam até a duvidar da idade real de uma simples mulher, que tivemos a honra de conhecer em uma simples residência, na manhã desta terça-feira (7), na Rua Michel Thomé, no Jardim Mirassol, em Três Lagoas.

De uma família de 12 irmãos, Benedita Camilo dos Anjos, nasceu em 13 de abril de 1901, em uma Fazenda do hoje município de Água Clara. Na próxima segunda-feira (13) completa 114 anos de vida.

Há pouco mais de 20 anos, já impossibilitada de trabalhar na terra e fazer o que mais gostava, veio para Três Lagoas, onde reside na casa da família de uma filha, Áurea dos Anjos Silva (63).

“Éramos 12 irmãos. Um dia um se foi e nunca mais voltou e não sabemos por onde anda. O Sebastião, o mais novo e eu éramos os caçulas. Acho que só ele e eu estamos vivos. Ele mora lá prós lados de Santa Luzia e é casado com a Dorotide. Ele é conhecido no Bairro como Neuzinho ou Nezinho”, contou.

SAUDADE

“Tempo bom foi aquele que a gente vivia no campo, junto com o pai, a mãe e os 12 irmãos, lá na Fazenda. Trabalhávamos todos os dias no pesado, na lavoura, sem reclamar, com gosto e disposição. O chão da terra nos dava o que a gente precisava”, lembrou Benedita.

“A gente não passava necessidade. Se não tinha uma coisa, tinha outra. Isso era alegria, saúde, felicidade boa. Não era felicidade boba do pessoal de agora, que tem de tudo, vive doente e reclamando”, comentou.
“Já trabalhei na roça, onde fiz de tudo. Cozinhava, lavava, passava, costurava, fazia o que tinha precisão de ser feito. Tenho saudades desse tempo”, contou, sem parar o que estava fazendo naquela hora e o que hoje mais gosta de fazer, o bordado de uma toalha em ponto cruz, sem uso de óculos e segurando a agulha com firmeza.

Ao lado, a Camila, uma das bisnetas, de apenas 6 anos, sempre sorridente e reparando no trabalho da bisavó.

“Eu nem sei direito quanta gente é ao todo por esse mundo de Deus. Dos sete filhos, quatro ainda vivem. São mais de 100 netos, bisnetos e até tataranetos. Um deles, o mais velho já completou 11 anos, não é, Áurea”, perguntou à filha, que também não soube informar os números de toda essa gente, que tem a alegria e “a bênção” de ter uma pessoa dessas na família, como exemplo de “garra, lucidez e alegria”.

DISPOSIÇÃO

Benedita é exemplo de disposição, que lhe vem do coração e da mente, apesar da debilidade física e desgastes físicos naturais, inevitáveis consequências dos longos anos que viveu.

“O que tenho medo é de levar um tombo, porque dá um trabalho danado para levantar e o pessoal não aguenta o meu peso”, contou Benedita.

“Há dias tô pedindo pró meu neto me trazer umas folhas de buriti para fazer peneiras e bandejas”, disse. “Não posso ficar sem fazer nada, já que não dá mais jeito trabalhar na terra, fazer um canteiro no quintal, criar umas galinhas”, completou.

Apesar de tomar três tipos de medicamentos para controle da pressão arterial, “gosta de uma carne gorda, bem assada ou cozida, torresminho, feijão com caldo grosso e bem temperado. Come de tudo e se vira sozinha”, informou a filha.

Benedita Camilo dos Anjos completa 114 anos na próxima sexta-feira, 13 de abril. (Fotos: Carlos Alberto)

Benedita Camilo dos Anjos nasceu em Água Clara. (Foto:Carlos Alberto)

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