Estudos mostram que número de infecções deve começar a cair apenas em setembro e que o sistema pode colapsar se confirmados continuarem a subir; projeção foi solicitada pela prefeitura da Capital, mas ampliada para todo o Estado devido ao número crescente de confirmações

A pedido da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande professores do Instituto de Matemática, Erlandson Saraiva, e da Escola de Administração e Negócios, Leandro Sauer, estão desenvolvendo modelos estatísticos regionais sobre a quantidade de casos da Covid-19.

Os estudos começaram levando em conta apenas os casos na Capital mas, segundo os pesquisadores, devido ao aumento significativo dos casos confirmados da doença em Mato Grosso do Sul, houve a necessidade de efetuar o registro também para o Estado. “Modelamos as quantidades registradas no estado. Dessa forma é possível estudar o possível impacto que o aumento de casos em MS terá no sistema de saúde pública”, comentam.

Apesar do Mato Grosso do Sul ser hoje o Estado com o menor número de casos confirmados do país e de ter a menor taxa de ocupação de leitos hospitalares em decorrência da doença a realidade pode mudar – e o cenário que se projeta não é bom.

O que o futuro reserva

Para elaborar o relatório, foram utilizados os dados divulgados até o dia 17 de maio. Os professores ajustaram três modelos de crescimento e selecionaram o modelo que melhor explica os dados. “O modelo selecionado tem como estimativa para quantidade máxima de casos confirmados 17.824 casos. Além disso, o ponto de inflexão é estimado somente para o dia 183 (12 de setembro) com 6.557 casos confirmados. Ou seja, a partir desse modelo, estamos em uma fase de crescimento dos casos; e as taxas de notificação começarão a diminuir somente a partir de 12 de setembro, se nada for feito”, explicam.

Utilizando simulações computacionais, os professores obtiveram as projeções para as quantidades de pacientes diagnosticados com a Covid-19 que precisarão de atendimentos em leitos clínicos e de UTI. “As simulações consideraram aumentos de 10%, 20%, 30%, 40% e 50% da taxa atual e um procedimento de somas móveis, em que, a quantidade de leitos ocupados em um dia qualquer passa a estar liberada após 10 dias para os leitos clínicos e 21 dias para os leitos de UTI”, dizem.

De acordo com Erlandson e Leandro, os resultados mostram que, para 20% de aumento da taxa de notificação (de 2,47% para 2,96%), aproximadamente 200 pessoas precisarão de atendimento em leitos clínicos na última semana do mês de julho. Com relação aos leitos de UTI estima-se que aproximadamente 110 pessoas precisarão de atendimento, também na última semana do mês de julho.

“No pior cenário considerado, 50% de aumento da taxa de notificação (de 2,47% para 3,70%), os resultados mostram um colapso do sistema de saúde pública. Estima-se que entre 2 mil e 2,2 mil pessoas precisariam de atendimento em leitos clínicos e entre  500 a 650 pessoas precisariam de atendimento em leitos de UTI”, ressaltam.

Para eles, as projeções mostram a importância de se seguir as orientações de isolamento social a fim de reduzir a taxa de contaminação e a quantidade de pessoas que poderiam precisar de internação hospitalar.

Informações e texto-base: Vanessa Amin
Agência de Comunicação Social e Científica (Agecom/UFMS)

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