19/02/2018 08h20

A expectativa é que este ano haja um crescimento de 2% no setor, com novos postos de trabalho sendo criados

Redação

Em Mato Grosso do Sul, a indústria da construção civil é responsável por empregar atualmente 26 mil trabalhadores formais, conforme dados do sindicato que representa esta área profissional, o Sinduscon. A expectativa é que este ano haja um crescimento de 2% no setor, com novos postos de trabalho sendo criados.

Visando esse mercado profissional e a reinserção social de detentos através do trabalho, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) tem buscado, por meio de parcerias, a qualificação da mão de obra prisional.

No momento, custodiados da Penitenciária Estadual de Dourados (PED) estão participando de um curso de pedreiro, ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Ainda no final deste mês, terá início outro na área de eletricista predial. As capacitações são possíveis graças ao apoio do Poder Judiciário e do Ministério Público Estadual, que disponibilizaram os recursos financeiros necessários.

Com 160 horas, o curso de pedreiro conta com a participação de 25 alunos e envolve aulas teóricas e práticas. O objetivo é fazer com que eles tenham condições de executar construção de alvenaria com e sem função estrutural, seguindo normas técnicas, de qualidade, de saúde, de segurança, meio ambiente e procedimentos técnicos.

Segundo o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, uma das prioridades do sistema prisional do Estado é possibilitar condições para que os reeducandos possam ser inseridos no mercado de trabalho. “Buscamos oferecer a qualificação profissional em áreas que tenham uma grande demanda de mão de obra, como é o caso da construção civil, dando mais oportunidade de emprego aos internos”, destaca. “E assim, de forma digna, garantirem o seu sustento e de sua família, o que deverá evitar a reincidência criminal”, ressalta.

A realização de cursos de qualificação a custodiados da Agepen, bem como o oferecimento de ensino formal regular, são coordenados pela Diretoria de Assistência Penitenciária, por meio da Divisão de Educação. Em 2017, 1.106 reeducandos foram capacitados profissionalmente no Estado.

Novas Perspectivas

Dados nacionais da indústria da construção civil apontam que o salário médio de pedreiro é de cerca de R$ 1,6 mil. Um trabalho digno é o que o interno M. A. P. S. garante que sonha conquistar. Ele é um dos participantes da capacitação na PED e vê nela uma grande oportunidade.”Este curso está proporcionando para gente um conhecimento muito grande, é um passo para que a gente possa se reintegrar lá fora”, agradece.

O reeducando W. A. R. também acredita que a qualificação oferecida na penitenciária poderá abrir portas profissionais. “É uma forma de aperfeiçoar nosso conhecimento, oferecer um trabalho com melhor qualidade, e ainda a gente vai ter uma certificação. Quero poder usar lá fora o que estou aprendendo aqui dentro com este curso”, afirma.

Para o diretor da PED, Manoel Machado, a oferta de qualificação técnica e profissional com a qualidade dos cursos ministrados pelo Senai abrem novas perspectivas aos reclusos, o que reflete diretamente para o bom comportamento da massa carcerária.

“Essa visão humanizada e o apoio do nosso Judiciário e do Ministério Público, que estão sempre aqui na unidade acompanhando nossa rotina e nos ajudando a trazer novas possibilidades de reinserção aos apenados, têm sido fundamentais”’, agradece o dirigente, em referência ao juiz César de Souza Lima e ao promotor Juliano Albuquerque, responsáveis pela execução penal em Dourados.

Além de cursos de qualificação, a PED possui atualmente várias frentes de trabalho, que garantem, além de ocupação lícita, aprendizado na prática de uma profissão. Os internos desenvolvem atividades nas áreas de marcenaria, serigrafia, costura, cozinha industrial, panificação, lavanderia, horticultura, entre outras.

*Notícias MS

Em 2017, 1.106 reeducandos foram capacitados profissionalmente em Mato Grosso do Sul. (Divulgação)

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