19/04/2013 14h34 – Atualizado em 19/04/2013 14h34

Projeto piloto do programa de capacitação do Plano Brasil Sem Miséria forma profissionais para atender mercado de trabalho. Casal que fez curso em Sidrolândia conseguiu emprego no município paranaense de Imbaú

Ministério Público

A indígena terena Sandra Maria Clementino, 39 anos, e seu marido, Gideone, 37, estão de malas prontas. No final deste mês, o casal terena e as duas filhas, de 6 anos e 13 anos, vão trocar a aldeia Tereré, em Sidrolândia (MS), pela cidade de Imbaú (PR). Aluna de uma turma piloto do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) voltada exclusivamente para indígenas, em Sidrolândia, Sandra conquistou um emprego no município paranaense na área de panificação, curso que ela acaba de concluir. O marido, aluno de outra turma do Pronatec Brasil Sem Miséria, terminou em março o curso de eletr icista predial e também conseguiu trabalho formal, no Paraná, na área em que foi capacitado.

“A gente viu nesses cursos uma grande saída para nós, que estávamos sem trabalho e quase sem renda”, conta Sandra. Ela e Gideone estavam desempregados havia mais de um ano. Ele só conseguia trabalhar como diarista e Sandra cuidava do lar. A única renda fixa no orçamento era o Bolsa Família.

Graças ao Pronatec, a vida do casal mudou em pouco mais de três meses. “Foi uma porta aberta para conseguir trabalho formal. Além disso, foi importante para que eu e as outras meninas da turma de panificação conseguíssemos vender produtos na aldeia e ter renda”, diz Sandra.

O Pronatec Brasil Sem Miséria é uma parceria dos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e da Educação (MEC). Por seu intermédio, o governo federal oferece cursos a famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, em situação de pobreza e extrema pobreza. Em todo o país, indígenas participam dos cursos com outros segmentos populacionais do Cadastro Único. Porém, em Mato Grosso do Sul, as lideranças das aldeias reivindicaram turmas exclusivas para índios. Sidrolândia serviu como experiência piloto do Pronatec Indígena.

Os cursos foram ministrados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), entre outubro de 2012 e abril deste ano. Foram oferecidas 46 vagas em três turmas específicas para indígenas: pedreiro, padeiro e costureiro industrial. Do total, 21 alunos receberão o certificado.

MUDANÇA

“O Brasil Sem Miséria está levando os cursos do Pronatec para públicos que antes não tinham acesso a eles: pessoas extremamente pobres, com baixa escolaridade”, assinala o diretor de Inclusão Produtiva do MDS, Luiz Müller. “Houve uma mudança de cultura na relação entre as instituições ofertantes e o público do Brasil Sem Miséria, na forma de acolhimento e na relação cotidiana entre alunos e professores, respeitando as peculiaridades dessa população e mantendo a qualidade dos cursos.”

Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do país. Ao todo, são cerca de 15 mil famílias distribuídas em 73 aldeias e alguns acampamentos. “A partir da experiência de Sidrolândia, estamos passando agora por outras aldeias de Mato Grosso do Sul. Nosso desafio é descobrir a vocação de cada comunidade e oferecer cursos que atendam ao perfil local”, diz a secretária estadual de Trabalho e Assistência Social, Tania Mara Garib.

Para 2013, Mato Grosso do Sul tem a meta de oferecer 15,5 mil vagas do Pronatec Brasil Sem Miséria. O governo do estado está avaliando com as lideranças das aldeias quantas turmas serão destinadas exclusivamente a indígenas. Quatro municípios deverão ser priorizados: Amambai, Caarapó, Miranda e Aquidauana. Juntos, eles têm 26,4 mil índios.

Tania Garib ressalta que o estado tem uma preocupação especial com os indígenas que trabalham no corte da cana-de-açúcar e que ficarão sem emprego por causa do processo de mecanização que está em curso. “Para esse público, o Pronatec é urgentíssimo, é para ontem.”

De acordo com o diretor-geral do Senai em MS, Jesner Escandolhero, a instituição tem feito um esforço para capacitar professores para lidar com as peculiaridades da população indígena. “O Senai já teve experiências anteriores bem-sucedidas com populações indígenas, mas cada etnia guarda particularidades e algumas estão participando dos cursos pela primeira vez nas turmas piloto. Isso tudo foi registrado e agora será discutido com o corpo técnico para que os próximos cursos sejam ainda melhores.”

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