07/03/2012 19h57 – Atualizado em 07/03/2012 19h57

Em Mato Grosso do Sul, mulheres comandam 11 prefeituras, mas participação política ainda é pequena

Edmir Conceição

A prefeita de Três Lagoas, Márcia Moura (PMDB), comentou nesta quarta-feira de manhã, durante a cerimônia de lançamento da campanha “Saúde na Comunidade’, a ascensão da mulher nas várias atividades da vida política, social e econômica. Fez brincadeiras sobre o poder de persuasão da mulher sobre os homens.

“Eles [os homens] comem em nossas mãos”, brincou a prefeita, ressalvando que em verdade, as mulheres estão ocupando espaços e estabelecendo parcerias com os homens. “Queremos os homens ao nosso lado, não à nossa frente”, afirmou a prefeita, durante alusão ao dia Internacional da Mulher, comemorado nesta quinta-feira, 8 de Março.

O discurso, diante de dezenas de mulheres que atuam Agentes Comunitários de Saúde, de Agentes de Combate a Endemias, destacou a determinação da mulher na execução de suas tarefas, a sensibilidade e acredita que o mutirão lançado para combater os focos dos mosquitos que transmitem a dengue e a leishmaniose, será desenvolvido com muito “carinho” pelo exército feminino. “Vocês é que levam o carinho, a atenção e as ações que a nossa administração realiza para preservar a saúde das famílias e melhorar a qualidade de vida das pessoas”, disse,

Mulheres nas prefeituras

A Assomasul (Associação dos Municipios de Mato Grosso do Sul) divulgou em seu site matéria sobre a presença das mulheres na administração municipal. Hoje elas comandam 11 das 78 prefeituras. Outras 12 mulheres são vice-prefeitas. Em nível estadual, uma mulher, Simone Tebet, é vice governadora, e já chegou ao Tribunal de Contas e a representação na Assembleia Legislativa se manteve estável.
O número é considerado ainda acanhado, segundo a Assomasul, que analisa, porém, o aspecto positivo para um quadro onde “há pouco tempo” não se destacava nenhuma mulher à frente do poder público e em outros setores da sociedade.

Um dos argumentos é que a própria mulher na maioria das vezes não costuma buscar espaços na política a fim de postular cargos públicos. Outra versão é que poucos partidos cumprem lei que destina às mulheres 30% das vagas nas chapas de candidatos aos cargos majoritários e proporcionais.

A prova de que a representação feminina é pequena e pode ser vista não apenas em nível nacional, mas em Mato Grosso do Sul, onde dos 24 representantes do povo na Assembleia Legislativa, duas sãos mulheres – Dione Hashioka (PSDB) e Mara Caseiro (PTdoB), além de outras cotas mínimas espalhadas pelas Câmaras de Vereadores.

Na Câmara de Campo Grande, por exemplo, apenas quatro mulheres atuam na Casa, que conta com 21 representantes: Magali Pucarelli (PMDB), Grazielle Machado (PR), Thais Helena (PT) e Professora Rose (PSDB).

O presidente da Assomasul, Jocelito Krug (PMDB), disse reconhecer que, apesar de a representação feminina na política ainda ser muito pequena, a mulher tem se destacado de forma efetiva à frente da administração pública nas três esferas de governo, sobretudo, com atribuições importantes nos poderes constituídos.

Krug avalia que o Dia Internacional da Mulher é importante e fundamental para se fazer uma reflexão sobre a participação feminina no cenário político e eleitoral de Mato Grosso do Sul, assim como em todo País.

Segundo ele, não se pode negar a ascensão da mulher nesse sentido, mesmo ainda diante de tantos preconceitos.

“A presença da mulher nas instituições atinge hoje um novo patamar de representação política e institucional”, observou Krug, lembrando que, além de ocupar cargos dos mais expressivos em Brasília, ela está presente nas bases administrando os municípios e atuando nas Câmaras de Vereadores.

Três das 11 prefeitas ocupam cargos de direção na Assomasul, que são Eledir Barcelos (Santa Rita do Pardo), 2ª vice-presidente; Ilca Domingues (Nioaque), diretora de Relações Públicas; e Maria Odeth (Caracol), suplente do Conselho Fiscal.

O presidente da Assomasul destacou como um dos grandes exemplos de sucesso na vida pública a vice-governadora Simone Tebet, que administrou a cidade de Três Lagoas por dois mandatos.

“Infelizmente, as mulheres ainda enfrentam a exclusão nos espaços de poder econômico, social e político, o que é absolutamente inaceitável no momento em que elas comprovaram que são capazes de gerir a administração pública como ninguém”, elogiou o dirigente, ao parabenizar principalmente as prefeitas sul-mato-grossenses pela data importante.

No atual mandato são prefeitas: Lúcia Regina da Cruz (Antônio João), Maria Odeth (Caracol), Dinalva Mourão (Coxim), Marta Araujo (Eldorado), Ilda Machado (Fátima do Sul), Sandra Cassone (Itaquiraí), Ilca Corral Mendes Domingues (Nioaque), Doutora Maura (Pedro Gomes), Eledir Barcelos (Santa Rita do Pardo), Dona Vera (Taquarussu) e Márcia Moura (Três Lagoas).

Atuam como vice-prefeitas Zélia Bonfim (Bataguassu), Marinalva de Souza Farias da Costa (Caarapó), Márcia do Chitão (Camapuã), Dinaci Ranzi (Dourados), Cleide do Cartório (Figueirão), Francelize da Costa Cordeiro (Itaporã), Tia Biel (Juti), Vânia Leite Faria Parize (Mundo Novo), Romilda Vilela (Novo Horizonte do Sul), Professora Dininha Garcia Gasperini (Paranaíba), Rosangela Silva Baptista (Porto Murtinho) e Tânia Mara Martins Cerveira (Rio Brilhante).

Márcia Moura e a secretária Eliane Brilhante posam ao lado de agentes de saúde, junto com o vereador Jorginho do Gás.

Agentes comunitários de saúde e de combate a endemias são citadas em alusão ao Dia Internacional da Mulher em solenidade. (Foto: Rosildo Moura)

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