Através de um aparelho munido de bateria três-lagoenses se comunicam com o mundo

Em plena era digital há quem recorra a meios de comunicações nem tanto convencionais, como é o caso do radioamador.

O radioamadorismo é um serviço de telecomunicação praticado em quase todos os países do mundo por pessoas habilitadas e licenciadas por autoridades em telecomunicação.

A vantagem é que com um aparelho munido de uma bateria não é necessário energia elétrica ou alta tecnologia para se comunicar com o mundo todo por meio de ondas de radiofrequência. O radioamador é o principal meio de comunicação utilizado em meio a catástrofes naturais. Por meio dele são feitos os comunicados de alerta, pedidos de socorro e até mesmo as respostas de ajuda conseguem ser transmitidas em meio ao caos.

Praticado também por muito como hobby técnico-científico, o radioamadorismo tem também como finalidade ser instrumento de integração de grupos sociais, entidades filantrópicas, além das competições, eventos que calculam comunicações ultra distantes ou mesmo feita a partir dos lugares mais ermos do mundo.

E no Dia do Radioamador (5 de novembro), a reportagem do Perfil News entrevistou três-lagoenses amantes dessa atividade para contarem um pouco de suas experiências.

Eles usam das novas tecnologias para se comunicar, mas se recusam a deixar de lado o bom e velho rádio.

DESDE 1986 em QAP

QAP é a sigla correspondente à frase “Estou na escuta”. E assim permanece o calheiro Sandro Rodrigues,56, há mais de 30 anos no radioamador com o prefixo PT9 SS SANDRO. Ele é um dos pioneiros no radioamadorismo em Três Lagoas.

Foi em 1986 que Sandro falou pela primeira vez em um rádio. “Eu usei o aparelho de um amigo e fiquei apaixonado. De lá para cá nunca mais parei”.

E devido as condições financeiras não serem favoráveis na época, foi só 10 anos depois, em 1995, que Sandro conseguiu comprar seu primeiro rádio. “Era um Audiovox de 23 canais, de frequência AM”.

Atualmente Sandro possui uma coleção composta por mais de 20 rádios. “De todos esses rádios eu opero com apenas quatro em minha bancada. Tenho desde aparelhos dos anos 60 até os mais modernos”.

Sandro comenta que se sente útil e renovado quando está em operação no rádio. “Nos comunicando a curta ou longa distância a gente sente que está cumprindo com nosso papel na sociedade. Muitos de nós agem em situações de emergência, ou até mesmo interagindo com amigos no dia a dia. Eu amo ser radioamador”.

Nos encontros que acontecem pelo Brasil a fora, Sandro participa dos eventos onde os radioamadores se conhecem, reencontram, além de fazerem venda, troca e exposição dos aparelhos mais cobiçados no meio do radioamadorismo.

Sandro tem classificação B para operar. Apesar de já ter colecionados várias histórias, ele ainda tem várias expectativas com o radioamadorismo. “A vontade da gente é de juntar um dinheirinho para poder adquirir equipamentos mais modernos, como antenas de alto ganho, novos rádios. No futuro, quem sabe se não estarei com minha classificação A e com uma super base de operação?”, concluiu.

PAIXÃO DE INFÂNCIA

Rodrigo Pedroso Fernandes, 45, é historiador e também radioamador. Ele conheceu o que hoje é seu hobby ainda criança, mas com o olhar do quão importante era aquela operação. “Um dia eu estava com meu pai na casa de um amigo dele. Ele tinha uma base de rádio em Foz do Iguaçu (PR). Lá eu acompanhei ele atendendo um chamado de ajuda para encontrar uma pessoa desaparecida que estava sendo procurada há muitos anos pelos familiares”. Fiquei fascinado com aquilo”, lembrou.

E foi alguns anos depois, em meados da década de 90, que ele comprou um rádio PX – sigla que se dá para uma banda com frequências abertas para o cidadão comum modular a 11 metros, com frequência de 27 Mhz – e adquiriu a Faixa do Cidadão. Seu prefixo é o Px2Q1968.

Para Rodrigo, ser radioamador é se socializar por meio das transmissões. “É se unir a uma rede mundial para contribuir em ações filantrópicas, fazer amizades. São inúmeras as possibilidades. Eu já conversei com gente do México, Itália, França”.

Os aparelhos utilizados por Rodrigo para se comunicar com pessoas de todo o mundo. (Foto: Arquivo Pessoal)

Há dois anos Rodrigo está aprimorando sua atividade e já tirou a certificação C pela Anatel e pretende montar sua base – também conhecida como shack – para poder operar transmitindo e recebendo emissões de ondas de rádio por todo o mundo.

O FUTURO DO RADIOAMADOR NO BRASIL

Novas tecnologias não substituíram o radioamador, pelo contrário, mesmo perdendo adeptos à prática, o radioamadorismo não morreu, pelo contrário, se reinventou, hoje existem tecnologias que integram o rádio com a internet, aumentando a rede de contatos.

E ainda tem muita onda de rádio para rolar. Segundo o historiador Rodrigo Pedroso Fernandes, “no Brasil existe muita burocracia e taxação de impostos muito grande, que dificultam tanto as licenças quanto a compra dos aparelhos”, mas isso deve mudar.

Ainda de acordo com o historiador, o atual ministro das ciências e tecnologias, Marcos Pontes, tem a promessa de incentivar a ampliação do radioamadorismo facilitando a isenção de impostos e importação de equipamentos e tecnologia para a formação e a pesquisa de ciência e tecnologia nacional.

Marcos Pontes também é radioamador e utilizou a radiotransmissão para se comunicar com a estação espacial internacional enquanto esteve no espaço em 2006.

COMO INICIAR NO RADIOAMADORISMO

Para ser radioamador é preciso ter no mínimo 10 anos de idade – no caso de menores é preciso um adulto responsável – e procurar a agencia do ministério das telecomunicações (em Mato Grosso do Sul está situada na Capital).

Para se aprimorar como radioamador e poder operar em todas as bandas de frequências é necessário passar por provas na ANATEL e tirar as seguintes classificações: C, B, A resguardada a sua classe. Nesses períodos classificatórios o radioamador ganha um prefixo, nome pelo qual será conhecido no meio dos radioamadores.

QUAL O INVESTIMENTO PARA INICIAR NO RADIOAMADORISMO?

Os exames para a certificações são gratuitos, mas existem taxas em torno de R$ 100 a serem pagas. Os rádios custam de R$ 500 a R$ 100 mil reais. Para montar uma base com rádio, antena, o investimento médio é de R$ 6 mil.

O PATRONO DOS RADIOAMADORES

Padre Landell de Moura (Reprodução)

Os radioamadores tem como patrono o Padre Landell de Moura (1861-1928). O gaúcho foi inventor do rádio e do telégrafo sem fio, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento das comunicações e das ciências em geral. Sua primeira patente registrada foi em 1896.

ORIGEM DA COMEMORAÇÃO

O Dia do Radioamador é comemorado no dia 5 de novembro porque na mesma data, no ano de 1924, as estações de radioamadores foram regulamentadas no Brasil, por meio do decreto de nº 16.657.

Mas antes disso, até o ano de 1968, a celebração pelo Dia do Radioamador acontecia no dia 22 de outubro, tendo como referência a data da primeira sessão da Assembleia Geral dos Radioamadores Paulistas e Cariocas, que criaram a LABRE (Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão), em 22 de outubro de 1934.

E as comemorações não para por aí. Em 18 de abril é celebrado o Dia Mundial do Radioamador. A data foi estabelecida em homenagem a fundação IARU (International Amateur Radio Union).

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