Idiomas, comportamento firme, identificação de ideias – o Perfil News aproveitou o começo do ano para contar o que pensa a recrutadora da Eldorado Brasil e o que você precisa para chamar a atenção das grandes empresas

Ana Carolina Terrarini, Gestora de Atração e Seleção da Eldorado Brasil. Foto: Divulgação

Começo de ano e as promessas costumam ser as mesmas: emagrecer, entrar para a academia, aprender idiomas, trocar de emprego. Ou conquistar um, para quem está desempregado.

Pensando nos três-lagoenses que vivem a busca pela recolocação – ou que pretendem entrar em uma das grandes empresas da cidade – o Perfil News conversou com a Gestora de Atração e Seleção da Eldorado Brasil, Ana Carolina Tessarini, para entender o que a empresa procura em um colaborador.

“Sabemos que, para muitas pessoas, entrar em uma empresa como a Eldorado é um sonho”, disse a responsável por uma das áreas mais admiradas da Eldorado – a de Seleção. O Perfil News perguntou para ela quais os primeiros passos que deve seguir quem quiser se candidatar a uma vaga na Eldorado. Acompanhe abaixo as dicas da gestora.

Preparação

Antes mesmo de pensar em preparar o currículo a pessoa precisa ficar competitiva para o mercado. “Avaliamos os perfis comportamental e técnico dos colaboradores. Vemos suas habilidades e atitudes, além da sua formação: graduação, pós-graduação, cursos”.

Um dos itens que a recrutadora mais frisou foi a questão dos idiomas. “É raro encontrar alguém que fale mais de uma língua na região. É muito importante ter habilidade com outros idiomas”, diz.

O currículo

O currículo precisa ser sucinto, com as informações de experiências e conhecimentos técnicos. A parte de habilidades comportamentais será avaliada em uma futura entrevista.

É necessário constar informações de formação, escolaridade, idiomas, experiências e principais resultados obtidos na carreira. O profissional precisa mostrar que tem o que a empresa precisa para agregar valor ao negócio.

A importância da tecnologia

Os processos seletivos estão cada vez mais online, então é importante que as pessoas tenham familiaridade com tecnologia, mesmo para cargos mais básicos. Em alguns casos, Ana Carolina afirma que os currículos são aceitos por meios físicos (papel impresso) mas apenas para cargos que não exijam conhecimentos mais apurados em tecnologia. A maior parte do processo seletivo, entretanto, é mesmo pela internet.

“Tem profissão em que os candidatos não têm conhecimento em relação a ferramentas tecnológicas. Nesse caso o porta a porta é condição indispensável para ele ser recolocado”, afirma. Mesmo assim, a tendência é que, cada vez mais, os processos sejam feitos baseados em tecnologia.

Tecnologia no RH

Na Eldorado está sendo implementada inteligência artificial para automatização dos processos seletivos. Trata-se de uma ferramenta específica de tecnologia que cruza, através de algoritmo, dados sobre a cultura do profissional com as conexões para esse profissional chegar ao processo seletivo.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay 

“As empresas buscam muito o business intelligence”, disse. “Por meio de gestão de indicadores, há uma procura por uma visão mais analítica do que operacional para otimização de processos”, afirmou.

Dessa forma, a tendência é que conhecimentos em tecnologia e gestão acabarão sendo cobrados de todos os candidatos e pode ser um diferencial na hora de tentar uma vaga.

Na entrevista

Digamos que você passou pela primeira fase e acabou chamado para a entrevista. Como se comportar? O que o RH da Eldorado espera de você?

“Nós precisamos saber do candidato o que ele quer e como faz para chegar onde ele quer. Quando perguntamos em um processo seletivo quais as expectativas quanto à posição, quanto à sua carreira, esse profissional precisa saber se posicionar com confiança e segurança”, disse Ana Carolina.

Outra dica da selecionadora é que a pessoa tenha uma fluência verbal adequada para que o interlocutor entenda perfeitamente o que profissional está falando e quais informações está trazendo.

Além disso, é necessário deixar claro que ele tem uma carreira, o que ele produziu, quais são os resultados e seus objetivos profissionais.

Online ou pessoalmente

Hoje em dia muitas entrevistas acabam acontecendo online – o que é um desafio para algumas pessoas. Seduzido pela informalidade da internet, o profissional pode cometer deslizes. “Mesmo online o profissional tem que se preocupar com a postura, em conduzir a entrevista de maneira segura, passar credibilidade. Independente se for pessoalmente ou online”, disse Ana Carolina.

Imagem de Tumisu por Pixabay

Oba! Fui aprovado!

Pode comemorar: você recebeu o “sim” do recrutador e está contratado. Mas a sua maratona não terminou. Com a alta competitividade dentro das empresas, o desafio será se manter na posição. “O profissional precisa de entrega e conhecimento. Cada vez mais ele vai ter que ser competitivo. Hoje há gerações muito mais novas que a gente que falam cinco idiomas. É cada vez mais comum entrevistarmos profissionais de 21 anos que já falam mandarim, inglês, francês. O movimento é totalmente diferente do que era”, alerta.

Especialização dos três-lagoenses

Para a especialista, muitos cargos da indústria já são preenchidos aqui mesmo na cidade – diferente de anos atrás, onde muitos profissionais precisavam ser buscados fora da cidade. No entanto, alguns cargos ainda exigem pessoas de outros lugares. “Para algumas posições mais seniores ainda há um gap na região de Três Lagoas. Para posições de diretoria e coordenação, por exemplo, ainda não encontramos na região um profissional com experiência e conhecimento técnico que a gente precisava”, diz.

Mas isso também deve acabar: para ela, os profissionais de nível médio estão se atentando a essa oportunidade e começando a se preparar. “Há uma conscientização de profissionais em posições intermediárias de liderança de que eles precisam correr um pouco mais para serem competitivos na região. É uma luz no fim do túnel”.

E quem está iniciando carreira

Capital Nacional da Celulose, Três Lagoas e região só devem crescer em relação ao setor. No Mato Grosso do Sul, uma nova fábrica deve ser aberta, em Ribas do Rio Pardo nos próximos anos. Sabendo disso, é importante treinar os estudantes hoje para que eles estejam preparados para o mercado de trabalho amanhã.

A própria Ana Carolina já esteve em reuniões com a Secretaria de Educação de Três Lagoas e visitando escolas de toda a região para discutir a formação dos alunos. “As pessoas precisam estar muito bem preparadas. Isso começa na escola, nos estudos”. Ana Carolina lembra que, recentemente, a Eldorado contratou 91 aprendizes e que precisavam de pessoas com boa formação básica, porque a intenção é efetivar esses aprendizes.

O desafio da empresa

Da mesma forma em que há o desafio dos profissionais em se especializarem e se prepararem para tentar uma boa colocação no mercado de trabalho há também o desafio da empresa em reter bons profissionais. Especialmente em uma cidade como Três Lagoas, capital nacional da celulose – e onde outras empresas do ramo – de todo o Brasil – vêm garimpar profissionais.

Para manter seus profissionais, a Eldorado aposta em programas de retenção baseados na parte financeira, em promoções, projetos, treinamentos e desenvolvimento. “Se o profissional achar a empresa desafiadora, sustentável e for engajado ele vai se reter na organização”, diz.

Outro desafio citado por Ana Carolina é olhar mais para o estratégico do que para o by-the-book – daquele jeito mais “quadradinho” e tradicional.

“Hoje buscamos olhar com mais detalhe para a inclusão e diversidade. É uma forma de atrair profissionais e agregar valor para o negócio e para os resultados, porque já foi comprovado que diversidade traz um boom para o faturamento das organizações, então passaremos a olhar mais no detalhe para essa questão”.

“Cada vez mais as pessoas querem trabalhar na Eldorado. Elas vêm de famílias que já trabalham na empresa. É muito comum para a gente, temos noção da nossa função social, de como a companhia impacta na vida das pessoas e o quanto é um sonho trabalhar aqui”, conclui.

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