Verba é fruto de multa por descumprimento de acordo firmado com empresa que violou a legislação trabalhista e serão investidos na aquisição de insumos e de equipamentos – como microcentrífuga e computadores

O Campus de Três Lagoas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul se prepara para realizar o diagnóstico molecular da Covid-19 e desenvolver linhas de pesquisas associadas às mutações e à variabilidade genética do novo coronavírus, atividades essenciais para direcionar políticas públicas que possam aplacar as consequências da pandemia.

As adaptações no Laboratório de Genética e Biologia Molecular para receber os novos desafios têm início ainda neste mês e parte dos recursos que serão investidos na aquisição de insumos e de equipamentos – como microcentrífuga e computadores – chega por meio de destinações feitas pelo Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) e pela Justiça do Trabalho. A verba de R$ 35,3 mil é fruto de multas por descumprimento de acordos firmados com empresas que violaram a legislação trabalhista. A procuradora do Trabalho Priscila Moreto de Paula, que propôs as doações, enfatiza que projetos como esse “possuem incontestável relevância no combate à pandemia de Covid-19”.

De acordo com o professor e coordenador do projeto, Édis Belini Junior, o uso do espaço carrega uma função social que transpõe a habitual análise de testes para detectar o contágio pelo novo coronavírus. “O intuito é deixar um legado com pesquisas ao final da pandemia, que serão determinantes no acompanhamento de situações como esta da Covid-19. Nossa meta é tentar entender como esse vírus está evoluindo em Três Lagoas e em moradores da nossa região. Para isso, há uma equipe composta por estatísticos e epidemiologistas que estará atuando na criação e validação de modelos matemáticos, com significativas repercussões para a saúde pública local”, observou. Em um primeiro momento, o laboratório projeta analisar cerca de 60 amostras do teste molecular RT-PCR por dia.

Telemedicina

Em paralelo ao aproveitamento do laboratório como centro de diagnóstico e de pesquisa da Covid-19, no local é também desenvolvido um projeto voltado ao uso da telessaúde para esclarecer dúvidas relacionadas ao novo coronavírus e conscientizar pessoas carentes quanto à importância de observar os protocolos preventivos. Na prática, o serviço visa contribuir, a distância, com a intervenção precoce em casos suspeitos e com a redução de deslocamentos até unidades hospitalares na costa leste de Mato Grosso do Sul.

Face Shield

Face shields feitos no IFMS. Foto: Divulgação

O estímulo do Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho com a reversão de valores para combater a pandemia também chegou ao Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), Campus Três Lagoas, que recebeu aproximadamente R$ 62 mil para a compra de três impressoras 3D. Os equipamentos vêm sendo utilizados na produção de máscaras de proteção facial, do tipo Face Shield. A expectativa é fabricar 1,7 mil equipamentos que serão repassados para centros de saúde e Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, em Três Lagoas, além do Hospital Regional de Campo Grande.

Outros R$ 11,6 mil foram aplicados na aquisição de uma capela de fluxo laminar, que contribui para a proteção de amostras manipuladas. O equipamento serve para promover a recirculação de 100% do ar dentro dos laboratórios, criando áreas de trabalho estéreis ao manuseio de materiais biológicos que não podem sofrer contaminação do meio externo.

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