14/03/2012 19h58 – Atualizado em 14/03/2012 19h58

Três Lagoas não tem energia suficiente para atender comércio

Pedido de aumento de carga para instalação de ar-condicionado leva de 45 a 60 dias para ser atendido

Edmir Conceição

A Elektro, concessionária da distribuição de energia em Três Lagoas, está operando no limite no município, a julgar os problemas que o comércio enfrenta quando se vê na necessidade de aumentar o consumo. De acordo com fontes da empresa, no entanto, há suporte para atender o município e a falta de carga ocorre em qualquer situação em que a concessionária não é informada sobre alterações de ramos de atividade que exigem instalação de equipamentos de grande consumo.

O empresário Reginaldo Torres Nogueira, da empresa de informática Giga Byte, por exemplo, se diz insatisfeito com a situação. Há cerca de 30 dias ele instalou aparelho de ar condicionado de 60 mil BTUs em seu estabelecimento, na rua Dr. Eloy Chaves, mas foi informado que deveria se utilizar da rede trifásica, devendo protocolar pedido de carga. Ele fez o pedido, mas amarga a espera de energia para acionar o equipamento.

“É até curiosa essa situação. Temos uma usina hidrelétrica (Jupiá) aqui ao lado, uma termelétrica e estamos no centro do complexo de Urubupungá, que inclui outras duas hidrelétricas – Ilha Solteira e Sérgio Motta -, mas não dispomos de energia imediata”, diz o empresário, que esperava dar mais conforto aos clientes e atrair novos consumidores nesse período de forte calor.

De acordo com a Elektro, a empresa tem suporte para e energia nos 150 quilômetros de rede na cidade. No entanto, por causa da velocidade do crescimento da cidade, segundo a concessionária, os habitantes, incluindo as empresas, passaram a instalar equipamentos que consomem energia em número maior que a demanda convencional, gerando assim uma sobrecarga no sistema de distribuição.

INFRA-ESTRUTURA & PROGRESSO

“Há um grande consumo e muitos não comunicam a instalação de equipamentos, gerando assim uma demanda que aparenta estar reprimida”, revelou fonte da empresa, que não soube dizer de imediato, porém, se a concessionária dispõe de uma análise da situação e se há projeção sobre o aumento da demanda na cidade, que está recebendo algo em torno de R$ 15 bilhões de investimentos do conglomerado de celulose e papel (Fibria, International Paper e Eldorado) e do setor de energia e petróleo (Petrobras).

A expansão industrial de Três Lagoas provoca demandas nas áreas de infra-estrutura e logística, infra-estrutura urbana e de serviços públicos. No setor elétrico, já era previsível o aumento do consumo, não só na indústria e comércio, mas também na faixa residencial, que faz uso mais intenso de equipamentos de refrigeração por causa das altas temperaturas registradas nos meses de janeiro e fevereiro, além da melhoria das condições econômicas e de emprego.

“Na medida que recebemos o pedido de aumento de carga, em razão do consumo, providenciamos a instalação de fiações e transformadores”, disse técnico da Elektro consultado pelo Perfil News, notando que a disponibilização de energia é feita de acordo com as necessidades para que não haja desperdício.

No caso da empresa citada, a Elektro confirmou o pedido de aumento de carga em rede trifásica, mas ressalvou que a concessionária tem prazo de até 45 dias para atender ao pedido. No entanto, para o caso mencionado, a informação é de que “o pedido encontra- se aguardando providências para início da obra com o prazo de atendimento até dia 27/04/2012”.

Desde abril do ano passado a Elektro passou a fazer parte da Iberdrola. Com a sua venda para o grupo espanhol, a Elektro se tornou uma das cinco maiores empresas do setor elétrico do mundo. A área de concessão alcança 223 municípios do Estado de São Paulo e cinco cidades em Mato Grosso do Sul.

ENERGIA DA CELULOSE

A Fibria, que tem parque industrial no município e fornece celulose à International Paper (IP), também instalada em Três Lagoas, trabalha com excedente de energia. O gerente geral de Meio Ambiente Industrial da companhia, Umberto Cinque, em entrevista à imprensa especializada, avaliou que a fábrica em Três Lagoas poderia elevar o excedente de energia na rede local dos atuais 30 MW para 150 MW. Esse volume não considera eventual repasse energético para a IP.

Atualmente, 80% da energia consumida pela companhia são provenientes de recursos renováveis. Hoje, quase 85% da matriz energética da indústria de papel e celulose provém do uso de licor negro (subproduto da celulose) e de biomassa, por isso o consumo de energia pelo setor é pouco expressivo.

Transformador em rede de energia na rua Eloy Chaves não aguenta consumo de ar condicionado na loja Giga Byte. (Foto: Ricardo Ojeda)

Loja de informática vai esperar pelo menos até 60 dias para ligar ar condicionado por falta de carga na rede da Elektro. (Foto: Ricardo Ojeda)

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