20/11/2006 17h13 – Atualizado em 20/11/2006 17h13

Estadão

O técnico Muricy Ramalho já avisou que não pretende escalar o goleiro-artilheiro Rogério Ceni na linha, e o próprio jogador já afastou essa possibilidade, mas a regra do futebol não é impedimento para que o capitão do São Paulo jogue ao menos alguns minutos como atacante na reta final do Brasileirão, agora que o título está garantido. A medida faria a alegria definitiva dos torcedores são-paulinos, que pedem a presença de Rogério Ceni como atacante no domingo, contra o Cruzeiro, quando o clube receberá da CBF o troféu oficial pela conquista do Campeonato Brasileiro, e que será o último jogo da equipe no Morumbi na competição – depois, ainda haverá a partida contra o Paraná, dia 3 de dezembro, em Curitiba. A regra 3 do futebol, que fala do número de jogadores, é bastante clara ao dizer que o goleiro pode ser modificado a qualquer momento, com duas condições: que o árbitro e o time adversário sejam informados da alteração, e que ela seja feita com a bola parada. É preciso respeitar também a regra 4, que aborda o uniforme dos jogadores, e diz que todos os jogadores de linha devem vestir uniformes rigorosamente iguais, enquanto o goleiro deve usar uma roupa que o diferencie do seu time, dos adversários e do trio de arbitragem. Assim, Muricy poderia dar ao capitão do time a chance de atuar como atacante, por exemplo, por alguns minutos, no fim da partida. Bastaria substituir um jogador de linha pelo goleiro Bosco, e Rogério Ceni vestir um uniforme branco, igual ao dos outros jogadores, com o mesmo número de sua camisa de goleiro. A idéia tem o respaldo da área de marketing do São Paulo, mas Muricy Ramalho já avisou, desde o fim do jogo contra o Atlético Paranaense, no domingo, que fazer isso seria um desrespeito com os adversários. Rogério Ceni usou a mesma justificativa. E pode haver, além disso, um impedimento físico: ele acaba de se recuperar de uma lesão muscular sofrida justamente quando brincava na linha, num treino, com outros goleiros e membros da comissão técnica, e pode não querer se arriscar a uma nova contusão. Exemplos latinos Se ao marcar gols de falta Rogério Ceni foi comparado ao paraguaio Jose Luis Chilavert, se Rogério atuar por alguns minutos que seja na linha vai igualar o feito de outro goleiro latino-americano, o mexicano Jorge Campos. Dono da camisa 1 de sua seleção nas Copas de 1994 e 1998, Campos, baixo para jogar no gol e conhecido pelas roupas em cores berrantes, também gostava de atuar no ataque. Na temporada de 1988/1989, por exemplo, atuando pelo Pumas, ele jogou mais no ataque do que como goleiro, e marcou 14 gols, terminando como artilheiro do time no Campeonato Mexicano daquele ano. Depois, passou a jogar mais como goleiro, mas sempre dava um jeito de atuar ao menos uma vez por ano como atacante – em 1997, jogou por 12 minutos na linha, na campanha da conquista do Torneio Clausura, com o Cruz Azul. Na sua despedida, num jogo de veteranos do México contra veteranos do Brasil, que marcou também uma das despedidas de Romário na seleção, Campos foi goleiro no primeiro tempo, e foi para a linha no intervalo com o México vencendo por 1 a 0. Mas seu substituto, Fernández, levou dois gols de Romário, Campos pouco fez lá na frente e o Brasil ganhou por 2 a 1 o jogo, disputado em Los Angeles. Campos já se aposentou e foi auxiliar-técnico de Ricardo Lavolpe na seleção mexicana durante a Copa de 2006.

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