13/04/2016 11h21 – Atualizado em 13/04/2016 11h21

Aristides dos Santos diz que seu depoimento não tem relação com o objeto da comissão

Da redação

O secretário de Finanças e Administração da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Veras dos Santos, afirmou há pouco que o seu testemunho à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Funai e Incra “não tem muito o que ajudar no objeto da comissão”. Ele disse que vai exercer o direito de ficar em silêncio, por orientação de seu advogado. O depoente tem liminar do Supremo Tribunal Federal que lhe garante o direito de permanecer em silêncio na CPI e de ser assistido por seu advogado.

Aristides se limitou a dizer que a Contag tem 52 anos de história, representa 20 milhões de trabalhadores rurais, e tem mais de 4 mil sindicatos filiados.

Após a fala inicial do depoente, o relator da CPI, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), afirmou que lamenta que “quem falou tanto dentro da estrutura do Palácio do Planalto vai ficar calado na Casa do povo”. O pedido de oitiva com o secretário da Contag foi feito pela deputada Tereza Cristina (PSB-MS). Ela argumenta que, em cerimônia no Palácio do Planalto, no dia 1 de abril, Aristides incitou a violência e o cometimento de crimes, ao incentivar que os trabalhadores rurais ocupassem gabinetes e fazendas de parlamentares.

“Foi uma ameaça a todos que são a favor do impeachment”, argumentou Leitão. Ele acrescentou ainda que, por coincidência ou não, houve invasão da propriedade do líder do PMDB no Senado, senador Eunício Oliveira (CE).

O relator afirmou ainda que Aristides reside em apartamento na Asa Sul, questionou onde ele exerce a atividade de agricultura e disse que o padrão de vida do depoente é muito distinto dos trabalhadores que ele representa. O parlamentar questionou ainda como foram pagas diversas viagens internacionais do secretário da Contag e perguntou se os trabalhadores que ele representa sabem que ele possui o carro Honda Civic no valor de R$ 60 mil. Além disso, perguntou se esses agricultores o autorizaram “a falar em nome deles defendendo um partido político e a presidente Dilma Rousseff”.

Tensão

A deputada Erika Kokay (PT-DF) tentou fazer questão de ordem dizendo que as perguntas não tinham relação com o escopo da CPI e que a comissão estaria fazendo “polícia política”. O presidente da comissão, deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), respondeu que não haveria questão de ordem durante a fala do relator, causando protestos da deputada e iniciando confusão na CPI. Moreira restituiu o tempo do relator a cada interrupção.

A reunião já começou em clima tenso. O deputado Glauber Braga (Psol-RJ) questionou a decisão do presidente da CPI de não colocar em votação a ata da sessão anterior. Moreira disse que a ata não está pronta e que a votação do documento é apenas protocolar e seria feita na próxima reunião. Para Braga, sem a votação da ata, a reunião desta quarta-feira não poderia nem mesmo ser realizada.

A reunião da CPI prossegue no plenário 9.

(*) Câmara Legislativa

Aristides se limitou a dizer que a Contag tem 52 anos de história, representa 20 milhões de trabalhadores rurais, e tem mais de 4 mil sindicatos filiados. (Foto: Divulgação)

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