17/11/2006 06h44 – Atualizado em 17/11/2006 06h44

Ig

O relatório preliminar da comissão que investiga o acidente com o avião da Gol foi divulgado nesta quinta-feira. Segundo o documento, não houve solicitação por parte da tripulação do jato Legacy ao Centro de Comando de Vôo de Brasilía para que houvesse mudança no plano de vôo da aeronave. Depois da apresentação do relatório parcial do acidente do Gol com o Legacy dia 29 de outubro, o Comando da Aeronáutica informou que vai suspender as buscas ao corpo do último passageiro do Boeing, o bancário Marcelo Paixão Lopes. Apesar disso, segundo o coronel Rufino Ferreira, chefe do Centro de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) qualquer conclusão sobre os responsáveis pelo acidente será prematura. “Qualquer conclusão neste momento será prematura. Nós dependemos da coleta dos dados”. O coronel afirmou que as investigações não têm o objetivo de apontar responsáveis. Segundo o coronel, a investigação prioriza os chamados “pontos focais”. Segundo ele, os pontos a serem investigados são: o funcionamento do transponder e equipamentos de radionavegação do Legacy, o conhecimento e preparo previstos para os pilotos do Legacy necessários para o vôo, aspectos relativos às normas e procedimentos para navegação aérea no Brasil e no mundo e o funcionamento dos equipamentos e sistemas de vigilância aérea no Brasil. “Esses pontos focais serão extremamente importantes para a conclusão desse caso”, completou o coronel. Divididos em três grupos, os investigadores apuraram fatores operacionais, materiais e também humanos que pudessem levar ao choque entre as duas aeronaves. O relatório destaca, entre outras coisas, o descumprimento do plano de vôo por parte dos pilotos americanos do Legacy, a inexistência de sombras na rede de comunicação via rádio e de radares, além de traçar um perfil sobre o formação dos pilotos dos aviões e dos controladores de vôo envolvidos no caso. Plano de vôo Segundo o relatório preliminar, a instrução dada ao comandante do jato Legacy era para que seguisse para Brasília utilizando o nível 37 mil pés e depois mudasse para 36 mil pés e efetuasse uma terceira mudança voltando para os 37 mil pés. O coronel Rufino Ferreira confirmou que o Legacy passou por Brasília sem descer aos 36 mil pés, afirmando que nem o Legacy solicitou mudança no plano de vôo, nem o Controle de Brasília autorizou ou fez qualquer mudança no plano de vôo inicial. O avião da Gol voava em 37 mil pés, o que causou uma colisão entre a frente dos dois aviões. Falha de comunicação As investigações, no entanto, mostraram que a comunicação entre os pilotos e os controladores de vôos em alguns momentos falharam, inclusive, minutos antes da colisão entre o jato e o avião da Gol. “As falhas na comunicação podem ter contribuído para o acidente”, admitiu, o coronel, que lembrou que o transponder do Legacy – equipamento que deveria alertar ao piloto do jato a presença de outra aeronave – teve problemas. “O que eu tenho no momento não é certeza de que ele (transponder) não funcionou, mas de que a informação que ele transmite não estava chegando”. Uma das maneiras de saber sobre as falhas de comunicação entre os pilotos do Legacy e os controladores serão as entrevistas que o coronel deve fazer com os funcionários do Controle. Questionado porque essas entrevistas ainda não foram feitas, ele disse apenas que espera o momento certo. O documento mostra ainda detalhes e horários exatos de contato entre o jato, o Boeing e a torre de comando em Brasília. Segundo o relatório, os controladores de Brasília tentaram entrar em contato com o Legacy por sete vezes, sem sucesso. O piloto do jato também tentou falar com o Controle em sete tentativas, igualmente, sem respotas. As investigações mostraram que não houve problema de comunicação entre o Controle de Brasília e o avião da Gol. Os dados extraídos das caixas-pretas e os diálogos gravados pelos centros de controle do tráfego aéreo de Brasília (Cindacta-1) e Manaus (Cindacta-4) deverão permanecer sob sigilo. Como essas informações ainda estão sendo interpretadas, o Comando da Aeronáutica optou por tornar público apenas os registros concretos, que não podem ser contestados. Início das investigações Segundo o coronel, a investigação sobre o acidente ainda está na primeira fase, a de coleta de dados. Depois, o processo todo possui ainda terá quatro fases: a análise das informações coletadas, um conclusão preliminar, a conclusão final e as recomendações, e finalmente o relatório final. O relatório final do acidente ainda não tem data para ser emitido, mas a previsão é de que fique pronto no próximo ano. Ao final da entrevista coletiva o coronel foi se encontrar com familiares das vítimas do acidente – que já possuem uma cópia do relatório – para tirar dúvidas.

Comentários