27/09/2013 16h44 – Atualizado em 27/09/2013 16h44

Reserva ambiental no MS investe em estruturas para o ecoturismo

A beleza e biodiversidade do Parque Nacional da Serra da Bodoquena são atrativos ideais para a prática do ecoturismo

Da Redação

Encontrar dois fragmentos de Mata Atlântica incrustados em meio ao Cerrado e próximos do Pantanal é o tipo de maravilha natural que só acontece em terras diversas como as do Brasil. Proteger este rico e interessante fenômeno da natureza é a principal função do Parque Nacional da Serra da Bodoquena. A unidade de conservação federal do Instituto Chico Mendes (ICMBio) é a única implantada integralmente no estado de Mato Grosso do Sul.

O parque, criado no ano 2000, possui 76.481 hectares divididos em dois fragmentos: o sul, com 48.688 hectares, e o norte com 27. 793. “O ideal é que se tenham unidades de conservação mais circulares com um fragmento único, no entanto, uma estrada antiga, que já tinha fazendas no seu entorno, separou as duas áreas de serra”, explica Sandro Pereira, chefe do parque.

A flora característica do parque é composta predominantemente de matas secas e florestas ciliares. Também é possível identificar, ainda que em menor expressividade, a ocorrência da savana florestada, mais conhecida como cerradão. Quanto à fauna, mais de 410 espécies de animais diferentes habitam a região, sendo 320 delas apenas de aves. Dentre os pássaros que podem ser contemplados estão a arara-azul-grande, a águia-cinzenta e a harpia, considerada a águia mais pesada do mundo e a segunda maior ave existente. Por sua raridade e imponência, a harpia foi escolhida como a mascote do parque e está presente na logomarca da reserva.

A beleza e biodiversidade do Parque Nacional da Serra da Bodoquena são atrativos ideais para a prática do ecoturismo. No entanto, questões políticas ainda dificultam a abertura do espaço para visitações públicas. Sandro Pereira esclarece que normalmente áreas de conservação são criadas em cima de áreas privadas e que é preciso indenizar os proprietários antes da desapropriação do local. O que acontece no Parque Nacional da Serra da Bodoquena é que apenas 18% de sua área foi desapropriada. “Ainda é preciso indenizar e desapropriar 72% da área do parque. Isso é muito complicado porque na prática só temos gestão sobre 18% deste território”, afirma o chefe da unidade de conservação.

O novo Código Florestal determina que toda propriedade ou posse rural deve possuir uma área de Reserva Legal, ou seja, uma porcentagem de terra destinada à conservação do ambiente natural da região. No caso do Mato Grosso do Sul, essa área deve representar 20% das propriedades. Pensando nesta lei, o Governo do Estado está avaliando a possibilidade de autorizar a Compensação de Reserva Legal. A medida autorizaria que proprietários de terras da região comprassem áreas de reserva em quantidade equivalente à necessidade de preservação exigida. Com isso, áreas do Parque Nacional da Serra da Bodoquena poderiam ser indenizadas e, enfim, desapropriadas.

(*) Com informações de Assecom Painel Florestal

Parque Nacional da Serra da Bodoquena pretende inaugurar, em 2014, pelo menos duas atividades voltadas para o turismo ecológico e sustentável (Foto: Painel Florestal)

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