15/04/2014 18h07 – Atualizado em 15/04/2014 18h07

Moka sugere que levantamento sobre violência contra a mulher seja refeito

Para o senador de MS, os dados divulgados – e depois corrigidos pelo IPEA – tiveram graves consequências

Assessoria

O presidente da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), senador Waldemir Moka (PMDB), sugeriu à direção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que seja refeita a pesquisa com o objetivo de avaliar a opinião dos brasileiros e brasileiras sobre práticas de violência contra a mulher.

Em audiência pública sobre o tema, realizada nesta terça-feira (16) pela CAS, em conjunto com a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), o senador Moka lembrou que os dados divulgados – e depois corrigidos pelo IPEA – tiveram graves consequências. “O resultado inicial criou um ruído que permaneceu. Repetir a pesquisa é fundamental, porque parece que o próprio erro justificou a situação, e isso ficou muito ruim. Se são 65% das pessoas ou 26%, não importa, a visão ainda é muito grave”, contestou o senador.

Moka, que preferiu participar dos debates e deixar que as senadoras presidissem a reunião, se referiu à pergunta que tentou traduzir a visão dos entrevistados sobre a questão do estupro e que motivou reações nas redes sociais e repercussão internacional.

INDUÇÃO AO ESTUPRO

Segundo a primeira divulgação do relatório, 65,1% concordam com a frase “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”, mas depois o Ipea reconheceu o erro em relação ao dado. Diferente do divulgado inicialmente pelo Instituto, 26% dos brasileiros concordaram com a pergunta e não 65%.

O senador analisou também os questionamentos e metodologia do levantamento. “Perguntar para as pessoas, por exemplo, que se “em briga de marido e mulher se coloca a colher” é repetir um ditado popular. Claro que muita gente vai concordar, porque a frase está no cotidiano do brasileiro”, destacou o senador ao comentar os resultados sobre violência. A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) apoiou as ponderações do presidente da CAS.

Divulgado sob o título “Tolerância social à violência contra as mulheres”, o relatório concluiu que 58,5% dos entrevistados concordam totalmente (35,3%) ou parcialmente (23,2%) com a frase “Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”. Ainda segundo o levantamento, 37,9% discordam totalmente (30,3%) ou parcialmente (7,6%) da afirmação e 3,6% se dizem neutros em relação à questão.

CAMPANHA

Houve uma reação encadeada de críticas, especialmente por meio das redes sociais. A jornalista Nana Queiroz, uma das convidadas para a audiência no Senado, lançou a campanha “Não mereço ser estuprada”, seguida por homens e mulheres. Durante o debate nas Comissões, ela defendeu a necessidade de campanhas e políticas sociais que incluam a concientização. “O brasileiro não tem ideia da violência que é o estupro”, alertou ao relatar casos de crianças víimas de violência sexual.

Participaram também o diretor de Estudos e Políticas do Estado, Instituições e da Democracia do Ipea, Daniel Cerqueira; a coordenadora geral de Ações de Prevenção em Segurança Pública, da Secretaria de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Beatriz Cruz; o coordenador de Indicadores e Informações em Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Andrei Suárez Dillon Soares; e a secretária Adjunta de Enfretamento à Violência Contra as Mulheres da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Rosângela Rigo.

POLÍTICAS PÚBLICAS

A senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), vice-presidente da CAS, lembrou a importância do investimento em políticas públicas de combate à violência contra a mulher e ressaltou propostas legislativas já aprovadas pelo Congresso, como o projeto que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) atenda as mulheres vítimas de violência. Anunciou ainda que a Procuradoria da Mulher do Senado pediu que o Ministério Público e o Ministério da Justiça investiguem publicações na internet que possam incitar a violência contra a mulher.

A senadora Ana Rita (PT-ES), presidente da CDH, pretende realizar outros debates sobre o assunto. “Colocamos foco no tema e não podemos nos omitir”, concluiu a senadora. (Assessoria Parlamentar)

Os senadores Valdemir Moka e Vanessa Grazziotin, presidente e vice da Comissão de Assuntos Sociais (Foto: Divulgação)

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