06/09/2014 09h32 – Atualizado em 06/09/2014 09h32

Diretor afirma que hospital não tem condições de manter terapia oncológica. Paciente morreu cerca de um mês depois que hospital retomou serviço

Da Redação

Diante das investigações policiais sobre mais uma morte de paciente da quimioterapia da Santa Casa de Campo Grande, o diretor técnico do hospital, Luiz Alberto Kanamura, admitiu que a instituição não tem condições de se manter na terapia oncológica. O paciente Adolfo Coelho de Souza fazia tratamento contra um câncer no aparelho digestivo e morreu no dia 29 de agosto, cerca de um mês depois que o hospital reassumiu os serviços de oncologia. O prontuário aponta que houve falha na aplicação do medicamento ao paciente.

“Isso revela mais que tudo que a Santa Casa não tem a expertise e intenção de se manter na terapia oncológica, ou seja, é uma area que precisa de pessoas extremamente especializadas com comprometimento principalmente com o todo do paciente e não so com um tipo de medicação e que tenha treinamento e monitoramento para isso. Coisa que faz bem quem só faz isso”, disse Kanamura.

Adolfo fazia a primeira sessão de quimioterapia no dia 14 de agosto. Foi quando a cuidadora de idosos Elza de Oliveira percebeu que algo estava errado no tratamento. “O medicamento estava correndo muito rápido, e o aparelho tinha umas luzinhas para indicar, para mostrar se estava normal ou não. Aí a luzinha ficava disparada e apitando”, relatou.

O aparelho a que Elza se referia é uma bomba de infusão, usada para regular o fluxo do medicamento aplicado diretamente na circulação sanguínea do paciente. No protuário, o médico relata indícios de superdosagem: “Paciente iniciou quimioterapia ontem internado. Fui informado pela enfermagem que o 5-FU foi infundido em duas horas ao invés de cinco dias conforme a prescrição. Foi infundido ao redor de 5 gramas no total. Paciente segue internado, para monitorar efeito colateral”.

O medicamento 5-FU é o Fluoruracil, que teve indicação de 6,5 mil miligramas a serem aplicadas em 120 horas. Cerca de 80% da dosagem foram aplicados a partir das 20h50 do dia 14 de agosto.

A viúva de Adolfo, Gerusa Alves de Souza, conta que as reações ao medicamento logo apareceram, e que ele sentia dificuldades até mesmo para se alimentar. “Ele disse que doía muito a boca, que o tumor estava grande, que estava queimando por dentro”, diz. Com a saúde debilitada, Adolfo morreu 15 dias depois. O atestado de óbito aponta para morte a esclarecer.

A direção do hospital admite que houve falha durante a quimioterapia. “O que houve na realidade constatado é que o medicamento era pra 120 horas, ele correu num período inferior a 12 horas. Se isso for em decorrência de erro ou descalibração da máquina ou outro fator, nos não podemos afirmar ainda”, explica o diretor técnico Luiz Alberto Kanamura. O hospital informou ainda que abriu sindicância, com duração de um mês, para apurar o caso.

A família de Adolfo registrou o caso na polícia. O corpo já passou por exame de necropsia, e o laudo deve sair nos próximos dias. Na última quinta-feira, a viúva e o filho prestaram depoimento. “Esse é um caso isolado que tem uma causa especifica. A gente vai aguardar o laudo para poder se manifestar”, diz a delegada Ana Claudia Medina.

(*)Com informação de G1 MS

O paciente Adolfo Coelho de Souza fazia tratamento contra um câncer no aparelho digestivo e morreu no dia 29 de agosto, cerca de um mês depois que o hospital reassumiu os serviços de oncologia (Foto: Google Imagens)

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