18/01/2013 01h59 – Atualizado em 18/01/2013 01h59

Consórcio UFN3 não reconhece legitimidade da Fetricom,

Enquanto o Consórcio UFN3 não reconhece a Fetricom para representar os trabalhadores na negociação, operários em greve não confiam nos Sindicatos da Construção Civil; Sintricom e Sintiespav e impasse entra para o terceiro dia sem nenhum acordo

Ricardo Ojeda

Sem nenhuma negociação definida, a greve dos trabalhadores do Consórcio UFN3 não tem data para acabar. Nessa sexta-feira, os manifestantes prometem fazer piquete na entrada da obra para impedir a entrada dos funcionários administrativos da empresa.

A reportagem conseguiu uma cópia da pauta de reivindicação, que ao contrario do que já foi publicado, contém 26 itens e não 23 como foi divulgado pelo Perfil News. A pauta foi elaborada e entregue ao consórcio na tarde de quarta-feira, dia 16.

BOA VONTADE

No dia posterior o presidente da Fetricom (Federação doa Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado de Mato Grosso do Sul), Webergton Sudario da Silva protocolou ofício no escritório do Consórcio, notificando a greve, informando que não houve nenhuma contraproposta da empresa, ou até mesmo boa vontade em atender o bem estar do trabalhador. No ofício consta ainda que o movimento grevista não tem data para terminar enquanto as solicitações não forem atendidas.

SEM LEGITIMIDADE

Em resposta ao ofício, escrito no verso, o gerente Administrativo do Consórcio UFN3, Levi Borges escreveu que não “a Fetricom não detém legitimidade para representação da categoria profissional vinculadas ao consórcio, já que os mesmos são representados pelos sindicatos; Sintiespav e Sintricom-MS”.

Ocorre que os trabalhadores não confiam nos dois sindicatos e através de uma comissão representativa escolheu a Fetricom para representá-los na negociação.

ENDURECER O JOGO

O representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores, (entidade ligada à CUT), Valdemir Oliveira disse à reportagem que a maior legitimidade para discutir a pauta de negociação, são os mais de 3.500 trabalhadores que nos procurou para representá-los.

Segundo Oliveira, nessa sexta-feira, por volta das 4 horas da manhã os manifestantes vão fazer um piquete no portão de entrada para impedir o acesso dos funcionários que trabalham o escritório de administração do consórcio. “Não vai entrar ninguém. Vamos endurecer o jogo para acelerar uma negociação justa para os trabalhadores”, disse.

SEM NEGOCIAÇÃO

Embora o movimento dos trabalhadores do Consórcio UFN3, entra nessa sexta-feira para o terceiro dia de greve. Até o momento nenhum represente do consórcio tentou dialogar com a comissão que representa os trabalhadores.

O movimento foi deflagrado no tarde de terça-feira e desde então não houve nenhuma tentativa de negociação por parte do Consórcio UFN3. O motivo da manifestação foi o aumento do piso salarial para algumas categorias, deixando insatisfeitos os trabalhadores da construção civil que não teve salário majorado igual às demais categorias, como, por exemplo, do setor de montagem.

REVOLTA

Além disso, é grande a revolta dos trabalhadores que reclamam de assédio moral dispensado à classe por parte de alguns encarregados da UFN3.

A reportagem do ** Perfil News** recebeu várias mensagens com denunciando a insatisfação dos operários que trabalham o na obra do complexo industrial. O leitor que se identificou por Noel Donald, enviou comentário denunciando trabalho “quase escravo” na obra: “eu trabalho lá e digo insatisfação é pouco. Lá é trabalho quase escravo minha equipe e de 18 carpinteiros e dois ajudantes pode perguntar na construção cível é ou não é quase escravo faltou muito pouco para ser escravo “R$ 800 de salário. Saio de casa às 5 horas da manhã e retorno às 17 horas”. Eu não culpo a Petrobras não e sim o consórcio.

Para efeito de comprovação, a direção do Perfil News tem registrado o e-mail original do trabalhador que fez a denúncia. Em poder da reportagem existem várias mensagens denunciando o consórcio pelo tratamento dispensado aos trabalhadores.


Sem acordo, trabalhadores vão permanecer parados até a negociação for concluída (Foto: Ricardo Ojeda)

De acordo com informações, obra da fábrica de fertilizantes da Petrobras está com o cronograma atrasado, como mostra a foto tirada na tarde desta quinta-feira (Foto: Ricardo Ojeda)

Alojamento na proximidades da obra, foi construído pelo consórcio, mas trabalhadores relutam ficar no local devido isolamento (Foto: Ricardo Ojeda)

Cópia do ofício escrito à mão pelo gerente Administrativo Financeiro do Consórcio UFN3, informando não reconhecer a legitimidade da Fetricom para sentar à mesa de negociação


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