11/01/2013 11h21 – Atualizado em 11/01/2013 11h21

Senadores criticam valor de novo piso salarial de professores

Marilia Coêlho, Agência Senado

O reajuste do piso salarial dos professores de 7,97% para 2013, muito inferior ao que foi concedido em 2012 (22%), foi criticado por senadores. O valor de R$ 1.567,00, anunciado pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, nesta quinta-feira, 10, não valoriza a categoria na opinião dos senadores Cristovam Buarque e Paulo Bauer.

Em entrevista nesta sexta-feira, 11, Cristovam Buarque disse que o aumento é insuficiente e defendeu a federalização da educação. Autor do projeto que resultou no Piso Nacional dos Professores (Lei 11.738/2008), o senador disse que lei foi um grande avanço, mas que, infelizmente, fica amarrada ao valor do piso.

“Não é possível atrair para o magistério os estudantes, os universitários, com um salário de R$ 1.567,00. E o mais grave é que, além de o piso ser muito baixo, está havendo um achatamento do salário entre o piso e o teto”, disse Cristovam.

A dificuldade que alguns estados e municípios terão para pagar o piso, reconhecida pelo ministro da Educação, também não foi contestada pelo senador. A saída defendida por Cristovam é transferir a educação de base para a responsabilidade do governo federal num período de 20 anos.

“Se fosse feita a federalização da educação, com um salário médio de R$ 9 mil ao professor, de uma maneira paulatina, no final de 20 anos, isso custaria ao governo federal somente 6,4% do PIB. Isso é possível”, defendeu.

O senador Paulo Bauer ressaltou, em entrevista, que, em alguns estados e municípios, o piso do magistério é menor do que o de outras categorias, como a polícia e os profissionais de saúde. Para o senador, o pagamento dos proventos aos professores aposentados, incluído dentro dos 25% que os estados e municípios devem gastar com educação, deveria ter um fundo independente e ficar fora desse percentual.

“Se isso fosse feito, automaticamente estados e municípios poderiam remunerar melhor os professores em atividade, disse Bauer.
Para o senador, o governo federal não tem se preocupado em melhorar a educação. Paulo Bauer afirmou que a União precisa buscar uma solução para melhorar o salário dos professores ativos.

“Há a necessidade de a União buscar uma solução, um mecanismo que contemple estados e municípios de forma definitiva para que haja recursos destinados à remuneração dos professores aposentados e, com isso, dar mais folga financeira para aplicar esse piso e constituir uma tabela salarial coerente para os professores ativos”.

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